2008 - EDIÇÃO 127

A MELHOR ENTREVISTA DE MARINA DE LA RIVA
Por Mariana Buccieri, especial para o Fatto Olé

Não acabou o chá de semancol aqui na redação do Fatto Olé, não... A idéia do título aí de cima rolou durante o bate papo com a grande representante da música latina da atualidade, a diva Marina de La Riva. “Olha, essa foi uma das melhores entrevistas que já fizeram comigo durante toda a minha carreira”, avaliou a cantora, ‘meia brasileira-meia cubana’, que logo aos 11 anos subiu no palco para entregar uma flor ao astro Frank Sinatra. Definitivamente a conversa franca foi uma verdadeira viagem por diversos temas do cotidiano. Aprecie sem moderação:

Foto: Divulgação
A bela é dona de uma voz incrível

FATTO OLÉ - Abre o jogo: Qual seria a primeira frase de um livro de Marina de La Riva sobre Marina de La Riva?
MARINA - Adorei isso (risos)! Ai acho que eu começaria com um ‘Era uma vez... ’

Como a alegre música cubana sobreviveu às tensões políticas da Era Fidel Castro?
Através de um torpor, com identidade. A música tem a função de ser alegre.

A renúncia de Fidel representa, de alguma forma, uma maior liberdade cultural de Cuba?
Ah, não posso dizer isso ainda. A gente só vai notar se há maior liberdade cultural em Cuba ao longo do tempo.

 E quem são os verdadeiros inimigos da liberdade?
Tudo o que é falso. A realidade fictícia que transmite bússolas inexistentes é a grande inimiga do que é livre.

Foto: Divulgação
Marina honra a música latina

 É difícil vestir a camisa de algum movimento no Brasil?
Acho que a gente precisa saber o que quer, aí fica fácil. Tudo o que é diferente do vigente precisa de uma energia para ir contra a maré. E acho que essa é a realidade do mundo.

 Que causa faria você liderar uma passeata hoje?
Ai, são tantas (pensativa). Acho que algo que me escandalizasse muito, tanto como cidadã quanto como artista.

 Como começou seu interesse pela música?
Na barriga da minha mãe e no ambiente da minha casa, onde sempre houve muita música.

 Qual foi a hora da virada na sua vida?
Olha, eu tenho muitas viradas na minha vida. Tenho muitos marcos... Um deles é que a música sempre foi muito fluída para mim e os momentos foram acontecendo. Eu sempre fui ouvinte da música, fui bailarina. A música é um grande mar e eu naveguei por esse mar. Outro momento marcante desejei e realizei o sonho de ver o show do Frank Sinatra. Eu tinha apenas 11 anos e morava no interior do Rio de Janeiro. O Frank ia se apresentar em São Paulo, aí pedi ao meu avô de presente um ingresso para o show. Fiquei pertinho do palco com uma rosa na mão e ele viu. Nisso ele me chamou para subir no palco e entregar a flor nas mãos dele. Eu, muito tímida, entreguei e saí correndo, mas depois ele me chamou de volta e me deu um lenço – que eu tenho guardado até hoje – e um beijo. Acho que foi aí que eu tive realmente o meu impulso. E que impulso! (Risos).

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A brasileira que encantou Frank Sinatra

 Numa boa, você se considera a verdadeira representante da música latina?
Sim, até mesmo porque sou latina. Respeito e honro muito esse sangue. Tenho metade, metade. Sou brasileira mais meu avô é espanhol, não fala absolutamente nada em português.

 E o chamado fã: incomoda muito?
Não. Porque são os fãs que fazem a minha musica caminhar. E outra, eu ainda estou caminhando, não faço tanto alarme assim. Sou independente e quero que isso continue.

 Que música jamais pode faltar na coletânea do seu iPod?
São tantas. Olha a música “Central Constancia” (do álbum de Marina) é uma canção muito importante para mim.

 Quais são as suas maiores influências musicais?
Tom Jobim, Ney Matogrosso, Caetano, Trio Matamoros e Julie London. Eu faço muitas pesquisas entre o passado e presente. Ouço desde Foo Fighters até Sepultura. Afinal, música é música.

 Você sabe que os leitores do Fatto Olé também querem saber de futebol, né?
Sei... Bom, sou Flamengo e São Paulo, por causa do meu filho.

 Já teve o estalo para alguma música assistindo a uma partida de futebol?
Não, mas adoro as músicas que falam de futebol. Tipo aquela do Skank. Olha, mas quem sabe se eu for ao estádio, onde tem aqueles homens bonitos, eu não possa me inspirar. Boa idéia! (Risos).

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Graciosidade e beleza nos shows

 O futebol tem momentos de improviso e genialidade que poucos artistas conseguem repetir. Mas em alguma de suas músicas você teve o sentimento de improviso que só se encontra no futebol?
O improviso é muito importante para fluir qualquer coisa. Esse jogo de cintura tem que existir não só no futebol, mas também na música. A música é viva, ela se realiza conforme o estado de espírito e é nesse estado de espírito que temos que improvisar e os outros são obrigados a acompanhar.

 Se você fosse técnica por um dia, no estilo Dunga, qual seria a sua seleção de craques da MPB?
Nossa, deixa eu pensar... Tom, Chico Buarque, Paula de Freitas, Nina Becker, Wilson Simonal, Leny Andrade, Maísa, a linda da Ivete Sangalo e André Krischer.

 O que é uma boa notícia para você?
Uma boa notícia? (Pensativa). Uma informação que seja surpreendente, mas que talvez eu já estivesse esperando. Ela tem que ser boa, no sentido completo da palavra.

 Como você vê a música brasileira daqui a 20 anos?
Muito colorida e respeitada. A quantidade de talentos que o Brasil tem é impressionante. Ter talento não está relacionado ao reconhecimento. E o que mais tem aqui é gente talentosa. Quero que a música brasileira seja muito respeitada, apesar de que ela já é e muita gente não sabe.