
E aí, Dólar?
Putz, tô esgotado, meu caro. Desde os anos loucos da década de 20 não vivia momentos tão sufocantes. Tem mais: é um saco ser tão perseguido por parte da imprensa. Pô, há milhares de vezes mais jornalistas preocupados com o meu desempenho do que atrás do Cristiano Ronaldo e do Beckham. A vida tá difícil...
Mas, afinal, por que tanto sobe e desce?
É complicado trabalhar com o senhor Mercado, meu chefe. Difícil ficar numa boa... Parece que ele tem múltiplas personalidades. O cara é um híbrido de Michael Jackson, Salvador Dalí e Roberto Justus, sei lá. É pior que uma montanha russa, às vezes estou lá em cima, poderoso, outras, com a cara no chão...
Então, por que o senhor não procura um profissional para conter a instabilidade da crise global?
Olha só, venho tomando dois Prozacs diariamente. Além disso, sou uma unidade monetária de responsa: freqüento o divã de um bom psiquiatra quinzenalmente e vou à igreja aos domingos. Já tentei de tudo. Mas o mundo do dinheiro é volúvel e perigoso.
Já que o papo aqui também é futebol, quero saber sua opinião sobre Pelé e Maradona.
Sem dúvida, o melhor foi Pelé. Lógico. Dieguito ganhou uma Copa e fez 341 gols... O Romário também ganhou um mundial e marcou mais de mil vezes. Se o Baixinho tivesse nascido na Argentina...
E o futuro?
A situação vai melhorar: os mercados estão se acalmando, num ajuste mais racional. Vamos levar um tempo para superar a fase, mas as pessoas podem esperar que a confiança volte ao sistema, que os bancos voltem a fazer empréstimos e que a atividade financeira volte ao normal. Aí abandono Wall Street de vez e vou viver nas Ilhas Cayman (risos)... Vivendo nos bolsos de sorridentes turistas brasileiros...