2007 - EDIÇÃO 101

HUMOR DA PESADA
Por Cristiane Nascimento, especial para o Fatto Olé

Serjão Loroza não tem o mínimo cacoete político – graças ao bom e querido Deus! Mas se na recente história o Brasil virou o País mais engraçado do mundo, o companheiro Figueirinha é o nosso presidente. Uma piada maliciosa do Fatto Olé contra os canalhas do senado e todos aqueles demais calhordas de colarinho branco. Afinal, sorrir é muito melhor do que chorar. Gente, o cara é muito engraçado, está sempre de bem com a vida, super-inteligente e também criativo. Se eleito, povo brasileiro, esse gordinho simpático promete acabar com o mau-humor coletivo, o populismo tosco e a ditadura da beleza. Ele vai gerar mais sexo, futebol e humor. Por isso, não se esqueça: o nome dele é Sérgio Loroza!

Foto: Divulgação
Loroza não se leva a sério

FATTO OLÉ - Desde que há cultura, há a contracultura. Enquanto a televisão prega a ditadura da beleza, você andou pela contramão e usou a sua estética para criar um novo estereótipo. Você se acha símbolo do underground da mídia brasileira?
SÉRGIO LOROZA - Em primeiro lugar, tenho o exercício de não me levar muito a sério. Acho que é isso que me faz continuar seguindo em frente. E outra, eu não sou contra a beleza não. Eu sou a favor da minha beleza, do meu tipo de beleza. E quero que as pessoas percebam isso também. Quando isso acontecer, verão que sou muito mais interessante do que o Gianecchini e vão ficar apaixonadonas por mim.

(Risos)... Então, você acha que ser gordo pesou no seu jeito de ser?
Se gordo fosse engraçado, toda vez que víssemos um comprando meio quilo de bacon no supermercado, riríamos da cara dele. Mas o humor ajuda a gente, a poder escapar de algumas situações. Percebo isso nos aviões... É constrangedor pra caramba aquela poltroninha pequenininha para um cara enorme como eu. Mas com humor eu tento levar isso numa boa. Seria horrível se em toda viagem eu fosse humilhado por aquele banquinho esdrúxulo.

Serjão, como você convive com a fama?
Costumo dizer que a fama é uma companheira nova pra mim. Desde que comecei a trabalhar com arte, sempre caminhei juntamente com o sucesso. Sempre fui bem sucedido, sempre fiz minhas coisas muito bem feitas. O sucesso sempre esteve muito próximo, mas a fama também é legal, bem divertida. Acho que estou conseguindo aproveitar bem os meus 15 minutos de fama, como diria Andy Warhol, para falar coisas importantes. Acho importante utilizar o curto tempo de holofote para ajudar o mundo a continuar caminhando.

Explica esse papo de MBP (Música Brasileira de Pista).

A MBP é a música pop internacional com um sotaque implicitamente brasileiro, carioca e suburbano, que é o meu caso. É uma música que é a minha cara, pois toda música que faço é Serjão Music, Loroza Music... Nela há um pouco de soul, de funk dos anos 70, do próprio funk carioca, do samba, MPB, rock and roll. Mas enfim, é algo feito para as pessoas curtirem. Nos shows sempre tem neguinho dançando até...

Quais são suas principais influências musicais?
Minhas maiores influências musicais são os meus próprios amigos, que convivem e tocam comigo. Rodrigo Maranhão, Gabriel Moura, Martinália, Dudu Nobre, enfim são os caras que mais me influenciam. Mas como grandes ídolos, tenho várias pessoas que já fizeram história. Nessa onda mais black music, tem o Toni Tornado, Djavan, João Bosco... pessoas que contribuíram para o músico que sou hoje.

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Além de cantor e ator, também é músico

Qual foi, afinal, o grande lance que você teve a chance de realizar na vida, mas não o fez, por algum motivo?
Houve várias, mas tem algumas coisas que acontecem em nossas vidas, para as quais a gente não está preparado. Não acredito que a oportunidade só aparece uma vez, é mentira. Acho que é legal aproveitarmos as oportunidades, mas eu mesmo já deixei várias delas passarem e não acho que isso foi um erro. A gente recupera. Há situações que são adiadas e quando acontecem, percebemos que só poderia estar acontecendo naquele momento. Já tive várias oportunidades para gravar meu CD e só estou gravando-o agora. Por quê? Não sei... Só sei que estou mais bem preparado, mais maduro.

Joga ou já jogou bola?
Eu sempre gostei, mas atualmente eu estou mais pra bola do que pra jogador.

Para que time torce?

Torço para o Vasco, o Vasco da Gama.

E qual foi a maior loucura que você já fez pelo seu time?
A minha relação com o futebol é uma relação muito doentia, de loucura, meio insana. Eu mesmo não entendo o quanto eu fico infeliz quando meu time perde. Em contrapartida, não fico tão feliz quando ele vence. O parâmetro é diferente. É algo em que há muito mais ônus do que bônus. Às vezes chego a me sentir mal, pois com tanta complicação que há no mundo, na minha vida pessoal mesmo e ainda assim comemoro um gol de determinada partida. Há tanta coisa mais importante na minha vida, tanta coisa para eu fazer acontecer. Quando meu time perde, eu fico triste, puto a semana inteira. Mas enfim, eu acho que o futebol nos possibilita sermos um pouquinho pequenos de vez em quando. Não precisamos ser ativistas e geniais em todos os momentos.

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Loroza lançou a MBP

O futebol, tão importante na vida do brasileiro, é quase ausente no teatro e no cinema. Por que as artes cênicas não tratam mais do futebol, já que o brasileiro gosta tanto de futebol e de improvisação?
Nunca tinha pensado nessa questão e acho que é algo bastante relevante. Pelo futebol ser algo popular, também acho que ele deveria ser mais retratado. O cinema e o teatro têm a obrigação de passear pelos diversos caminhos da vida e, tratando-se de algo tão presente na cultura brasileira, como é o futebol, maior deveria ser a sua presença. Mas ainda assim há várias obras que passam por esse caminho. O teatro deveria utilizar-se disso até mesmo para se popularizar, já que tem um público tão reduzido. Se a abordagem fosse maior em temas que agradassem o grande público, provavelmente mais pessoas iriam até o teatro.

Qual foi, afinal, o grande gol de placa de sua carreira?
Acho que o melhor, o maior gol ainda está por vir. Mas nesse momento, estou muito feliz com o lançamento do meu CD, que tem sido bem recebido tanto pelo público quanto pelos críticos. O legal disso é que conseguiram compreender a qualidade que nós, eu e o Jorge Pontual (produtor do CD), buscamos, o que tentamos propor. Nesse sentido, acho que se esse não foi o maior gol de placa, foi ao menos um dos maiores. Ainda estou vibrando com ele, num momento pós-gol, no qual tiro a camisa, grito pra galera e subo no alambrado.