2008 - EDIÇÃO 124

OLHA O FATTO OLÉ AÍ, GENTE!
Por Mariana Buccieri, especial para o Fatto Olé

Ronaldinho Gaúcho ouve. Kaká também. Robinho vive cantando as suas músicas. Ronaldo? Ah, o Fenômeno também adora esse Neguinho. Luís Antônio Feliciano Marcos - que já virou Neguinho da Beija-Flor há muito tempo - é o ídolo das grandes feras do futebol brasileiro. Não existe iPod de boleiro que não toque os seus grandes sucessos. “Durante a última Copa do Mundo, o Parreira parou um treino para os jogadores falarem comigo”, conta o sambista carioca, torcedor apaixonado do Flamengo. Nesta entrevista exclusiva, ele fala dos bastidores das maiores paixões populares: o futebol e o samba. Aproveite.

Foto: Divulgação
Com 38 anos de carreira ele ainda faz muito sucesso

FATTO OLÉ - Neguinho, numa boa, você ainda lembra do seu nome verdadeiro?
NEGUINHO - Lembro, mas não lembro (risos). É Neguinho faz um tempão mesmo, então acostumei.

E como começou essa paixão pela música?
Ah... Desde nascido. Meu pai era músico, e por isso a música sempre fez parte da minha vida. Desde pequeno.

Qual a sensação que sentiu no primeiro show?
Até hoje eu tenho frio na barriga, a adrenalina da expectativa de cada show é muito grande. E sinto isso sempre.

Então, qual a contribuição que você está deixando para a MPB?
Creio que é uma fidelidade à nossa cultura, ao carnaval e principalmente, ao samba.

Você se acha um cara de sucesso?
Lógico. Honestamente, aonde eu cheguei, poucas pessoas conseguiram chegar. É muito bom você poder viajar para qualquer lugar do mundo, ficar em um bom hotel e ser reconhecido.

Por onde você passa, as portas se abrem. Mas, por acaso, você já viveu o outro lado e foi vítima do preconceito?
Lógico, principalmente no começo da carreia. Sofri preconceito até com os meus familiares em relação à minha profissão. Lembro que eles me diziam que música não era profissão, que existiam outras pessoas que eram muito melhores do que eu, mas eu segui carreira mesmo assim.

Foto: Divulgação
Neguinho ainda sente a emoção de subir no palco...

No Brasil, a criança nasce e ganha nome, religião e time de futebol. Uma bola pode ajudar na inclusão social?
Sim, claro. Tirando da marginalidade. Se o Brasil não fosse o País rei da bola, teriam muito mais marginais nas ruas envolvidos com o tráfico de drogas. Tenho certeza que o País revelou muitos craques que estavam nas ruas.

Mas é melhor ser boleiro ou músico?
Depende da vocação de cada um. Se o Roberto Carlos (cantor) fosse boleiro, não estaria mais em atividade, a não ser que ele fosse o Pelé, que até hoje é mundialmente reconhecido pelo seu futebol. Mas o boleiro pode jogar no máximo 20 anos, já o músico não. Um exemplo clássico foi o Jamelão que cantou até seus 95 anos.

É difícil imaginar o Neguinho jogando futebol. Qual sua intimidade com a bola?
Eu já tive... Joguei bastante, mas hoje não mais. Um dos meus filhos foi profissional. Chegou a jogar em vários times, até no Fluminense.

Você é o cara que os maiores craques do nosso futebol reverenciam. Já pensou nisso?
Tenho muitos amigos no futebol. Outro dia eu fui assistir a um treino da Seleção Brasileira na última Copa e o Parreira parou o treino para os jogadores falarem comigo. Eu fiquei encantado, pois fui eu quem foi até lá.

Foto: Divulgação
Na Copa da Alemanha (2006), o cantor foi prestigiado pela Seleção Brasileira

Quem são seus amigos do futebol?
Ah... Vários... Tem o Zico, Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Dida... São muitos.

Bom, que você tem uma voz linda todo mundo sabe. Agora, conte o que quase ninguém sabe?
Ai, que difícil (pensativo). A única coisa que ninguém sabe é que sou alérgico a cigarro. Ainda mais eu que trabalho em locais onde se fuma muito, cheio de fumaça. Depois de cada show, geralmente nos hotéis, eu tenho que fazer todo um tratamento antialérgico para não ficar doente.