2008 - EDIÇÃO 115

AS AVENTURAS DE PEDRO MARIANO
Por Cristiane Nascimento, especial para o Fatto Olé
É incrível como a música e o futebol moldam a imagem do nosso povo. Em qualquer país do mundo, Ronaldinho Gaúcho e Pelé são as personalidades mais lembradas quando se fala no Brasil. Depois vem o cantor Roberto Carlos. O ritmo musical, do samba ao hip-hop, define a ginga e o molejo da seleção pentacampeã mundial. Culturamente. Com muita competência no assunto, já que transita nas duas áreas de maior expressão popular, o cantor, Pedro Mariano (filho de Elis Regina) bateu um papo exclusivo com o Fatto Olé, contando desde fatos da sua infância até a sua experiência dolorosa com seus ídolos do esporte bretão. Confira!

Foto: Divulgação
Pedro não gosta quando usam sua mãe para julgá-lo
Quais conexões você enxerga entre música e futebol?
Todas. Música está intimamente ligada ao futebol, pelos mais diversos aspectos, tais como o ritmo, o molejo, o jogo de cintura, a questão de adiantar alguns lançamentos. As ligações são infinitas, ainda mais num país que tem o samba como música característica. Poucos são os músicos que não são jogadores de futebol natos. Já joguei diversas vezes com o Djavan, com o Jairzinho...

Qual é a sua intimidade com a bola?
Essa relação já foi muito boa, mas já faz quase 2 anos que não toco na bola por conta de uma contusão que tive. Na época em que me machuquei estava também começando a jogar tênis, daí acabei trocando de esporte.

Como foi jogar em pleno Morumbi com o Raí e ainda ser retirado do campo pelo Rogério Ceni depois de uma contusão?
Olha, os 45 segundos que joguei foram deliciosos. Me arrepiei ao pisar no gramado, foi de fato muito emocionante. Mas já na primeira vez que peguei na bola, torci meu joelho. Fui o único jogador a sair de ambulância do Morumbi: uma saída ridícula, mas com certeza, glamourosa também.

Não tem vondade te voltar a bater uma bola?

Estou querendo voltar já há algum tempo, mas sempre que estou prestes a isso, vejo um jogador se estourando por conta do joelho. Daí acabei desistindo. Já passei por uma cirurgia e isso foi suficiente.

Pedro, qual é a sua lembrança mais antiga?
Uma das coisas mais antigas de que eu lembro é uma casa em que moramos na Serra da Cantareira, quando eu tinha meus 4, 5 anos. Foi lá que ganhei minha primeira bicicleta e meus primeiros cachorros. A casa era no meio do mato, o que era muito divertido, pois tínhamos a liberdade para ficarmos andando sem a preocupação com carros nem nada... Lembro do cheiro da chuva, do mato, da estradinha de terra onde comíamos amora silvestre... Todas essas coisas me marcaram bastante.

Foto: Divulgação
um amor infinito por alguém que mal conhecemos"
Como é ser filho da Elis Regina, um dos maiores mitos da música brasileira?
Depende muito da ocasião. Não gosto muito da palavra ‘atrapalhar’, porque ser filho de um ícone nunca vai atrapalhar. Às vezes, até pode ajudar mais, outras menos, ou até mesmo ser indiferente. Eu gosto quando é indiferente, quando ninguém menciona isso para julgar o meu trabalho.

O que acha da insistência de sempre desejarem que monte algum projeto musical com sua irmã? Pra você, de onde nasce essa necessidade?
Acho que é uma curiosidade acima de tudo. Uma curiosidade de verem os dois irmãos juntos, cantando. Eu sempre brinco com as pessoas quando me questionam sobre isso, dizendo “Vocês ligam para a Rita Lee pedindo para ela gravar com a Bethânia?” A resposta é sempre negativa. É simplesmente pelo puro sensacionalismo, não levando em conta o valor criativo e artístico da coisa. O motivo pelo qual eu não chamei a Ana Carolina para gravar comigo até hoje é mesmo pelo qual eu não chamo a Maria Rita: não rolou afinidade, feeling e empatia artística e musical.

Quem são seus ídolos?
Tive uma grande sorte, pois vários dos ídolos que eu tinha acabaram virando meus parceiros. Agora, se tivesse que mencionar uma única pessoa entre as quais admiro, certamente escolheria Stevie Wonder. O cara é um Deus, tem uma importância gigante para a música, tanto a mundial quanto para a brasileira, já que ele era um profundo admirador do nosso samba e tinha elementos dele em sua música.

SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA