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Serjão
Loroza não tem o mínimo cacoete
político – graças ao bom e
querido Deus! Mas se na recente história
o Brasil virou o País mais engraçado
do mundo, o companheiro Figueirinha é o
nosso presidente. Uma piada maliciosa do Fatto
Olé contra os canalhas do senado
e todos aqueles demais calhordas de colarinho
branco. Afinal, sorrir é muito melhor do
que chorar. Gente, o cara é muito engraçado,
está sempre de bem com a vida, super-inteligente
e também criativo. Se eleito, povo brasileiro,
esse gordinho simpático promete acabar
com o mau-humor coletivo, o populismo tosco e
a ditadura da beleza. Ele vai gerar mais sexo,
futebol e humor. Por isso, não se esqueça:
o nome dele é Sérgio Loroza!
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| Loroza
não se leva a sério |
FATTO OLÉ - Desde que há cultura,
há a contracultura. Enquanto a televisão
prega a ditadura da beleza, você andou pela
contramão e usou a sua estética
para criar um novo estereótipo. Você
se acha símbolo do underground da mídia
brasileira?
SÉRGIO
LOROZA - Em primeiro lugar, tenho o exercício
de não me levar muito a sério. Acho
que é isso que me faz continuar seguindo
em frente. E outra, eu não sou contra a
beleza não. Eu sou a favor da minha beleza,
do meu tipo de beleza. E quero que as pessoas
percebam isso também. Quando isso acontecer,
verão que sou muito mais interessante do
que o Gianecchini e vão ficar apaixonadonas
por mim.
(Risos)... Então, você acha que ser
gordo pesou no seu jeito de ser?
Se
gordo fosse engraçado, toda vez que víssemos
um comprando meio quilo de bacon no supermercado,
riríamos da cara dele. Mas o humor ajuda
a gente, a poder escapar de algumas situações.
Percebo isso nos aviões... É constrangedor
pra caramba aquela poltroninha pequenininha para
um cara enorme como eu. Mas com humor eu tento
levar isso numa boa. Seria horrível se
em toda viagem eu fosse humilhado por aquele banquinho
esdrúxulo.
Serjão, como você convive com a fama?
Costumo dizer que a fama é uma
companheira nova pra mim. Desde que comecei a
trabalhar com arte, sempre caminhei juntamente
com o sucesso. Sempre fui bem sucedido, sempre
fiz minhas coisas muito bem feitas. O sucesso
sempre esteve muito próximo, mas a fama
também é legal, bem divertida. Acho
que estou conseguindo aproveitar bem os meus 15
minutos de fama, como diria Andy Warhol, para
falar coisas importantes. Acho importante utilizar
o curto tempo de holofote para ajudar o mundo
a continuar caminhando.
Explica esse papo de MBP (Música Brasileira
de Pista).
A
MBP é a música pop internacional
com um sotaque implicitamente brasileiro, carioca
e suburbano, que é o meu caso. É
uma música que é a minha cara, pois
toda música que faço é Serjão
Music, Loroza Music... Nela há um pouco
de soul, de funk dos anos 70, do próprio
funk carioca, do samba, MPB, rock and roll. Mas
enfim, é algo feito para as pessoas curtirem.
Nos shows sempre tem neguinho dançando
até...
Quais são suas principais influências
musicais?
Minhas maiores influências musicais são
os meus próprios amigos, que convivem e
tocam comigo. Rodrigo Maranhão, Gabriel
Moura, Martinália, Dudu Nobre, enfim são
os caras que mais me influenciam. Mas como grandes
ídolos, tenho várias pessoas que
já fizeram história. Nessa onda
mais black music, tem o Toni Tornado, Djavan,
João Bosco... pessoas que contribuíram
para o músico que sou hoje.
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| Além
de cantor e ator, também é
músico |
Qual foi, afinal, o grande lance que você
teve a chance de realizar na vida, mas não
o fez, por algum motivo?
Houve várias, mas tem algumas coisas que
acontecem em nossas vidas, para as quais a gente
não está preparado. Não acredito
que a oportunidade só aparece uma vez,
é mentira. Acho que é legal aproveitarmos
as oportunidades, mas eu mesmo já deixei
várias delas passarem e não acho
que isso foi um erro. A gente recupera. Há
situações que são adiadas
e quando acontecem, percebemos que só poderia
estar acontecendo naquele momento. Já tive
várias oportunidades para gravar meu CD
e só estou gravando-o agora. Por quê?
Não sei... Só sei que estou mais
bem preparado, mais maduro.
Joga ou já jogou bola?
Eu sempre gostei, mas atualmente eu estou mais
pra bola do que pra jogador.
Para que time torce?
Torço
para o Vasco, o Vasco da Gama.
E qual foi a maior loucura que você já
fez pelo seu time?
A minha relação com o futebol é
uma relação muito doentia, de loucura,
meio insana. Eu mesmo não entendo o quanto
eu fico infeliz quando meu time perde. Em contrapartida,
não fico tão feliz quando ele vence.
O parâmetro é diferente. É
algo em que há muito mais ônus do
que bônus. Às vezes chego a me sentir
mal, pois com tanta complicação
que há no mundo, na minha vida pessoal
mesmo e ainda assim comemoro um gol de determinada
partida. Há tanta coisa mais importante
na minha vida, tanta coisa para eu fazer acontecer.
Quando meu time perde, eu fico triste, puto a
semana inteira. Mas enfim, eu acho que o futebol
nos possibilita sermos um pouquinho pequenos de
vez em quando. Não precisamos ser ativistas
e geniais em todos os momentos.
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| Loroza
lançou a MBP |
O futebol, tão importante na vida do brasileiro,
é quase ausente no teatro e no cinema.
Por que as artes cênicas não tratam
mais do futebol, já que o brasileiro gosta
tanto de futebol e de improvisação?
Nunca tinha pensado nessa questão e acho
que é algo bastante relevante. Pelo futebol
ser algo popular, também acho que ele deveria
ser mais retratado. O cinema e o teatro têm
a obrigação de passear pelos diversos
caminhos da vida e, tratando-se de algo tão
presente na cultura brasileira, como é
o futebol, maior deveria ser a sua presença.
Mas ainda assim há várias obras
que passam por esse caminho. O teatro deveria
utilizar-se disso até mesmo para se popularizar,
já que tem um público tão
reduzido. Se a abordagem fosse maior em temas
que agradassem o grande público, provavelmente
mais pessoas iriam até o teatro.
Qual foi, afinal, o grande gol de placa de sua
carreira?
Acho
que o melhor, o maior gol ainda está por
vir. Mas nesse momento, estou muito feliz com
o lançamento do meu CD, que tem sido bem
recebido tanto pelo público quanto pelos
críticos. O legal disso é que conseguiram
compreender a qualidade que nós, eu e o
Jorge Pontual (produtor do CD), buscamos, o que
tentamos propor. Nesse sentido, acho que se esse
não foi o maior gol de placa, foi ao menos
um dos maiores. Ainda estou vibrando com ele,
num momento pós-gol, no qual tiro a camisa,
grito pra galera e subo no alambrado.
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