2008 - EDIÇÃO 114

O MAIOR TIME ANÃO DO MUNDO
Por Cristiane Nascimento, especial para o Fatto Olé



Pintor de rodapé, jardineiro de bonsai, goleiro de futebol de botão, segurança de festa infantil... Muitos são os apelidos para as pessoas de baixa estatura. Mas indo contra todo esse preconceito, o Fatto Olé apresenta o Gigante do Norte, o maior – e único - time formado apenas por anões, que dá um banho em vários timinhos de marmanjões.

Muitos foram os baixinhos que se destacaram no futebol mundial. Nomes como Zico, Romário e Maradona certamente estão inclusos na lista dos maiores jogadores de todos os tempos, mostrando-nos que habilidade não está diretamente ligada ao tamanho. Aliás, muito pelo contrário. Reforçando esta idéia, Carlos Lucena, técnico do time paraense Tuna Luso, foi um dos responsáveis pela a criação do primeiro time do Brasil - quiçá do mundo - composto somente por anões, o Gigante do Norte.

Tudo começou quando seu amigo, Alberto Jorge, o Capacidade, anão animador do programa Metendo Bronca, da TV RBA, pediu a ele para treinar com os atletas da escolinha da Tuna. Vendo-o feliz da vida por estar jogando com os meninos, Lucena o chamou e sugeriu um time formado somente por anões.

Com sinal verde, Capacidade utilizou toda a sua popularidade e capacidade de gente grande para divulgar o projeto e chamar todos os interessados. Para surpresa geral, choveu anão de tudo quanto é lado para compor o elenco. “Anunciamos no rádio, na TV e nos jornais da região, pedindo para que os anões comparecessem ao estádio da Tuna num dia determinado”, diz o animador, que também integra o Gigante do Norte como zagueiro.

Hoje, há quase dois meses desde a sua formação, o time comporta 16 anões, não só da capital, mas também do interior do Pará. Os treinamentos acontecem nas instalações da Tuna, três vezes por semana. Segundo Lucena, “os jogadores são baixinhos, mas jogam muito bem”. Por uma questão de equilíbrio, seus adversários integram times sub-13 e sub-15 da escolinha do clube.

Mais do que a busca pelo ineditismo, o técnico Lucena vê em sua ação um meio de integração. “Até então, anões apareciam somente fazendo palhaçadas em circo. Eles são pessoas normais, com pernas, braços e condições de praticar o esporte como qualquer outro indivíduo. Com o time, dou a eles uma oportunidade de vida.”

Para se ter uma idéia da imensidão da galera, o goleiro Júnior, o mais alto do time, mede 1,30m. Na outra extremidade, fica Wagner Love, que tem apenas 1 metro de altura. Apesar da baixa estatura, Love é um dos mais habilidosos do time e até poderia fazer malabarismos em circo, caso não jogasse na equipe. Lucena conta, todo empolgado, que o jogador consegue subir em cima de uma bola em movimento e ficar parado sobre ela.

O grande time de pequenos comprova mais uma vez que tamanho não é documento. Os baixinhos estão chegando com tudo e mostrando que o futebol está aí para todos os gostos e tamanhos. Já pensou o Romário disputando um jogo com os anões, sendo o maior atleta em campo? Ou o Corinthians, em um amistoso para se redimir da péssima temporada? Mas imaginem só se o Timão perde do Gigante do Norte...