2008 - EDIÇÃO 125

MAYA, UMA SEREIA COM DNA GABEIRA
Por Paulo Favero

Ela chegou por prazer a lugares que muitos marmanjos não se aventurariam por dinheiro algum. Maior surfista mulher de ondas grandes do mundo, Maya Gabeira não se destaca apenas pela coragem e talento no mar. Aos 20 anos, a filha do deputado federal Fernando Gabeira puxou a inteligência do pai, mas não quer surfar nas ondas do congresso. Seu escritório é na praia e o sorriso em seu rosto é permanente. Mesmo que seja diante dos morros de água do Taiti ou do Havaí. Afinal, gente boa, quem disse que sereia não existe?

Foto: Divulgação

Na primeira trip para Teahuppo (Taiti),
Maya mostrou todo seu talento

Qual a sensação de pegar ondas grandes?
É uma sensação única de liberdade, satisfação e muita adrenalina!

Qual a maior que você já pegou?
Uns 18 pés havaianos (quase 11 metros).


Por que escolheu surfar, ainda da forma mais perigosa?
Eu escolhi surfar, pois me interessei pelo esporte através de um ex-namorado! A paixão pelas ondas grandes veio depois, com o decorrer dos anos, mas eu acho que sou apaixonada por surfar acima de tudo! Gosto de ondas perfeitas e, se as gigantes existem, por que não surfá-las também? Acho que realmente começou com o fato de querer sempre estar na água e não gostava da idéia de ver ondas perfeitas e grandes e achar que não poderia surfá-las, queria sentir o prazer de estar na água em qualquer tamanho ou condição de mar.

Qual foi o maior caldo que você tomou?
Já tomei caldos ruins, mas acho que minha vaca em Teahupoo esse ano foi a pior! Eu estava com dois coletes e acabei voltando à superfície depois de algum tempo. O Laird (Hamilton) estava ali para me resgatar, mas foi violento, parecia que tinha sido atropelada por um caminhão!

Quando tudo começou para você?
Quando tinha 14 anos e me matriculei na Escolinha de Surfe do Arpoador. Ali comecei a aprender com o professor Paulinho Dolabella!

Foto: Divulgação

Maya Gabeira passa por baixo da onda, no Taiti

De tanto viajar em busca da onda perfeita, você já deve ter conhecido praias maravilhosas. Quais são as que mais te encantam?
Taiti e Indonésia! Mas eu amo o Havaí, é onde eu moro e pretendo ficar.

Morando no Havaí, do que você mais sente falta do Brasil?
Minha família e amigos.

Aí também existe a cultura do futebol de praia? Você gosta?
Existe a cultura de praia, futebol só o americano (rindo)! Eu gosto da cultura havaiana, eles são muito receptivos, de coração aberto e são verdadeiros watermen.

Você se interessa por política? Pensa em seguir os passos do seu pai?
Não penso em seguir os passos dele, mas sempre que estou no Brasil me atualizo, pois fico interessada em saber como vão as coisas e o trabalho dele.

Quem é mais big rider dentro de sua área de atuação: você ou seu pai?
Com certeza meu pai.

Muitas pessoas dizem que todo surfista é burro. Como você, que é filha de intelectuais, lida com esse preconceito e o que você gosta de fazer além de pegar ondas?
Eu gosto de ler, praticar yoga, pedalar... Não sofro esse preconceito, acho que cada um é cada um e não se pode generalizar só porque as pessoas praticam o mesmo esporte!

Foto: Divulgação

O sorriso não esconde a satisfação por
esta no mar

Como é sua relação com os surfistas locais no Havaí? Já arrumou alguma confusão?
Tenho uma relação muito boa com os surfistas daqui e nunca arrumei confusão. E espero nunca arrumar... Acho que o mais importante é transparecer que você os respeita e com certeza eles também irão te respeitar, tentando sempre ser discreto e humilde.

Surfe é profissão, hobbie ou estilo de vida?
É meu estilo de vida e também a minha profissão, o que eu amo fazer. Na verdade, pessoalmente, para mim surfe é tudo!

Dizem que para surfar ondas grandes é preciso ser louco. Quem é a pessoa mais louca que você já conheceu?
Não acredito que tenha que ser louco para gostar de ondas grandes, mas acho que somos todos diferentes. Tem um grupo de surfistas que gosta da adrenalina e energia que se pode tirar de um dia de surfe em ondas grandes! E nós trabalhamos para isso, treinamos e nos preparamos para surfá-las! É uma grande satisfação conseguir superar seus limites e surfá-las.

Você acha que o surfe pode “roubar” um pouco do espaço do futebol como esporte das massas no Brasil? O que é preciso?
Espero que sim, pois é um esporte maravilhoso, que bota as pessoas mais em contato com a natureza e o mar. É uma verdadeira escola, que nos ensina grandes lições. Além de ser saudável e muito prazeroso!