2007 - EDIÇÃO 94

A GATA BORRALHEIRA
Por Cristiane Nascimento

Cena 1: Filha de um vendedor viajante e de uma dona de casa, a menina Íris Stefanelli vive uma infância pobre na cidade de Tupã, no interior de São Paulo. Seu programa favorito, acreditem, é ir à escola na garupa da bicicleta vermelha de seu pai. Um pouco mais velha, Íris se vê obrigada a trabalhar para pagar a faculdade de enfermagem. Passa a ser sacoleira e viaja a cada 15 dias para o Paraguai, de ônibus. De lá traz bugigangas numa sacola pesada, que carrega sob as costas. A dificuldade seguinte é vender as mercadorias. A sonhadora visita os bairros mais ricos de Uberlândia, para onde se mudou na adolescência, em busca de clientes dispostas a gastar. Tanto sacrifício não rende mais do que R$ 600 por mês. Em meio ao vai-e-vem das viagens e peregrinações, Siri, como também é conhecida, tenta chamar atenção dos garotos com alguns segredinhos femininos: ela usa vestidos curtos e decotões para ouvir elogios dos homens na rua.

Cena 2: Aos 27 anos, Íris incorpora a história de Cinderela, a gata borralheira, ou o conto de fadas vivido por vários jogadores de futebol. De garota pobre e desconhecida, que precisava de decotes para ser notada, ela se transforma da noite para o dia em um fenômeno midiático. A ponto de entrar no seleto hall de brasileiras que posaram na edição de aniversário da Playboy, como Vera Fischer, Adriane Galisteu, Feiticeira... Sua participação no Big Brother 7 a colocou na condição de uma das mulheres mais cobiçadas do País. Desde então, tudo o que ela toca vira ouro. A musa tem uma cobertura na Barra da Tijuca, no Rio, deu uma mansão aos pais em Uberlândia, e está à caça de algum apartamento luxuoso para que possa ser sua casa em São Paulo. O príncipe que arranjou enquanto estava enclausurada passou a sapo, mas nem isso incomoda. Capa de sete revistas e protagonista de cinco campanhas publicitárias nos últimos meses, ela é uma fábrica de fazer dinheiro. Ainda atua como apresentadora e lançou uma personagem infantil. Até por isso, se transformou no melhor partido do Brasil – não faltam homens interessados.

Cena 3: Mas quem se esconde por trás desta caipira que encanta homens, mulheres, ricos, pobres, idosos, jovens e crianças? O Fatto Olé escalou seu time para descobrir a essência da Siri que virou Princesa. Logo no primeiro contato com a capa da Playboy deste mês, a constatação: sua simplicidade e generosidade lhe garantem um carisma espetacular, digno de grandes personalidades do mundo. Apaixonada por seu bumbum, Íris revela na entrevista abaixo o que fez na hora “H”, conta qual a sua maior fantasia e confessa que está com o coração vazio.

FATTO OLÉ - Qual foi sua preparação para ser fotografada como veio ao mundo?
ÍRIS STEFANELLI - Então, meu corpo sempre foi de ganhar massa muito rápido. Aí, para ficar bem bonita, eu me cuidei nos dias que antecederam as fotos. Fiz um regime, passei a tomar sopas à noite e malhei, principalmente bumbum e pernas. Também fiz bronzeamento solar.

Foto: Divulgação
Íris tem agenda concorrida

O que você fez para se soltar na hora “H”?
Me disseram para ser uma atriz, então incorporei a Maria Antonieta. Deixei meu lado menina de fora e passei a interpretar uma mulher sensual, que causaria interesse para as pessoas comprarem a revista. Vi várias outras revistas para saber como fazer direito. Prestei atenção nas caras, bocas, olhares...

E essa mulher sensual e interessante tem fantasias?
Claro que tenho! Mas a minha maior fantasia é amar. Fantasias são fundamentais para qualquer mulher.

Gostou das fotos?
Eu nunca tinha me visto nua e fiquei surpresa. Falei: sou eu este mulherão? Não acreditei na hora que vi as fotos na provinha. Achei muito diferente, pois, até então, quase não tinha foto de biquíni e agora estava mostrando tudo. Mas fiquei contente com o resultado e com a chance de mostrar este meu lado mulher. E o povo também vai ficar. Fui corajosa!

Depois de tirar mais de 1.000 fotos, qual é o seu ângulo preferido?

Gosto muito de fotos de costas, do meu bumbum. Queria que as fotos mostrassem meu bumbum, costas e curvas. E ficou tão bom que acabou virando capa.

Como é essa história de que suas fotos precisaram ser salvas pelo Photoshop?
Juro pelo nome da minha mãe que não tem Photoshop nenhum aqui. Olha como eu to carnuda (apontando para uma foto em que exibe seu bumbum avantajado)! As fotos ficaram tão boas que estava até difícil de escolher. E olha que eu me cobro muito, coloco mil e um defeitos em mim, mas nunca fui de ter muita celulite nem estrias.

Abre o jogo: é verdade que você embolsou R$ 700 mil para tirar a roupa?
O cachê foi maravilhoso, digno de uma estrela. Foi muito mais do que eu havia pedido, mas só posso dizer que R$ 700 mil não foi... Agora se foi um pouquinho mais ou um pouquinho menos, isso não dá para contar. Só sei que daqui para frente vou tirar o pé da jaca (risos). Já deu até para ganhar um BBB.

E o que pretende fazer com toda essa grana que está ganhando?
Os contratos que eu consegui depois que saí do BBB estabilizaram a minha vida, mas a Playboy foi a minha independência financeira. Já comprei a casa dos meus pais e estou montando um negócio para o meu pai. Comprei um carro novo e estou procurando um apartamento em São Paulo, mas ainda não achei um com tudo o que eu quero. A idéia é ter apartamento novo, móveis novos, eletrodomésticos novos... Tudo o que tínhamos antes não serve mais.

Foto: Divulgação
Ensaio fotográfico para o site Paparazzo

E como você lida com públicos tão diversos, já que lançou uma personagem infantil e posou para a Playboy num espaço tão curto de tempo?
Eu pensei sobre isso também, mas não acho que um público anula o outro. As mulheres me admiram, sabem que eu tenho caráter e elas mesmas comprarão a revista para os maridos. E são essas mesmas mulheres que educam seus filhos e que acham que eu sou um exemplo para eles. A mãe sabe que sou meiga, que tenho caráter, que sou um exemplo, mas que também tenho meu lado mulher.

E como anda o coração depois do Alemão?
Não tive tempo ainda de pensar. Desde que saí do Big Brother minha agenda não parou. Não sobra nem tempo para atender o telefone. Mas com o TV Fama estabilizei. Acho que daqui a uns três meses, minha vida estará mais tranqüila e poderei buscar alguém. Estou me sentindo carente, sozinha. Quero um namorado, mas eu busco qualidade e não quantidade. Não pego o primeiro que canta, quero amar e ser amada, quero alguém em que possa confiar.

A Íris em que se transformou ainda é a mesma do tempo em que era sacoleira?
Sim, ainda sou a mesma Íris de sempre. Quero melhorar como profissional, mas sendo a mesma pessoa. Minha família continua do mesmo jeito, não quero mudá-los. Quero que se sintam super à vontade. Quero dar qualidade de vida pra eles, mas não transformá-los. Quero sempre melhorar, mas mudar não.