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Com
quantas tonalidades se faz um time? A velha máxima
deturpada, diga-me que cores usas que te direi
quem és vale também para o mundo
da bola. O estudioso das cores Paulo Félix
defende a idéia de que uma equipe de futebol
tem de escolher bem as cores de seu uniforme,
caso contrário as vitórias podem
não aparecer. “Utilizar a cor como
estratégia é uma tendência
mundial”, diz o químico, psicólogo,
vice-presidente do Procor do Brasil e que faz
doutorado em biodinâmica do movimento humano.
“Sou
vice-presidente deste instituto que tem por objetivo
divulgar esse negócio da cor, que envolve
aspectos multidisciplinares, como física,
química, psicologia, simbolismo, marketing,
fisiologia, entre outros fatores”, conta.
Em um pequeno esforço de memória,
chega-se a lembrar dos novos uniformes do Palmeiras,
Chelsea e do Barcelona, todos com cores vibrantes.
“Esses luminosos são pigmentos recentes,
mas desbota com o tempo e aí tem o efeito
contrário, perde a vivacidade. É
preciso pensar na forma, pois é um fenômeno
bastante complexo”, explica.
O
Palmeiras, por exemplo, sempre que jogou com seu
novo uniforme verde-limão foi muito bem.
Foram cinco jogos, quatro vitórias, oito
gols marcados e apenas um sofrido. O time cresce
em campo com o novo uniforme. Se multiplica. “É
um elemento de marketing extremamente importante.
Quem estuda a cor, vai se preocupar com o contraste.
O verde é ruim em um campo que já
é verde, em termos de percepção.
Mas no aspecto psicológico, o verde acalma.
Em uma pesquisa que fizeram com golfistas, a maioria
preferiu o verde, que é bom para a atenção
e concentração. O verde pode esconder,
mas pode funcionar como elemento surpresa, como
uma arma”, lembra.
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| Drogba,
Terry e Ballack iluminados pelo novo uniforme
do Chelsea. |
Se
o verde não é das cores mais indicadas
para a camisa de um time, o vermelho parece cair
sob medida. Tanto que o técnico Hugo Sanchez,
do México, já avisou que sua seleção
deixará de usar o tradicional uniforme
verde para adotar o vermelho. “Os clubes
não têm uma pesquisa para dizer como
chegaram àquelas cores. Mas o vermelho,
para atrair torcida e mídia, é extremamente
importante. Está ligado à nobreza
e, mais do que tudo, está ligado à
vitalidade. Representa vida, energia e isso é
importante no futebol”. E continua: “A
cor é uma linguagem emocional. Cientificamente,
o vermelho é capaz de aumentar os batimentos
cardíacos. Mas é preciso acertar
na tonalidade”.
Um
outro quesito importante é na escolha da
camisa do goleiro. Antigamente, muitos acreditavam
que todo goleiro deveria usar o preto, para que
o atacante não percebesse a localização
exata do arqueiro. Mas tem um lado negativo também.
“Vale a pena fazer um estudo da personalidade
do goleiro. O preto esconde, tem um lado negativo
que pode revelar insegurança. Do ponto
de vista da física, ele diminui. Já
a cor viva vai atrair a atenção
do atacante”, adverte Paulo Félix.
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SAIBA
MAIS |
A
Adidas, empresa que fabrica a camisa do Palmeiras,
explica que tanto a tonalidade da camisa do
Verdão quanto a do Chelsea tiveram
a intenção de inovar. A multinacional
tem um estudo de cores e busca referências
na história dos clubes, dos grande
momentos, de jogadores e times que marcaram
época. As escolhas nunca são
feitas ao acaso.
No
caso palmeirense, a idéia foi usar
um tom que possuísse um apelo mais
moderno e que fosse diferente, mas sem fugir
do verde, a cor histórica do clube.
Já a camisa do Chelsea, chamada de
Eletricity, tenta resgatar o passado da equipe,
mas com uma tonalidade diferente do amarelo
das décadas de 1970/80. Quem também
usa cores vivas e vibrantes em seu uniforme
é o goleiro Iker Casillas, do Real
Madrid. |
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