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Ana soube explorar sua imagem |
Ana Paula Oliveira é assim: especialista em enlouquecer os homens. Pode ser marcando alguns impedimentos polêmicos ou com suas fotos sensuais nas revistas masculinas – só para você ter idéia sua Playboy vendeu mais de 250 mil cópias. O futebol foi uma verdadeira escada para a juíza que virou popstar. Aos 30 anos, já ganhou projeção internacional. Na Espanha, por exemplo, desbancou a musa do tênis Maria Sharapova. Desfilou nas passarelas da moda. Foi acusada de viver um romance lésbico com a prima Nalda. Em seu blog, tentou arrumar um namorado. E mais: Ana ministra palestras motivacionais por todo o Brasil. “Acho que sou sensual e inteligente”, comenta.
Agora, ela planeja lançar uma grife de roupas e sonha em se transformar numa apresentadora de televisão.“Estou acabando a faculdade de jornalismo. Eu não preciso do diploma, mas sou perfeccionista”, garante. “Se alguém de televisão me procurar, vou ouvir a proposta. Tenho vontade de ser apresentadora”. Sempre sorrindo, conseguiu vencer o preconceito com a cabeça erguida. Não deixa de dar autógrafo a quem pede e tira dezenas de fotos em locais públicos com seus fãs. Aliás, seu sorriso é sua grande arma.
Quando ela tinha 12 anos, sua família perdeu tudo. Viveu situações complicadas e quando seu sucesso transcendeu os campos de futebol a beldade resolveu aproveitar as oportunidades. “Não me arrependo de ter posado nua. A Playboy proporcionou uma melhor qualidade de vida para minha família. Eu até estava bem, mas meus pais não estavam”, diz. E se pintasse outra proposta? Ana responde de primeira. “Não é o que eu planejo. Mas se for para fazer, tem que ser por um bom valor financeiro.”
Além da intenção de trabalhar na televisão, Ana Paula percorre o país apitando peladas de empresas e em eventos. Também dá palestras motivacionais em que conta sua experiência de vida e fala de discriminação. Vai além com a proposta de licenciar produtos com seu nome, numa marca que registrou para evitar aproveitadores. Mantém um blog no ar, em que se diverte falando de seu cotidiano. Talvez nem precise mais trabalhar com o futebol, mas ela sabe que o esporte bretão é um combustível para sua vida e para os seus negócios.
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Ana Paula é a musa do apito |
Quando um juiz entra em campo, inevitavelmente sua mãe é xingada pelos torcedores. Com a bandeirinha Ana Paula é bem diferente. A vítima é sempre ela mesma, que é “homenageada” com elogios e palavras impublicáveis. Ela não se importa, já acostumou com o clima dos estádios, mas ainda não engoliu o preconceito no futebol brasileiro. “Sei que a gente vive em um país machista. É o preço do reconhecimento. Eu estive em Portugal e foi muito bom. Agora vou para os Estados Unidos. A mentalidade lá fora é bem diferente”, confessa.
Ana Paula não é discriminada só por torcedores. Muitos “profissionais” do ramo acham que a mulher tem de estar em “outro lugar” e não dentro de campo. Um erro dela é potencializado, justamente pelo fato de ser mulher. “As pessoas não sabem o que eu passei nos últimos 10 meses. Mas não posso me abater por encontrar alguma barreira”, diz. Após um erro em uma partida da Copa do Brasil, ela foi afastada e teve sua vida virada de ponta-cabeça. “Os jogadores me respeitam muito. Vários deles torceram por mim, para que eu voltasse a bandeirar. Mas prefiro não revelar os nomes”, conta.
Afastada do quadro de árbitros, ela voltou a treinar, passou nos testes físicos e recuperou sua posição. “Estou muito feliz. Minha proposta para 2008 era mostrar que tinha condições e consegui. Provei que tinha condições físicas para continuar trabalhando. Bem que eu gostaria de voltar já para o Brasileirão, mas a decisão de fazer para as mulheres um teste igual ao dos homens dificulta mais. Porém estou treinando e me esforçando”, diz.
Por ter apenas 30 anos, completados no último dia 26, ela sabe que ainda tem uma longa carreira pela frente e até poderia optar por deixar de ser auxiliar e ir para o centro do campo. Muitos até a aconselham a fazer isso. Mas ela prefere seguir em busca do seu maior objetivo. “Eu até poderia deixar de ser auxiliar e ir para o apito, mas aí sei que não conseguiria ir para uma Copa, que é meu grande sonho”. Uma coisa ninguém pode negar: Ana levanta a bandeira com muita classe... |