Imagine
um monte de boleiros na concentração
antes de uma partida importante. Todos querendo
assistir a uma novela na televisão, menos
um. O problema é que justamente esse ‘um’
era Serginho Chulapa, o ‘bad boy’
com nome de craque e apelido que virou sobrenome
exigia ver um filme de bang-bang. “Aí
não tive dúvidas: joguei um balde
de água e estourou a televisão.
Ninguém viu mais nada (rindo)”, conta
o ex-jogador - polêmico, engraçado
e com um coração maior que a quantidade
de gols que fez na carreira. Agora em sua fase
zen – já é avô –
ele acaba de assumir o comando técnico
da Portuguesa Santista e pretende ensinar um pouco
do muito que aprendeu no mundo da bola. Confira
a entrevista exclusiva.
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Serginho
está numa versão mais light,
totalmente zen |
O que você andava fazendo desde que deixou
o Santos?
Estava aguardando alguma proposta de um time para
treinar, não queria mais ser auxiliar.
Sempre deixei bem claro que eu sou livre, não
tenho compromisso com o Vanderlei Luxemburgo.
O que ele fez por mim foi muito importante, mas
não temos vínculo. Por isso, aceitei
o convite da Portuguesa Santista.
Quando era jogador, você ficou conhecido
por se meter em muitas encrencas. Agora está
em uma fase zen. Como vê essa mudança?
É o tempo que vai dizendo. Hoje sou avô,
tenho meus filhos, não quero que meu neto
me veja em confusão. Estou muito light,
converso bastante. Muitas coisas que fiz acabaram
me prejudicando. Mas minha cabeça está
muito boa. Quando se está legal, tem mais
condições para trabalhar. Eu mudei,
mudei mesmo.
O que mais te agradou nisso tudo?
Me sinto preparadíssimo para dirigir qualquer
time, estou preparado psicologicamente.
Você tem muitas histórias.
Já pensou em escrever um livro sobre a
sua vida?
Realmente, eu tenho muitas histórias mesmo.
Tem até um cara que quer falar comigo,
para ver se escreve um livro. Vamos ver.
Qual a aventura mais engraçada
que você já se meteu no futebol?
No começo da carreira, eu estava no São
Paulo e comprei um carro. Aí eu, o Muricy
(Ramalho) e o Mauro (ponta-direita) íamos
até o Morumbi. Só que a gente deixava
o carro no Palácio dos Bandeirantes para
ninguém ver. Era um fusquinha. Mas se alguém
soubesse, acabavam com a gente. Até hoje
sou amigo do Muricy.
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Chulapa
está pronto para comandar um grande
time |
Você sonha em comandar o São
Paulo?
O São Paulo é uma equipe extraordinária,
mas tem um comando, está bem. Eu tenho
preferência para trabalhar com os jogadores
profissionais, mas quem sabe...
E a história da televisão
na concentração?
Essa é boa. Estávamos na concentração
do Morumbi e tinha apenas uma televisão
para 20 pessoas. E não deixavam assistir
ao que eu queria. Eu queria ver um filme de bang-bang
e eles queriam ver novela. Aí não
tive dúvidas: joguei um balde de água
e estourou a televisão. Ninguém
viu mais nada (rindo).
Qual o papel de Telê Santana em
sua carreira?
O Telê foi importante, foi ele quem me lançou
no São Paulo, em 1972. Tive muita influência
dele, do Vanderlei, do Geninho, do Minelli. Eu
observava bastante como eles comandavam e nada
melhor do que ter eles por perto para aprender.
Por que você comemorou o gol na
Copa de 82 sozinho?
Naquela época, quem fazia gol corria para
a sua placa. Eu também tinha a minha. Ganhava
500 dólares para que a placa publicitária
aparecesse.
É verdade que você sempre
arrumava um jeito de não jogar fora de
casa, por conta das viagens?
Isso ocorria só em Marilia, lá eu
não podia ir de jeito nenhum. Tinha um
problema com o pai de uma menina e era confusão
na certa. Não iria arriscar tomar um tiro.
E naquela época era fácil alegar
contusão, não tinha a ressonância
magnética ainda (rindo).
Que projeções você
faz para o futuro?
Minha ambição é fazer o time
buscar títulos. Quero dirigir, trabalhar,
formar uma equipe minha mesmo, com a minha cara.
Vou conseguir isso, se Deus quiser.
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