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Pelos
cálculos do Fatto Olé,
está cientificamente comprovado: Xico Sá
é capaz de traduzir os segredos da alma
feminina com a mesma habilidade que comenta o
futebol. Jornalista, colunista, escritor e blogueiro.
Um cara multimídia. Ah, também tem
várias parcerias com o Mundo Livre S/A
– banda do mangue beat pernambucano. Para
inverter totalmente o jogo, o Fatto Olé
escala o santista fanático em outra função:
aqui ele não entra em campo para perguntar
respostas, mas sim para responder perguntas. Então,
vamos em frente: boa leitura!
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| Xico
acha que é um homem mal-diagramado |
FATTO OLÉ - Tem uma dúvida que invadiu
a alma do povo da redação: qual
o 'X' da questão no seu nome, Xico?
XICO SÁ - Nos anos 80, trabalhava
no Jornal do Commercio e cobria futebol na época.
Uma vez, um cara lá assinou meu nome assim.
Primeiro tive um susto, mas depois acabei achando
legal e meus amigos começaram a falar para
eu deixar o tal do “X” e pronto, ele
ficou.
Se você fosse entrevistar a si mesmo, qual
pergunta não poderia deixar de fazer?
Tratando-se de futebol, minha pergunta seria a
seguinte: ‘Você não acha uma
grande besteira os homens chegarem a perder tempo
e até mesmo algumas mulheres por conta
do futebol?’ Daí eu responderia que
não. Tenho várias amigas e tive
namoradas que não entendiam esse nosso
envolvimento com o futebol, mas acho que isso
é uma necessidade ancestral. Desde a Idade
Média os homens sempre estiveram envolvidos
com algum tipo de espetáculo parecido.
Pena que antigamente as pessoas eram jogadas aos
leões, nas arenas. Hoje isso já
não é mais preciso – o que
acaba sendo muito melhor. (risos)
Fala sério, Xico: você é capaz
de trocar uma mulher por uma partida de futebol?
Confesso que do meio do campeonato pra frente,
prefiro o futebol; depois me acerto com a mulher.
Sempre gostei que minhas namoradas tivessem vários
amigos, justamente para irem ao cinema nessas
ocasiões. Agora, por exemplo, todos os
jogos são fundamentais. Tenho que arranjar
alguma fuga para ela (namorada), desde que não
seja para os braços de outro. E eu ficarei
vendo o meu futebol tranqüilo.
Tem algum ritual para assistir às partidas?
Tenho vários. Sempre vou assistir aos jogos
do Santos em estádios, tanto aqui em São
Paulo, como também quando ocorrem lá
na Vila Belmiro. Tenho inclusive um grupo de amigos
que sempre se reúne e desce para a Baixada
Santista. Quando vou ao estádio, sempre
uso uma camisa muito velha do time, que passei
a adotar depois de achar que ela dava sorte.
E aquela roupinha rubro-negra de torcedor?
(risos) Em casa, é a coisa mais louca do
mundo. Uso moletom preto, uma camisa vermelha
e uma meia cinza, todos bem velhos, roupas de
dormir mesmo. Acabo vestido de rubro-negro, o
que não tem nada a ver com as cores do
Santos. Uma loucura que não tem tamanho.
Tudo isso porque uma vez me peguei com essa roupa
em algumas vitórias do Santos... Já
cheguei a não ir assistir aos jogos nas
casas de amigos porque eu não queria ir
com essa roupa. Ficava então em casa, vendo
sozinho.
Futebol é coisa pra macho?
Não, futebol é pra todo mundo. Hoje
a mulherada está muito presente no futebol.
Nos estádios há uma presença
muito significante delas. Estão sempre
acompanhando e comentando. Mas ainda acho que
há muita resistência. Muito triste
foi esse episódio com a bandeirinha Ana
Paula, de não mantê-la na primeira
divisão. Acho que ela era um grande incentivo
para formar e levar mais mulheres para o futebol.
Na sua opinião, qual será o futuro
do futebol feminino no Brasil?
Acho que vai crescer... Agora já teremos
uma Copa do Brasil, um campeonato pequeno ainda,
mas que já é representativo. Se
começassem a colocar os jogos femininos
nas preliminares dos principais jogos masculinos
das séries A e B, por exemplo, certamente
a visibilidade seria maior. Veja bem, as jogadoras
possuem um domínio técnico impressionante,
que há 10 anos eram inimagináveis.
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| Xico
antecipa os desejos femininos |
Futebol é alienação do povo
ou expressão popular?
Não acho que futebol seja alienação.
Discordo totalmente dessa visão que rolou
nos anos 70. Naquele contexto, a ditadura utilizava
muito a imagem do futebol e acabava distorcendo-o.
Mas a força com que o povo assimila o futebol
é pura celebração e alegria.
Não acho que há ligações
com essa coisa mais orquestrada e ideológica.
Se fosse assim, na Itália o mesmo prevaleceria.
No entanto, durante alguns campeonatos emblemáticos
de lá, o partido comunista cresceu e os
anarquistas tomaram conta de alguns poderes. Portanto,
não concordo com essa relação
de alienação não, acho falsa.
Você acha que o Brasil está bem de
comando: Lula na presidência e Dunga na
Seleção?
Sinceramente, acho que o Dunga é pior do
que o Lula. Ele padece um pouco de falta de domínio
e de conhecimento estratégico do futebol,
não tem a experiência de um Luxemburgo
e de um Muricy. Ele é muito cru. E eu não
acredito muito nessa mística da raça.
‘Ah, vamos que a raça ganha’.
Não acho, não... Ela é obrigatória,
todos têm que jogar com gana sim, mas têm
que ter bastante domínio técnico
e estratégico, até mesmo para que
o time possa sair de algumas sinucas que por ventura
apareçam.
Falando nisso, é mais importante o cargo
de presidente ou o de treinador da seleção
no nosso País?
O cargo de presidente é infinitamente mais
importante, mas em alguns momentos, numa Copa
do Mundo, por exemplo, um treinador de futebol
acaba sendo mais questionado do que o próprio
presidente. Dessa maneira, uma besteira do Dunga
é tida para as massas como algo mais importante
do que uma pisada na bola do Lula. Nesses momentos
específicos, o espaço ocupado por
um técnico suplanta o de presidente da
república, já que a pátria
toda se volta para uma competição.
SEGUNDA
PARTE DA ENTREVISTA |
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