2008 - EDIÇÃO 135

TÚLIO MARAVILHA, O ÚLTIMO PLAYBOY
Por Paulo Favero

Não existe mais atacantes como Túlio Maravilha. Se Quentin Tarantino tivesse conhecido o polêmico goleador do Vila Nova de Goiás já teria conquistado a estatueta do Oscar. Fácil. O cara é uma verdadeira figura: goleador, comentarista, metrossexual, inteligente, irreverente, bem-humorado, paizão, brincalhão... Enfim, um artilheiro consagrado cheio de histórias para contar. Perto de completar 40 anos, Túlio é o personagem de uma das entrevistas mais bacanas do Fatto Olé. “Vou fazer 1010 gols em 2010”, garante o falastrão. "A cada dia sou mais vaidoso". Aqui, com certeza, ele fala muito mais... Confira!

Foto: Divulgação
Túlio Maravilha
se diz vaidoso

FATTO OLÉ - Qual o maior gol de placa da sua vida?
TÚLIO MARAVILHA - Fora do futebol foram os cinco filhos. Sou penta pai e penta artilheiro do Brasil nos campeonatos nacionais. Agora estou rumo ao hexa na Série B, vou alcançar antes do Brasil em 2010. Já em relação aos filhos eu já pendurei as chuteiras.

E qual a maior bola fora?
Quando deixo de marcar um gol feito. Isso me incomoda muito, mas só nas primeiras 24 horas, pois quem vive de passado é museu.

  Você tem a mesma cara de quando começou a jogar. Onde fica a fonte da juventude?
Eu me cuido dentro e fora de campo. Meu percentual de gordura é 9%, o mesmo que eu tinha com 20 anos. Também tenho o mesmo peso de antes, 72 quilos. Acho que a fonte da juventude fica na cabeça, na alimentação regrada, nas horas de sono e no amor à profissão.

Foto: Divulgação
Ele atualmente joga
pelo Vila Nova-GO

Você se considera um sex symbol?
Cada dia que passa eu sou mais vaidoso. Aparência é tudo, ainda mais para mim. Eu pretendo um futuro político. Sou pré-candidato a vereador em Goiânia, pelo PMDB, e devo concorrer nas próximas eleições municipais. Aqui eles me vêem como político da cidade.

Como é chegar próximo dos 40 anos?
Parece que foi ontem, mas ainda não caiu a ficha. Acho que a idade está sendo uma grande aliada para mim. Para muitos significa barreira e turbulência, mas para mim é qualidade de vida e experiência.

  Até quando você terá fôlego para jogar?
Vou estar com 41 anos em plena forma.

Qual o seu hobby?
O meu maior hobby é cuidar dos filhos, passear no shopping, curtir a infância, brincar. Sou paizão coruja. Agora nos finais de semana, pela Série B, não tem jogo de domingo. Isso para mim é ótimo.

Você gosta de ler?
Adoro. Atualmente estou lendo Mentes Milionárias. É um livro que fala como enriquecer não só financeiramente, mas também na cabeça. Estou rico de saúde e personalidade. Me sinto realizado. Só não paro de jogar porque gosto mesmo. Sou obcecado por marcas e recordes. Marquei 191 gols nas séries A, B e C do Brasileirão e passei o Roberto Dinamite.

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Momento paizão do jogador

Você acredita em gol 1.000? Acha que o Romário fez mil gols mesmo?
Não só acredito em gol 1.000 como vou fazê-lo, quem viver, verá. Acho que o Romário fez, assim como o Pelé e vou ser o próximo. Vou fazer 1010 gols em 2010.

Quem é o próximo Túlio Maravilha do futebol brasileiro?
O próximo é meu filho de 10 anos, o Túlio Filho, meu herdeiro. Ele está na Escolinha do Goiás. É um meia-atacante leve, rápido e goleador. Já sou empresário dele e com 14 anos vou levá-lo para o Real Madrid.

Você acha que os atacantes são tecnicamente piores do que antigamente?
São limitados. A safra do passado é 10 vezes melhor. Hoje é só preparação física, eles correm muito e pensam pouco. Para ser um artilheiro tem que ter inteligência e frieza para marcar os gols.

O futebol está muito chato atualmente?
Já esteve melhor, está um pouco monótono, justamente pela falta de ídolos e atrações. Os grandes ídolos estão na Europa.

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"Aparência é tudo"

Por que as pessoas têm medo de provocar o adversário no futebol?
Porque pode incitar a violência ou ter retaliações. Tudo que se fala é motivo de polêmica. Eu continuo falando porque sei promover os jogos, os campeonatos. Tenho uma maneira própria e irreverente.

Qual a maior provocação que você já fez?
Foi na época do Carioca, que falei que iria ser o Rei do Rio, competindo com Romário e Renato Gaúcho. O Renato foi campeão pelo Flu, mas eu fui o artilheiro.

E o gol na final do Campeonato Brasileiro de 1995, que você fez contra o Santos. Você estava impedido?
Estava impedido e graças a Deus o juizão deu, porque é o único título do Botafogo. Errar é humano!

Como você imagina a sua despedida?
Eu imagino que será no Maracanã ou no Serra Dourada, dando a volta olímpica, fazendo o milésimo gol e sendo campeão da Série A. O Botafogo se prontificou a me receber de braços abertos quando estiver perto do milésimo gol.

E o que fará depois que parar de jogar?
Eu estou empresariando jovens atletas, tenho a Escolinha Túlio Maravilha, sou comentarista de jogos e sou garoto-propaganda de várias empresas. Meu lema é movimento. Só me aposento quando morrer.