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O músico João Suplicy não
herdou a paixão do pai pela política,
mas é santista como o senador da República.
Também não pensa em se candidatar
a nada, como a mãe Marta, mas mirou-se
no irmão, o também músico
Supla. Nessa deliciosa conversa, ele nos conta
sobre como lida com as questões políticas
em casa, cita suas fontes de inspiração
e fala de futebol, é claro. E não
desafina nunca!
No
Brasil, é melhor ser boleiro ou músico?
Ao contrário do que muita gente acha, essas
duas profissões são bem difíceis.
Nem tudo é alegria. Tanto o jogador quanto
o músico têm que treinar constantemente
e ser bastante disciplinado. Mas ambas atividades
têm em comum a questão do prazer.
Geralmente, todos os jogadores e músicos
são apaixonados pelo que fazem, o que acaba
tornando suas profissões mais prazerosas.
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Quando você começou a cantar?
Não sei dizer exatamente quando comecei
a cantar. Mas por volta dos 10, 11 anos, comecei
a tocar violão e desde então o canto
tornou-se algo mais constante em minha vida. Desde
então, tive a certeza de que queria aquilo
para a minha vida, que aquela era a minha carreira.
Quais são suas maiores influências?
São muitas e bem variadas. Entre elas,
Beatles, Chico Buarque e Stevie Ray Vaughan. Três
delas que representam universos musicais completamente
distintos.
Como funciona o seu processo de criação?
Muitas vezes é a partir de uma idéia
que surge em qualquer horário do dia, numa
conversa, vendo um filme, lendo um livro ou ouvindo
uma frase. Qualquer detalhe dessas situações
pode desencadear toda uma música. Isso
acontece geralmente quando eu componho sozinho.
Mas gosto muito também de compor em parceria
e para isso, geralmente marco com o então
parceiro e começamos os dois a construir
a música aos poucos, até que ela
fique pronta.
Como conseguiu unir duas sonoridades aparentemente
tão distintas: o rock com a bossa nova?
Justamente pelo fato dessas duas sonoridades pertencerem
a universos absolutamente antagônicos, que
me empolguei ao acreditar que eu poderia uni-las
de forma harmônica. São dois movimentos
que surgiram quase na mesma época e que
têm uma importância enorme para a
música mundial. Acabei tomando o desafio
para mim e o resultado acabou ficando bem legal.
Minha música é bastante autoral,
nela está estampado muito do que eu sou,
do que penso. Creio que o meu público se
identifica com isso, caso contrário não
compraria discos, não iria aos shows. Agora
quanto a uma música completamente comercial,
desta eu tento fugir ao máximo, principalmente
porque estaria sendo falso comigo mesmo.

Apesar de irmãos, você e
o Supla fazem um som completamente diferentes
um do outro. Já rolou muita discussão
por conta disso?
As brigas geralmente acontecem quando
tentamos fazer algo juntos. Daí cada um
quer uma coisa e dificilmente entramos em acordo.
Você
é o caçula da família. Quando
menor, via seu irmão como um ídolo?
Ah, sim. Entre a gente há uma diferença
de 8 anos, então, quando eu era criança,
ele já tocava. Lembro que ele trazia vários
CDs pra casa, entre eles, os do The Police. Bastante
do que eu ouvia era por conta dele.
Qual contribuição
João Suplicy está deixando para
a música popular brasileira?
Eu não sei e acho que seria muito pretensioso
da minha parte tentar responder a esta pergunta,
até porque eu estou apenas começando.
Apesar de já ter quatro CDs lançados,
ainda tenho muito a fazer pela música brasileira.
Já que o papo aqui também
é futebol, para que time torce?
Torço para o Santos.
Conte alguma história curiosa sobre
a paixão pelo clube?
Há uma história da qual participei,
mas a loucura não era exatamente minha.
Tenho um amigo santista fanático que se
mudou para o exterior há algum tempo. Haveria
um determinado jogo do Santos que não seria
exibido em nenhum canal por lá. Combinamos,
e no dia e na hora da partida, me conectei com
ele pelo Skype e posicionei o computador na frente
de TV. Dessa maneira, ele pôde assistir
ao jogo.
Quem são seus ídolos?
(Pensativo) Pelé.

Qual é a sua relação
com a bola?
Tenho uma ótima relação com
ela. Tento jogar toda semana, mas por conta de
shows, divulgações e outros trabalhos,
nem sempre consigo. Mas estando em casa, jogo
sempre que dá.
Existe uma ligação entre
música e futebol?
No Brasil, essa conexão se dá principalmente
pelo samba. Acho que este é o som que mais
representa o futebol brasileiro. Tanto é
que a maioria dos jogadores gosta deste ritmo
e sempre que podem, estão batucando em
algum lugar.
João, seu pai e sua mãe
seguiram carreiras políticas. Nunca pensou
em ser político?
Sinceramente, nunca houve pressão alguma
para que eu seguisse a carreira deles.
Como filho de políticos, certamente
já deve ter se deparado com muitas críticas
relacionadas à atuação deles.
Como você lida com essa situação?
Convivo com isso desde pequeno e lido muito bem
com tais críticas. Eles optaram por estarem
expostos dessa forma e conseqüentemente,
estão mais suscetíveis a serem criticados,
é algo que faz parte do trabalho deles.
Qual é o seu envolvimento com a
política atualmente?
O meu envolvimento com a política consiste
apenas em acompanhar o que está rolando.
Em algumas de minhas músicas, como em Papelão,
chego a abordar o tema, mas nada muito além
disso.
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