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| Clara
é uma estudiosa do futebol |
Se você ainda conserva a idéia tosca
de que o futebol é coisa pra machão,
vai se surpreender. O Fatto Olé
escala nessa edição a jornalista
baiana Clara Albuquerque, 24 anos, uma das maiores
apaixonadas pelo esporte bretão do Brasil.
Ela manja muito – conhece perfeitamente
até a regra do impedimento, antes que você
me pergunte. “Desde pequena acompanho o
esporte, sempre existiu uma overdose de futebol
na minha casa”, conta. “E nunca existiu
diferença entre eu e meu irmão,
por exemplo”.
Fã
de Juninho Pernambucano, Romário, Ronaldo,
Pelé, Garrincha e Marta, Clara publicou
o livro cor-de-rosa ‘Linha da Bola’,
que explica o futebol de uma maneira bem feminina.
É uma espécie de bê-a-bá
para as mulheres entenderem do assunto. De acordo
com a jornalista, a obra é uma ajuda inédita
para quem quer conhecer, aprender e se divertir
com o futebol: “Chega dessa história
que nós mulheres não entendemos
nada sobre o esporte!”, pede a jornalista,
torcedora do Vasco da Gama.
Mas
a baiana não poderia deixar de ser supersticiosa,
é claro. Conta que em jogos decisivos do
clube carioca escreve o nome dos jogadores do
time adversário em vários pedacinhos
de papel e coloca todos no congelador. Pode? “Se
o Vasco ganha, estou de bom humor e quando perde,
não fico muito agradável não”,
brinca. Apesar do louco amor, Clara nunca teve
jeito com a bola. Bem que tentou algumas vezes,
mas acabou desistindo. “Engraçado
é que fiz balé clássico por
20 anos, mas no futebol acho que prefiro ficar
na teoria”, explica.
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| Clara
Albuquerque faz pose com o livro |
O
machismo e o preconceito que assolam o esporte,
segundo Clara Albuquerque, provocaram o atraso
do futebol feminino brasileiro em relação
ao norte-americano, sueco e alemão. “Na
época do governo de Getúlio Vargas,
a categoria chegou até mesmo a ser proibida”,
lembra. “Existiam cerca de 10 equipes de
futebol feminino no País e todas foram
extintas, somente no inicio da década de
80 o futebol feminino recebeu alforria”.
Clara,
sempre bem informada, chega a assustar os homens
fanáticos pela bola. “Os meninos
ficam em pânico e teimam em não admitir
que uma mulher possa entender de futebol, mas
depois acabam gostando da presença feminina
nas discussões polêmicas e intermináveis”,
admite. “O mais engraçado é
que os homens se divertem muito com o livro, pois
o consideram inusitado”.
A
idéia de Clara no livro foi relacionar
os principais assuntos do futebol, como regras,
jogadores e esquemas táticos, por exemplo,
com temas presentes no cotidiano das mulheres,
como moda e contos de fadas. A história
da Seleção Brasileira é contada
através dos modelos dos uniformes utilizados
pelos boleiros ao longo do tempo. “Isso
não significa que toda mulher só
gosta de moda e de cor-de-rosa, mas foi apenas
a maneira divertida que encontrei para unir os
dois universos”.
Homens,
rendei-vos... Definitivamente! |