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Pintor de rodapé, jardineiro de bonsai,
goleiro de futebol de botão, segurança
de festa infantil... Muitos são os apelidos
para as pessoas de baixa estatura. Mas indo contra
todo esse preconceito, o Fatto Olé
apresenta o Gigante do Norte, o maior –
e único - time formado apenas por anões,
que dá um banho em vários timinhos
de marmanjões.
Muitos
foram os baixinhos que se destacaram no futebol
mundial. Nomes como Zico, Romário e Maradona
certamente estão inclusos na lista dos
maiores jogadores de todos os tempos, mostrando-nos
que habilidade não está diretamente
ligada ao tamanho. Aliás, muito pelo contrário.
Reforçando esta idéia, Carlos Lucena,
técnico do time paraense Tuna Luso, foi
um dos responsáveis pela a criação
do primeiro time do Brasil - quiçá
do mundo - composto somente por anões,
o Gigante do Norte.
Tudo
começou quando seu amigo, Alberto Jorge,
o Capacidade, anão animador do programa
Metendo Bronca, da TV RBA, pediu a ele para treinar
com os atletas da escolinha da Tuna. Vendo-o feliz
da vida por estar jogando com os meninos, Lucena
o chamou e sugeriu um time formado somente por
anões.
Com
sinal verde, Capacidade utilizou toda a sua popularidade
e capacidade de gente grande para divulgar o projeto
e chamar todos os interessados. Para surpresa
geral, choveu anão de tudo quanto é
lado para compor o elenco. “Anunciamos no
rádio, na TV e nos jornais da região,
pedindo para que os anões comparecessem
ao estádio da Tuna num dia determinado”,
diz o animador, que também integra o Gigante
do Norte como zagueiro.
Hoje,
há quase dois meses desde a sua formação,
o time comporta 16 anões, não só
da capital, mas também do interior do Pará.
Os treinamentos acontecem nas instalações
da Tuna, três vezes por semana. Segundo
Lucena, “os jogadores são baixinhos,
mas jogam muito bem”. Por uma questão
de equilíbrio, seus adversários
integram times sub-13 e sub-15 da escolinha do
clube.
Mais
do que a busca pelo ineditismo, o técnico
Lucena vê em sua ação um meio
de integração. “Até
então, anões apareciam somente fazendo
palhaçadas em circo. Eles são pessoas
normais, com pernas, braços e condições
de praticar o esporte como qualquer outro indivíduo.
Com o time, dou a eles uma oportunidade de vida.”
Para
se ter uma idéia da imensidão da
galera, o goleiro Júnior, o mais alto do
time, mede 1,30m. Na outra extremidade, fica Wagner
Love, que tem apenas 1 metro de altura. Apesar
da baixa estatura, Love é um dos mais habilidosos
do time e até poderia fazer malabarismos
em circo, caso não jogasse na equipe. Lucena
conta, todo empolgado, que o jogador consegue
subir em cima de uma bola em movimento e ficar
parado sobre ela.
O
grande time de pequenos comprova mais uma vez
que tamanho não é documento. Os
baixinhos estão chegando com tudo e mostrando
que o futebol está aí para todos
os gostos e tamanhos. Já pensou o Romário
disputando um jogo com os anões, sendo
o maior atleta em campo? Ou o Corinthians, em
um amistoso para se redimir da péssima
temporada? Mas imaginem só se o Timão
perde do Gigante do Norte...
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