2007 - EDIÇÃO 97

GRÁTIS! MALOQUEIRO CONCEITO
Por Jorge Nicola
Foto: Divulgação
Brasileiro foi eleito o melhor reserva da NBA

Vamos direto ao assunto: sabe qual é o segredo do brasileiro mais famoso da NBA? Leandro Barbosa, “corintiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus”, conta nesta entrevista exclusiva ao Fatto Olé que fígado cru com feijão é uma das armas secretas do seu sucesso. “É uma poção mágica preparada pela minha mãe”, confirma o astro do Phoenix Suns e da Seleção Brasileira, esbanjando humildade. A bola de basquete que ganhou do irmão aos cinco anos de idade traçou o futuro de Leandrinho, que sonhava em ser jogador de futebol. Mas valeu ter trocado os pés pelas mãos. Alguns anos depois, o menino que brincava pelas ruas de terra da periferia de São Paulo virou estrela na liga profissional dos EUA. E para ficar com ‘Maloqueiro-conceito’ até 2013, o Suns tratou de desembolsar R$ 32 milhões.

FATTO OLÉ: Como é essa história de que você esqueceu o Corinthians depois que foi para a NBA?
LEANDRINHO: (Risos) Isso deve ser intriga da oposição. Mesmo à distância, continuo sendo um corintiano fanático. Se não fosse, não teria gastado a maior nota para comprar um satélite que mostra todos os jogos do Brasileirão. Estou acompanhando tudo o que o Corinthians faz, ou pela TV ou pela internet.

Você torce sozinho?
Que nada. Estou fazendo todo mundo do Suns torcer para o Corinthians também. Hoje em dia nem preciso mais convidar o Steve Nash para ir lá em casa. Ele mesmo pergunta quando vai ser o próximo jogo e aparece do nada para ver comigo.

Foto: Divulgação
Ala assiste aos jogos do Timão com antena via satélite

Então quer dizer que um dos melhores jogadores de basquete do mundo é corintiano?
Sim. O Nash é canadense e sempre foi viciado em futebol. Até por isso acabamos nos aproximando, quando eu cheguei no Suns. Depois que eu levei uma camisa do Corinthians para ele, então, ninguém é capaz de fazê-lo virar a casaca.

Vocês jogam futebol em Phoenix?
Ah, não dá para ser muito freqüente, apesar de eu adorar jogar. A dificuldade é que a galera do time não tem a menor noção com a bola nos pés, então acaba sendo complicado.

Mas o boxe serve de preparação para vocês, né?
É verdade. Só que muita gente estranha quando escuta isso, porque acha que treinamos para sair socando os outros. O grande lance é que o boxe trabalha muito o jogo de pernas, cintura, movimentação de braços. E tudo isso é extramente importante, por exemplo, dentro do garrafão.

O que você diria para os boleiros brasileiros que reclamam por ter dois jogos por semana?
(Risos) Não sou de passar recado, mas o que posso dizer é que principalmente na primeira fase da NBA, a gente costuma jogar dia sim, dia não. E olha que rolam altas viagens. A grande vantagem, em comparação ao futebol brasileiro, é que não existe concentração. Ah, tem outra coisa: os times são organizados e ricos, então todos têm avião próprio. Aí, não precisamos esperar no aeroporto. Acaba o jogo, a gente vai para a pista, embarca e rapidinho está em casa.

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Leandrinho em ação contra o Los Angeles Lakers

O que passou pela sua cabeça ao receber o prêmio de melhor reserva da NBA na última temporada, fato inédito para um brasileiro?
Putz, eu voltei no tempo e relembrei das dificuldades que vivi no começo de carreira, da minha saída do Bauru Tilibra para a aventura nos Estados Unidos, do draft, em que eu fui apenas o 28º escolhido... Passa um monte de coisas na cabeça e ter o reconhecimento de que você deu certo é algo sensacional.

Por que você virou o Ligeirinho?
(Risos) O pessoal do Suns me considera muito rápido com a bola em quadra, e aí surgiu o apelido do Speedy González, em referência ao personagem do desenho animado do Ligeirinho.

Já que estamos falando de Estados Unidos, qual é a imagem que têm do Brasil?
Então, a imagem nem é das melhores, até porque os americanos vivem muito no mundo deles, e não conhecem bem o resto. Mas eu e os outros jogadores brasileiros ajudamos a melhorar um pouco a visão deles para com o Brasil. O Anderson Varejão é superquerido pelos torcedores do Cleveland Cavaliers, por exemplo.

Qual é o seu programa predileto por lá?
(Pensativo) Você não vai acreditar, mas, além de assistir aos jogos do Corinthians, o que eu mais curto é ver novela. Na realidade, eu comprei o satélite para ver o Corinthians e também as novelas da Globo, que eu amo. Sou um baita noveleiro, de até gravar o capítulo, quando não estou em casa.

Já conseguiu ficar bilionário?
Que isso! Ainda falta muito. Mas também não posso reclamar, porque o padrão de vida que eu tenho lá nos Estados Unidos é bem legal. Os salários são bons, não tem atraso e eu ainda ganho muita coisa de graça. Então, por mais que eu tente gastar, sempre sobra um troco.