2008 - EDIÇÃO 120

CHULAPA: 'EU MUDEI MESMO'
Por Paulo Favero

Imagine um monte de boleiros na concentração antes de uma partida importante. Todos querendo assistir a uma novela na televisão, menos um. O problema é que justamente esse ‘um’ era Serginho Chulapa, o ‘bad boy’ com nome de craque e apelido que virou sobrenome exigia ver um filme de bang-bang. “Aí não tive dúvidas: joguei um balde de água e estourou a televisão. Ninguém viu mais nada (rindo)”, conta o ex-jogador - polêmico, engraçado e com um coração maior que a quantidade de gols que fez na carreira. Agora em sua fase zen – já é avô – ele acaba de assumir o comando técnico da Portuguesa Santista e pretende ensinar um pouco do muito que aprendeu no mundo da bola. Confira a entrevista exclusiva.

Foto: Divulgação
Serginho está numa versão mais light, totalmente zen

O que você andava fazendo desde que deixou o Santos?
Estava aguardando alguma proposta de um time para treinar, não queria mais ser auxiliar. Sempre deixei bem claro que eu sou livre, não tenho compromisso com o Vanderlei Luxemburgo. O que ele fez por mim foi muito importante, mas não temos vínculo. Por isso, aceitei o convite da Portuguesa Santista.

Quando era jogador, você ficou conhecido por se meter em muitas encrencas. Agora está em uma fase zen. Como vê essa mudança?
É o tempo que vai dizendo. Hoje sou avô, tenho meus filhos, não quero que meu neto me veja em confusão. Estou muito light, converso bastante. Muitas coisas que fiz acabaram me prejudicando. Mas minha cabeça está muito boa. Quando se está legal, tem mais condições para trabalhar. Eu mudei, mudei mesmo.

O que mais te agradou nisso tudo?
Me sinto preparadíssimo para dirigir qualquer time, estou preparado psicologicamente.

Você tem muitas histórias. Já pensou em escrever um livro sobre a sua vida?
Realmente, eu tenho muitas histórias mesmo. Tem até um cara que quer falar comigo, para ver se escreve um livro. Vamos ver.

Qual a aventura mais engraçada que você já se meteu no futebol?
No começo da carreira, eu estava no São Paulo e comprei um carro. Aí eu, o Muricy (Ramalho) e o Mauro (ponta-direita) íamos até o Morumbi. Só que a gente deixava o carro no Palácio dos Bandeirantes para ninguém ver. Era um fusquinha. Mas se alguém soubesse, acabavam com a gente. Até hoje sou amigo do Muricy.

Foto: Divulgação
Chulapa está pronto para comandar um grande time

Você sonha em comandar o São Paulo?
O São Paulo é uma equipe extraordinária, mas tem um comando, está bem. Eu tenho preferência para trabalhar com os jogadores profissionais, mas quem sabe...

E a história da televisão na concentração?
Essa é boa. Estávamos na concentração do Morumbi e tinha apenas uma televisão para 20 pessoas. E não deixavam assistir ao que eu queria. Eu queria ver um filme de bang-bang e eles queriam ver novela. Aí não tive dúvidas: joguei um balde de água e estourou a televisão. Ninguém viu mais nada (rindo).

Qual o papel de Telê Santana em sua carreira?
O Telê foi importante, foi ele quem me lançou no São Paulo, em 1972. Tive muita influência dele, do Vanderlei, do Geninho, do Minelli. Eu observava bastante como eles comandavam e nada melhor do que ter eles por perto para aprender.

Por que você comemorou o gol na Copa de 82 sozinho?
Naquela época, quem fazia gol corria para a sua placa. Eu também tinha a minha. Ganhava 500 dólares para que a placa publicitária aparecesse.

É verdade que você sempre arrumava um jeito de não jogar fora de casa, por conta das viagens?
Isso ocorria só em Marilia, lá eu não podia ir de jeito nenhum. Tinha um problema com o pai de uma menina e era confusão na certa. Não iria arriscar tomar um tiro. E naquela época era fácil alegar contusão, não tinha a ressonância magnética ainda (rindo).

Que projeções você faz para o futuro?
Minha ambição é fazer o time buscar títulos. Quero dirigir, trabalhar, formar uma equipe minha mesmo, com a minha cara. Vou conseguir isso, se Deus quiser.