Ronaldinho Gaúcho ouve. Kaká também.
Robinho vive cantando as suas músicas.
Ronaldo? Ah, o Fenômeno também adora
esse Neguinho. Luís Antônio Feliciano
Marcos - que já virou Neguinho da Beija-Flor
há muito tempo - é o ídolo
das grandes feras do futebol brasileiro. Não
existe iPod de boleiro que não toque os
seus grandes sucessos. “Durante a última
Copa do Mundo, o Parreira parou um treino para
os jogadores falarem comigo”, conta o sambista
carioca, torcedor apaixonado do Flamengo. Nesta
entrevista exclusiva, ele fala dos bastidores
das maiores paixões populares: o futebol
e o samba. Aproveite.
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Com
38 anos de carreira ele ainda faz muito
sucesso |
FATTO OLÉ - Neguinho,
numa boa, você ainda lembra do seu nome
verdadeiro?
NEGUINHO - Lembro, mas não
lembro (risos). É Neguinho faz um tempão
mesmo, então acostumei.
E como começou essa paixão
pela música?
Ah... Desde nascido. Meu pai era músico,
e por isso a música sempre fez parte da
minha vida. Desde pequeno.
Qual a sensação que sentiu
no primeiro show?
Até hoje eu tenho frio na barriga, a adrenalina
da expectativa de cada show é muito grande.
E sinto isso sempre.
Então, qual a contribuição
que você está deixando para a MPB?
Creio que é uma fidelidade à nossa
cultura, ao carnaval e principalmente, ao samba.
Você se acha um cara de sucesso?
Lógico. Honestamente, aonde eu cheguei,
poucas pessoas conseguiram chegar. É muito
bom você poder viajar para qualquer lugar
do mundo, ficar em um bom hotel e ser reconhecido.
Por onde você passa, as portas se
abrem. Mas, por acaso, você já viveu
o outro lado e foi vítima do preconceito?
Lógico, principalmente no começo
da carreia. Sofri preconceito até com os
meus familiares em relação à
minha profissão. Lembro que eles me diziam
que música não era profissão,
que existiam outras pessoas que eram muito melhores
do que eu, mas eu segui carreira mesmo assim.
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Neguinho
ainda sente a emoção de subir
no palco... |
No Brasil, a criança nasce e ganha
nome, religião e time de futebol. Uma bola
pode ajudar na inclusão social?
Sim, claro. Tirando da marginalidade. Se o Brasil
não fosse o País rei da bola, teriam
muito mais marginais nas ruas envolvidos com o
tráfico de drogas. Tenho certeza que o
País revelou muitos craques que estavam
nas ruas.
Mas é melhor ser boleiro ou músico?
Depende da vocação de cada um. Se
o Roberto Carlos (cantor) fosse boleiro, não
estaria mais em atividade, a não ser que
ele fosse o Pelé, que até hoje é
mundialmente reconhecido pelo seu futebol. Mas
o boleiro pode jogar no máximo 20 anos,
já o músico não. Um exemplo
clássico foi o Jamelão que cantou
até seus 95 anos.
É difícil imaginar o Neguinho
jogando futebol. Qual sua intimidade com a bola?
Eu já tive... Joguei bastante, mas hoje
não mais. Um dos meus filhos foi profissional.
Chegou a jogar em vários times, até
no Fluminense.
Você é o cara que os maiores
craques do nosso futebol reverenciam. Já
pensou nisso?
Tenho muitos amigos no futebol. Outro dia eu fui
assistir a um treino da Seleção
Brasileira na última Copa e o Parreira
parou o treino para os jogadores falarem comigo.
Eu fiquei encantado, pois fui eu quem foi até
lá.
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Na
Copa da Alemanha (2006), o cantor foi prestigiado
pela Seleção Brasileira |
Quem são seus amigos do futebol?
Ah... Vários... Tem o Zico, Robinho, Ronaldinho
Gaúcho, Dida... São muitos.
Bom, que você tem uma voz linda
todo mundo sabe. Agora, conte o que quase ninguém
sabe?
Ai, que difícil (pensativo). A única
coisa que ninguém sabe é que sou
alérgico a cigarro. Ainda mais eu que trabalho
em locais onde se fuma muito, cheio de fumaça.
Depois de cada show, geralmente nos hotéis,
eu tenho que fazer todo um tratamento antialérgico
para não ficar doente.
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