2007 - EDIÇÃO 95

KELLY 40 GRAUS
Por Jorge Nicola

Os termômetros do Fatto Olé informam a quem possa interessar que a temperatura vai subir bastante durante essa entrevista quentíssima com Kelly Key. Só para você ter idéia, todas as janelas da redação estão abertas, a equipe está com pouca roupa, e faz um sol danado de tropical lá fora. Ah, colocamos bastante pimenta nas perguntas para ver o circo pegar fogo: ou vai ou racha. Nós achamos que racha – demoro! E vocês, caros e caríssimas, precisam tomar cuidado para não ficarem babando e não serem tratados como cachorrinhos, combinado?

Foto: Divulgação
Fotografada como veio ao mundo

FATTO OLÉ: Que papel você atribui a Kelly Key no cenário da música popular brasileira?
KELLY: Minha música varia bastante. Sou uma artista versátil e transito bem do pop ao rock, passando pelo público infanto-juvenil.

O que é música boa para você?
Quando eu era pequena, ia muito pela moda, então já gostei de samba, lambada, funk, pagode... Agora, na fase adulta, já não me deixo levar pelos outros. O que me dá prazer é escutar hip hop. Amo Jennifer Lopez, Black Eyed Peas e Kizumba. A música tem uma importância grande para mim, porque ouço quando estou feliz, quando estou triste, quando estou mais ou menos... Sempre.

O que você anda fazendo além de cantar e dançar?
Bastante coisa, viu. Faço ioga, apesar de achar muito parado, componho músicas, amo andar de kart. Por sinal, sou uma ótima corredora, sem falsa modéstia. Ah, também ocupo meu tempo com artesanato, uma das poucas coisas que é capaz de me deixar desligada. Já fiz de tudo: madeira bruta, pintura, caixa para guardar pequenas coisinhas e quadro.

Qual é a sua melhor qualidade como artista? E defeito?
A qualidade é minha versatilidade. Faço de tudo, porque sou formada em teatro, fiz aula de canto, sou bailarina e consigo atuar em diversas áreas. O que aparecer, eu sei que sou capaz de fazer bem-feito. Meu maior defeito é com o horário. Eu odeio acordar cedo. Para mim, nenhum dia começa bem se eu tiver de levantar da cama antes das 11 horas da manhã. Já acordo com cara de raiva.

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Bela mesmo depois da maternidade

Essa pergunta é inevitável: qual é a importância do sexo na sua vida?
Do sexo? Acho que para toda mulher o sexo tem uma importância muito menor do que para o homem. Inclusive, eu falo bastante disso com minhas amigas. O sexo serve pra descarregar o estresse e se torna mais presente quando a gente tem um namorado, um marido. Eu conseguiria viver tranqüilamente sem sexo, mas não viveria sem meus filhos ou sem escovar os dentes, por exemplo.

“Feijão com arroz não satisfaz”, como diz a sua música?
Para falar a verdade, não fui eu quem compôs essa música. E tem uma curiosidade: como existem muitas mentes pervertidas no mundo, todo mundo só encara essa mensagem como valendo para o sexo, mas ela serve perfeitamente para o nosso dia-a-dia. Tudo que acaba caindo na rotina não é legal.

Que jogador de futebol você gostaria de tratar como seu cachorrinho?
(Risos) Isso não dá para responder. Sou casada.

Mas você pode pelo menos citar os bonitões...
Acho o Raí eternamente lindo. Da geração mais novinha, tem o Diego, o Kaká e o Beckham.

E os Ronaldos?
Não fazem meu tipo, só que é preciso dizer que estou julgando só a beleza, e muitas vezes somos capazes de nos apaixonar pelo que a pessoa tem por dentro.

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Batendo um bolão

Você gosta de futebol?
Tive que aprender a gostar, porque todas as pessoas que me cercam são apaixonadas. Meu marido, minha família, minha equipe de trabalho... Todo mundo só sabe falar de futebol. Aí, para não ficar boiando, fui me interando e hoje até que eu manjo.

E por qual time bate seu coraçãozinho?
Então, sou flamenguista no Brasil, torcedora do Sporting em Portugal e gosto da Pedra de Luanda na Angola. Uma vez fui a Portugal com a minha família e assisti a um jogo do Sporting, que adorei. Por isso a torcida. Quanto à Pedra de Luanda, torço porque é o time do meu marido (ele é angolano).

Conversamos com vários personagens do futebol e o que todos eles, sem exceção, querem saber é: qual o número do seu telefone?
(Risos) Primeiro que eu não daria meu telefone para todo mundo, né? Mas até aceitaria que alguns me ligassem, se fosse para uma conversa amigável.

Para um sujeito manter uma vida sexual equilibrada, saudável, deve transar quantas vezes por semana?
Ai meu Deus. Eu não sei. Não tenho nem idéia e também não fico contando. Nunca parei para pensar se já fiz três vezes na semana e que falta uma para eu não correr o risco de ter um problema cardíaco, por exemplo.

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Kelly não acha que é um símbolo sexual

Mas tem gente que transa todo dia.
Tem gente que diz que faz todo dia, toda hora... Mas falar é fácil (risos). Outra coisa que percebi é que quanto mais velhas as pessoas vão ficando, ou se tornam mais mentirosas, ou aumentam o apetite sexual, porque continuam dizendo que transam com a mesma freqüência de quando eram novinhas.

Você aceitaria posar nua e reverter todo o cachê para alguma instituição de caridade?
Acho que qualquer tipo de atitude em favor de pessoas necessitadas é bem-vinda, mas já decidi que não poso mais. Recebo convites quase todo mês, só que não rola mais. Quando saí na Playboy, fiz porque era um dinheiro exorbitante, que ia mudar minha vida na condição financeira. Valeu a pena, foi legal, continuo sendo a mesma pessoa.

Qual foi a hora da virada na sua vida?
Com certeza quando a música “Cachorrinho” começou a tocar. Antes minha carreira era meio capenga e eu não sabia o que seria dela no futuro. Depois, ganhei destaque até no exterior, gravei CD em Portugal e no Chile. Também foi a época em que trabalhei mais e consegui mostrar quem eu sou. Até então ninguém me conhecia direito.

Fala sério: você se considera um símbolo sexual?
Eu? Não. Para ser símbolo sexual, uma mulher tem que ter uma série de cuidados, precisa ter o corpo intocável... E eu não tenho.

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Sua adolescência a inspira

Como assim?
Assim mesmo. Por exemplo: um símbolo sexual precisa ficar bem em todas as calças. Eu já sou mãe de dois filhos, não sou de ficar viciada em academia e é natural que nem tudo esteja no lugar. Apesar de que não sou eu quem vai definir se a Kelly Key é um símbolo sexual ou não, né (risos)?

O homem deve abrir a porta do carro para você entrar e sair?
Claro que não. Acho isso uma grande besteira, um falso romantismo.

O que te inspira?
Minha adolescência. Lembrar do primeiro beijo, da primeira balada...

E o que te tira do sério?
Detesto pessoas que são leva-e-traz e têm várias assim no mundo. Sabe aquelas que fazem joguinho, picuinha... Não sou de quebrar pau, sou da paz, relevo, mas tento tirá-las da minha vida sempre.

No escurinho, aos 46 do segundo tempo, na hora agá, você também bate um bolão?
Segredinho!