Ela
chegou por prazer a lugares que muitos marmanjos
não se aventurariam por dinheiro algum.
Maior surfista mulher de ondas grandes do mundo,
Maya Gabeira não se destaca apenas pela
coragem e talento no mar. Aos 20 anos, a filha
do deputado federal Fernando Gabeira puxou a inteligência
do pai, mas não quer surfar nas ondas do
congresso. Seu escritório é na praia
e o sorriso em seu rosto é permanente.
Mesmo que seja diante dos morros de água
do Taiti ou do Havaí. Afinal, gente boa,
quem disse que sereia não existe?
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Na
primeira trip para Teahuppo (Taiti),
Maya
mostrou todo seu talento
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Qual a sensação de pegar
ondas grandes?
É
uma sensação única de liberdade,
satisfação e muita adrenalina!
Qual a maior que você já
pegou?
Uns 18 pés havaianos (quase 11
metros).
Por que escolheu surfar, ainda da forma
mais perigosa?
Eu
escolhi surfar, pois me interessei pelo esporte
através de um ex-namorado! A paixão
pelas ondas grandes veio depois, com o decorrer
dos anos, mas eu acho que sou apaixonada por surfar
acima de tudo! Gosto de ondas perfeitas e, se
as gigantes existem, por que não surfá-las
também? Acho que realmente começou
com o fato de querer sempre estar na água
e não gostava da idéia de ver ondas
perfeitas e grandes e achar que não poderia
surfá-las, queria sentir o prazer de estar
na água em qualquer tamanho ou condição
de mar.
Qual foi o maior caldo que você
tomou?
Já
tomei caldos ruins, mas acho que minha vaca em
Teahupoo esse ano foi a pior! Eu estava com dois
coletes e acabei voltando à superfície
depois de algum tempo. O Laird (Hamilton) estava
ali para me resgatar, mas foi violento, parecia
que tinha sido atropelada por um caminhão!
Quando tudo começou para você?
Quando
tinha 14 anos e me matriculei na Escolinha de
Surfe do Arpoador. Ali comecei a aprender com
o professor Paulinho Dolabella!
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Maya
Gabeira passa por baixo da onda, no Taiti
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De tanto viajar em busca da onda perfeita,
você já deve ter conhecido praias
maravilhosas. Quais são as que mais te
encantam?
Taiti
e Indonésia! Mas eu amo o Havaí,
é onde eu moro e pretendo ficar.
Morando no Havaí, do que você
mais sente falta do Brasil?
Minha
família e amigos.
Aí também existe a cultura
do futebol de praia? Você gosta?
Existe
a cultura de praia, futebol só o americano
(rindo)! Eu gosto da cultura havaiana, eles são
muito receptivos, de coração aberto
e são verdadeiros watermen.
Você se interessa por política?
Pensa em seguir os passos do seu pai?
Não
penso em seguir os passos dele, mas sempre que
estou no Brasil me atualizo, pois fico interessada
em saber como vão as coisas e o trabalho
dele.
Quem é mais big rider dentro de
sua área de atuação: você
ou seu pai?
Com
certeza meu pai.
Muitas pessoas dizem que todo surfista
é burro. Como você, que é
filha de intelectuais, lida com esse preconceito
e o que você gosta de fazer além
de pegar ondas?
Eu
gosto de ler, praticar yoga, pedalar... Não
sofro esse preconceito, acho que cada um é
cada um e não se pode generalizar só
porque as pessoas praticam o mesmo esporte!
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O
sorriso não esconde a satisfação
por
esta no mar
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Como é sua relação
com os surfistas locais no Havaí? Já
arrumou alguma confusão?
Tenho
uma relação muito boa com os surfistas
daqui e nunca arrumei confusão. E espero
nunca arrumar... Acho que o mais importante é
transparecer que você os respeita e com
certeza eles também irão te respeitar,
tentando sempre ser discreto e humilde.
Surfe é profissão, hobbie
ou estilo de vida?
É
meu estilo de vida e também a minha profissão,
o que eu amo fazer. Na verdade, pessoalmente,
para mim surfe é tudo!
Dizem que para surfar ondas grandes é
preciso ser louco. Quem é a pessoa mais
louca que você já conheceu?
Não
acredito que tenha que ser louco para gostar de
ondas grandes, mas acho que somos todos diferentes.
Tem um grupo de surfistas que gosta da adrenalina
e energia que se pode tirar de um dia de surfe
em ondas grandes! E nós trabalhamos para
isso, treinamos e nos preparamos para surfá-las!
É uma grande satisfação conseguir
superar seus limites e surfá-las.
Você acha que o surfe pode “roubar”
um pouco do espaço do futebol como esporte
das massas no Brasil? O que é preciso?
Espero
que sim, pois é um esporte maravilhoso,
que bota as pessoas mais em contato com a natureza
e o mar. É uma verdadeira escola, que nos
ensina grandes lições. Além
de ser saudável e muito prazeroso!
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