2008 - EDIÇÃO 120

ELA MANJA TUDO SOBRE FUTEBOL
Equipe Fatto Olé
Foto: Divulgação
Clara é uma estudiosa do futebol

Se você ainda conserva a idéia tosca de que o futebol é coisa pra machão, vai se surpreender. O Fatto Olé escala nessa edição a jornalista baiana Clara Albuquerque, 24 anos, uma das maiores apaixonadas pelo esporte bretão do Brasil. Ela manja muito – conhece perfeitamente até a regra do impedimento, antes que você me pergunte. “Desde pequena acompanho o esporte, sempre existiu uma overdose de futebol na minha casa”, conta. “E nunca existiu diferença entre eu e meu irmão, por exemplo”.

Fã de Juninho Pernambucano, Romário, Ronaldo, Pelé, Garrincha e Marta, Clara publicou o livro cor-de-rosa ‘Linha da Bola’, que explica o futebol de uma maneira bem feminina. É uma espécie de bê-a-bá para as mulheres entenderem do assunto. De acordo com a jornalista, a obra é uma ajuda inédita para quem quer conhecer, aprender e se divertir com o futebol: “Chega dessa história que nós mulheres não entendemos nada sobre o esporte!”, pede a jornalista, torcedora do Vasco da Gama.

Mas a baiana não poderia deixar de ser supersticiosa, é claro. Conta que em jogos decisivos do clube carioca escreve o nome dos jogadores do time adversário em vários pedacinhos de papel e coloca todos no congelador. Pode? “Se o Vasco ganha, estou de bom humor e quando perde, não fico muito agradável não”, brinca. Apesar do louco amor, Clara nunca teve jeito com a bola. Bem que tentou algumas vezes, mas acabou desistindo. “Engraçado é que fiz balé clássico por 20 anos, mas no futebol acho que prefiro ficar na teoria”, explica.

Foto: Divulgação
Clara Albuquerque faz pose com o livro

O machismo e o preconceito que assolam o esporte, segundo Clara Albuquerque, provocaram o atraso do futebol feminino brasileiro em relação ao norte-americano, sueco e alemão. “Na época do governo de Getúlio Vargas, a categoria chegou até mesmo a ser proibida”, lembra. “Existiam cerca de 10 equipes de futebol feminino no País e todas foram extintas, somente no inicio da década de 80 o futebol feminino recebeu alforria”.

Clara, sempre bem informada, chega a assustar os homens fanáticos pela bola. “Os meninos ficam em pânico e teimam em não admitir que uma mulher possa entender de futebol, mas depois acabam gostando da presença feminina nas discussões polêmicas e intermináveis”, admite. “O mais engraçado é que os homens se divertem muito com o livro, pois o consideram inusitado”.

A idéia de Clara no livro foi relacionar os principais assuntos do futebol, como regras, jogadores e esquemas táticos, por exemplo, com temas presentes no cotidiano das mulheres, como moda e contos de fadas. A história da Seleção Brasileira é contada através dos modelos dos uniformes utilizados pelos boleiros ao longo do tempo. “Isso não significa que toda mulher só gosta de moda e de cor-de-rosa, mas foi apenas a maneira divertida que encontrei para unir os dois universos”.

Homens, rendei-vos... Definitivamente!