|
Os
termômetros do Fatto Olé
informam a quem possa interessar que a temperatura
vai subir bastante durante essa entrevista quentíssima
com Kelly Key. Só para você ter idéia,
todas as janelas da redação estão
abertas, a equipe está com pouca roupa,
e faz um sol danado de tropical lá fora.
Ah, colocamos bastante pimenta nas perguntas para
ver o circo pegar fogo: ou vai ou racha. Nós
achamos que racha – demoro! E vocês,
caros e caríssimas, precisam tomar cuidado
para não ficarem babando e não serem
tratados como cachorrinhos, combinado?
 |
| Fotografada
como veio ao mundo |
FATTO OLÉ: Que papel você
atribui a Kelly Key no cenário da música
popular brasileira?
KELLY: Minha música varia bastante.
Sou uma artista versátil e transito bem
do pop ao rock, passando pelo público infanto-juvenil.
O que é música boa para
você?
Quando eu era pequena, ia muito pela moda, então
já gostei de samba, lambada, funk, pagode...
Agora, na fase adulta, já não me
deixo levar pelos outros. O que me dá prazer
é escutar hip hop. Amo Jennifer Lopez,
Black Eyed Peas e Kizumba. A música tem
uma importância grande para mim, porque
ouço quando estou feliz, quando estou triste,
quando estou mais ou menos... Sempre.
O que você anda fazendo além
de cantar e dançar?
Bastante coisa, viu. Faço ioga, apesar
de achar muito parado, componho músicas,
amo andar de kart. Por sinal, sou uma ótima
corredora, sem falsa modéstia. Ah, também
ocupo meu tempo com artesanato, uma das poucas
coisas que é capaz de me deixar desligada.
Já fiz de tudo: madeira bruta, pintura,
caixa para guardar pequenas coisinhas e quadro.
Qual é a sua melhor qualidade como
artista? E defeito?
A qualidade é minha versatilidade. Faço
de tudo, porque sou formada em teatro, fiz aula
de canto, sou bailarina e consigo atuar em diversas
áreas. O que aparecer, eu sei que sou capaz
de fazer bem-feito. Meu maior defeito é
com o horário. Eu odeio acordar cedo. Para
mim, nenhum dia começa bem se eu tiver
de levantar da cama antes das 11 horas da manhã.
Já acordo com cara de raiva.
 |
| Bela
mesmo depois da maternidade |
Essa pergunta é inevitável:
qual é a importância do sexo na sua
vida?
Do sexo? Acho que para toda mulher o sexo tem
uma importância muito menor do que para
o homem. Inclusive, eu falo bastante disso com
minhas amigas. O sexo serve pra descarregar o
estresse e se torna mais presente quando a gente
tem um namorado, um marido. Eu conseguiria viver
tranqüilamente sem sexo, mas não viveria
sem meus filhos ou sem escovar os dentes, por
exemplo.
“Feijão com arroz não
satisfaz”, como diz a sua música?
Para falar a verdade, não fui eu quem compôs
essa música. E tem uma curiosidade: como
existem muitas mentes pervertidas no mundo, todo
mundo só encara essa mensagem como valendo
para o sexo, mas ela serve perfeitamente para
o nosso dia-a-dia. Tudo que acaba caindo na rotina
não é legal.
Que jogador de futebol você gostaria
de tratar como seu cachorrinho?
(Risos) Isso não dá para responder.
Sou casada.
Mas você pode pelo menos citar os
bonitões...
Acho o Raí eternamente lindo. Da geração
mais novinha, tem o Diego, o Kaká e o Beckham.
E os Ronaldos?
Não fazem meu tipo, só que é
preciso dizer que estou julgando só a beleza,
e muitas vezes somos capazes de nos apaixonar
pelo que a pessoa tem por dentro.
 |
| Batendo
um bolão |
Você gosta de futebol?
Tive que aprender a gostar, porque todas as pessoas
que me cercam são apaixonadas. Meu marido,
minha família, minha equipe de trabalho...
Todo mundo só sabe falar de futebol. Aí,
para não ficar boiando, fui me interando
e hoje até que eu manjo.
E por qual time bate seu coraçãozinho?
Então, sou flamenguista no Brasil, torcedora
do Sporting em Portugal e gosto da Pedra de Luanda
na Angola. Uma vez fui a Portugal com a minha
família e assisti a um jogo do Sporting,
que adorei. Por isso a torcida. Quanto à
Pedra de Luanda, torço porque é
o time do meu marido (ele é angolano).
Conversamos com vários personagens
do futebol e o que todos eles, sem exceção,
querem saber é: qual o número do
seu telefone?
(Risos) Primeiro que eu não daria meu telefone
para todo mundo, né? Mas até aceitaria
que alguns me ligassem, se fosse para uma conversa
amigável.
Para um sujeito manter uma vida sexual
equilibrada, saudável, deve transar quantas
vezes por semana?
Ai meu Deus. Eu não sei. Não tenho
nem idéia e também não fico
contando. Nunca parei para pensar se já
fiz três vezes na semana e que falta uma
para eu não correr o risco de ter um problema
cardíaco, por exemplo.
 |
| Kelly
não acha que é um símbolo
sexual |
Mas tem gente que transa
todo dia.
Tem gente que diz que faz todo dia, toda hora...
Mas falar é fácil (risos). Outra
coisa que percebi é que quanto mais velhas
as pessoas vão ficando, ou se tornam mais
mentirosas, ou aumentam o apetite sexual, porque
continuam dizendo que transam com a mesma freqüência
de quando eram novinhas.
Você aceitaria
posar nua e reverter todo o cachê para alguma
instituição de caridade?
Acho que qualquer tipo de atitude em favor de
pessoas necessitadas é bem-vinda, mas já
decidi que não poso mais. Recebo convites
quase todo mês, só que não
rola mais. Quando saí na Playboy, fiz porque
era um dinheiro exorbitante, que ia mudar minha
vida na condição financeira. Valeu
a pena, foi legal, continuo sendo a mesma pessoa.
Qual foi a hora da virada
na sua vida?
Com certeza quando a música “Cachorrinho”
começou a tocar. Antes minha carreira era
meio capenga e eu não sabia o que seria
dela no futuro. Depois, ganhei destaque até
no exterior, gravei CD em Portugal e no Chile.
Também foi a época em que trabalhei
mais e consegui mostrar quem eu sou. Até
então ninguém me conhecia direito.
Fala sério: você
se considera um símbolo sexual?
Eu? Não. Para ser símbolo sexual,
uma mulher tem que ter uma série de cuidados,
precisa ter o corpo intocável... E eu não
tenho.
 |
Sua
adolescência a inspira |
Como assim?
Assim mesmo. Por exemplo: um símbolo sexual
precisa ficar bem em todas as calças. Eu
já sou mãe de dois filhos, não
sou de ficar viciada em academia e é natural
que nem tudo esteja no lugar. Apesar de que não
sou eu quem vai definir se a Kelly Key é
um símbolo sexual ou não, né
(risos)?
O homem deve abrir a
porta do carro para você entrar e sair?
Claro que não. Acho isso uma grande besteira,
um falso romantismo.
O que te inspira?
Minha adolescência. Lembrar do primeiro
beijo, da primeira balada...
E o que te tira do sério?
Detesto pessoas que são leva-e-traz e têm
várias assim no mundo. Sabe aquelas que
fazem joguinho, picuinha... Não sou de
quebrar pau, sou da paz, relevo, mas tento tirá-las
da minha vida sempre.
No escurinho, aos 46
do segundo tempo, na hora agá, você
também bate um bolão?
Segredinho!
|