A realidade jamais pode ser esquecida. Custe o que custar. Doa a quem doer. No mito, sempre lembrado, ecoa as palavras cruas ditas por José Ferreira Neto – comentarista, filósofo da bola, guerreiro, anti-herói... Ou simplesmente Neto, o eterno craque da camisa 10. O cara é uma espécie de Che Guevara do futebol, sempre pronto para apertar o gatilho em nome de ideais que valem mais que a própria vida. Pode parecer exagero, mas o Fatto Olé está cara a cara com Neto: a língua mais afiada do Brasil. Pois como diria Che, “Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura”. E aí, você vai encarar?
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Neto conquistou a Fiel com
seus gols importantes
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FATTO OLÉ - O futebol anda chato?
NETO - O futebol está muito chato, velho. Eu estou cansado de ver o Vanderlei (Luxemburgo) brigar com o quarto árbitro, cansado de fazer jogos só do Corinthians, de ver três zagueiros, três volantes. O futebol está fraco tecnicamente. Estou bem cansado e gostaria que fosse mais alegre, tivesse mais sacanagem. Seria bom ter mais gente como o Viola, o Edmundo, o Djalminha... Faço quatro partidas por semana e tem hora que é difícil agüentar.
Como foi esta transição do jogador para comentarista?
Eu nem sabia que iria ser comentarista, queria trabalhar no meio do futebol, mas não como treinador. Talvez auxiliar ou dirigente. Aí o Artur de Almeida e o Luciano do Valle me deram a primeira oportunidade. Fui chamado como convidado para comentar, gostaram de mim e fui ficando. Hoje não largo mais, essa é a minha profissão. Escrevi no jornal Agora, estou atualmente no Estadão, trabalho na rádio Transamérica. Só largo quando me aposentar. Vou trabalhar até os 50 anos, fazer duas Copas e parar. Fui para a Copa da Alemanha e foi fenomenal.
Que jogadores te agradam hoje em dia?
Gosto muito do Alex, do Fenerbahce da Turquia, e do Ronaldinho Gaúcho. Mesmo ele não estando em uma boa fase, sempre adorei vê-lo jogar. Já aqui no Brasil, gosto muito do Hernanes, volante que sai para o jogo e sabe marcar. Tenho uma admiração enorme por ele.
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Neto se detaca como
comentarista |
Dá a impressão de que você cuida mais do corpo agora. Você acha isso?
Há um rótulo muito grande em cima de mim, em termos de obesidade. As pessoas me rotulavam e acho que cuidava muito mais do corpo quando eu treinava. Agora estou com 41 anos, fiz uma reeducação alimentar e cuido da minha vida melhor. Sou mais centrado. A idade fez com que eu tivesse mais cuidado comigo. Estou super bem, meu colesterol está legal, o coração também. E além de não precisar tomar viagra, estou fazendo bem melhor e com mais qualidade.
Se pudesse voltar no tempo, o que faria?
Essa é uma pergunta que nunca ninguém me fez. Se eu tivesse a cabeça que tenho hoje, teria sido um jogador com duas Copas do Mundo, teria jogado na Europa em um grande clube, mas por outro lado acho que tudo isso não me fez falta. Só o titulo que ganhei no Corinthians (Brasileirão de 1990) já vale por tudo. Talvez se eu tivesse tido como jogador a mesma dedicação que tenho hoje como comentarista...
Como você consegue as informações de bastidores?
Para falar a verdade, eu nem uso muito isso. Se usar tudo que sei, muita gente vai ser presa. Uso quando é caso de escalação e contratação. E também não uso porque aí eu não seria o que sou como pessoa.
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