|
No
surfe, o importante são as atitudes e,
mais do que as atitudes, o equilíbrio entre
o homem e a natureza. Aquela manobra perfeita:
o corpo, a alma e o mar. Num desses points preciosos
da vida, o Fatto Olé fez
uma 'barca' com o catarinense Teco Padaratz, o
surfista mais emblemático do Brasil. O
cara está na crista da onda faz um tempão.
Aqui na nossa praia, ele fala sobre os bastidores
do esporte, futebol, vida e conta que está
montando uma banda de surf music. Opa,
viver sobre as ondas virou um baita negócio.
Então, vai um Teco aí?
 |
| Teco
é um dos maiores surfistas brasileiros |
FATTO OLÉ: Afinal de contas, o Brasil é
o país do futebol, do vôlei ou do
surfe?
TECO: O Brasil é o país
do futebol. Existe este slogan, mas acho que o
Brasil é o país do esporte.
Como você começou a surfar, Teco?
Comecei a surfar quando eu tinha 10 anos de idade,
com alguns amigos em Balneário Camboriú.
Brincava com uma prancha de isopor e uma hora
experimentei ficar em pé nela e a partir
dali, nunca mais quis fazer outra coisa.
Você é um dos nomes mais emblemáticos
do surfe. Qual é o segredo para se manter
tanto tempo na crista da onda?
Olha, eu abandonei a competição
de forma bem precoce, com apenas 33 anos. Sempre
mantive um envolvimento com a mídia do
SportTV, assino algumas colunas de revistas e
tenho uma empresa de surfe. Acho que esse envolvimento
com a mídia me manteve na ativa, sempre
em nome do surfe. Agora, organizo a etapa brasileira
do Campeonato Mundial de Surfe, juntamente com
dois sócios, no sul do Brasil.
Viver sobre as ondas virou um bom negócio:
seu escritório é na praia?
Sim, considero que meu escritório seja
na praia mesmo. Consegui desenvolver toda uma
seqüência na minha carreira para que
fosse assim. Mas nem todo mundo consegue ter essa
oportunidade. Tive a sorte de conhecer pessoas
e parceiros ao longo da vida que me ajudaram muito.
Mas é um negócio muito incerto também.
Assim como outros esportes que crescem no Brasil,
a competitividade aumenta a cada dia. Não
é um mar de rosas, não. São
poucos os surfistas que conseguem estabelecer
uma carreira legal, ter um patrimônio e
certa segurança de futuro. Tem muita gente
ralando e ganhando bem pouco com isso.
 |
| Além
de surfe, Teco também pratica Ioga |
O Brasil é um país tropical, com
várias feras do surfe, mas os jornais publicam
apenas notas pequenas... Rola algum preconceito?
Acho que é uma questão de tradição.
E queira ou não, existe um grande tabu
que divide o que o surfe deixa de ter e o que
ele já tem. O surfe, por um lado, tem uma
indústria gigantesca, que é independente
e única. Os meios de comunicação
não são atrelados a ele, nem nada.
Ele precisa então entrar na grande mídia.
Há escala para isso e deveria haver mais
patrocinadores. O que acontece é que eles
ainda não enxergaram a forma ideal de utilizar
a imagem do surfe como algo a acrescentar, entendeu?
Acho que aí é que rola o grande
preconceito, em como usar o surfe na mídia.
Até a própria televisão não
sabe muito bem como transmitir, está aprendendo
ainda.
E como você acha que o surfe deveria ser
apresentado ao público?
Deveria haver investimento de grandes empresas
nas imagens dos ídolos do surfe brasileiro.
Através da criação de ídolos
em maior escala, começa a existir perspectiva
de negócio. Investimentos do governo federal,
que ainda são muito precários dentro
desse esporte, poderiam ser maiores. O que falta
é todo esse credenciamento. O surfe é
um esporte maneiro, acessível a todas as
pessoas, é livre e popular. Você
não precisa pagar um clube para surfar,
basta pegar sua prancha e ir pra praia. Hoje,
há cerca 3 milhões de praticantes
do esporte no Brasil.
Rola a cultura do futebol de praia entre os surfistas
profissionais?
Rola muito pouco porque pode haver contusões.
Uma contusão no tornozelo é algo
que tira o cara da competição. Então
rola mais na brincadeirinha, de vez em quando.
Qual é o seu time?
Sempre gostei do Vasco, mas torço pelo
Figueirense, que é o time da minha terra,
Florianópolis.
 |
| "O
mar é a origem de todos os seres
humanos" |
E a sua intimidade com a bola?
Jogava futebol na época de colégio.
Depois que parei de competir, comecei a jogar
bastante com amigos. E há muito tempo,
meu pai foi jogador também. Tive várias
experiências com o futebol, mas nunca nada
muito sério. Mas sou completamente apaixonado
por futebol, sou doente por ele, acompanho a todos
os jogos pela televisão.
Quem é o Teco Padaratz do futebol brasileiro?
Puxa vida, que pergunta! (risos) Como eu vou responder
essa pergunta sem ser pretensioso? Sei lá...
Eu não teria como me comparar, mesmo porque
são poucos os surfistas que conseguiram
estabelecer uma imagem dentro do surfe, já
que o esporte é bem jovem. Enquanto no
futebol, há milhares... Nomeando algum,
estaria deixando vários de fora. Mas se
tivesse que fazer essa brincadeira, diria que
estou mais para o lado de um cara como o Dunga,
por ter me envolvido na política –
sou representante dos surfistas na mesa da Associação
Mundial de Surfe há muitos anos –,
organizo eventos, empresario alguns atletas, enfim,
por todo esse lado político e estrutural
do esporte com o qual me envolvi. Eu seria algo
como o Leonardo do Milan ou o Dunga mesmo.
E o Ronaldinho do surfe?
O
Ronaldinho do surfe pra mim é o Fábio
Gouveia.
SEGUNDA
PARTE DA ENTREVISTA |
 |
|
|