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Boleiros,
torcedores e afins: vocês ainda acreditam
naquele papo furado de 22 machões correndo
atrás de uma bola? Fala sério, está
na hora de reverem os seus conceitos. Essa história
é conversa fiada. Se a estimativa de que
uma em cada 10 pessoas no mundo é homossexual
for verdadeira, vários jogadores do Campeonato
Brasileiro são GLS – os gays veneram
o futebol. Tanto que será disputada a Copa
do Mundo Gay – entre os dias 23 e 29 de
setembro, em Buenos Aires, a Meca do Arco-Íris.
"O torneio nasce por uma necessidade de pessoas
que querem jogar no campo sem que lhes gritem
algo", explica o presidente da Comunidade
Homossexual Argentina (CHA), César Cigliutti.
"É uma reivindicação,
e para nós qualquer ato de visibilidade
é muito importante."
A grande bola fora da competição
está na ausência do Brasil entre
as 30 delegações, sendo oito seleções
nacionais e 22 times de várias cidades
do planeta. Apesar de promover o maior evento
homossexual do mundo (a Parada Gay), nosso País
não terá qualquer representante
na festa da bola cor de rosa. De acordo com a
ABGLT (Associação Brasileira de
Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e
Transexuais), a grande causa é a falta
de dinheiro. "Um grupo de meninas do Paraná
estava interessada em disputar a Copa do Mundo,
mas a organização só banca
a hospedagem. E elas não têm verba
para pagar a passagem", explica Márcio,
que trabalha na ABGLT.
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Campeonato terá 21 equipes |
Por
ser realizado pela primeira vez, o campeonato
ainda tem algumas indefinições.
Uma delas rola exatamente pela incerteza dos organizadores
em saber como farão para descobrir se o
atleta é realmente gay ou se apenas está
se fazendo de homossexual para ter a chance de
disputar uma Copa do Mundo. Há quem defenda
a idéia de que todos os participantes precisem
dar ao menos um beijo na boca de um companheiro
de time para assegurar presença em campo.
Curioso, né não?
Os bastidores do Mundial também já
agitam Buenos Aires. O banheiro masculino não
terá aqueles mictórios pendurados
na parede. A pedido dos rapazes, o xixi só
será feito sentado. E o mais curioso: os
chuveiros estarão em cabines separadas,
porém tanto no banheiro masculino quanto
no feminino haverá um box que comporta
duas pessoas. Para quê? Liberte a sua imaginação.
O presidente da Associação Internacional
Gay e Lésbica de Futebol (IGLFA), Tomás
Gómez, desconversa quando perguntado sobre
a intrigante estrutura montada. Prefere falar
sobre a representatividade do campeonato para
a comunidade. "Esse torneio será extremamente
importante para nós. Esperamos que essa
competição tenha um impacto positivo
na comunidade gay", afirma o dirigente. "Com
certeza teremos um campeonato diferente, com um
toque latino", completa.
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Argentina é favorita |
Na
Argentina? Você deve estar se perguntando
do outro lado do computador por que Buenos Aires
foi escolhida para receber a primeira Copa do
Mundo Gay. Gómez revela algo pouco conhecido:
a capital argentina está virando a Meca
dos homossexuais. "Além de respirar
futebol, Buenos Aires recebe gays de todo o mundo
em busca de férias. Inclusive, a cidade
foi a primeira da América Latina a reconhecer
a união civil entre homossexuais",
justifica.
As opções de alojamento para a comunidade
foram ampliadas com a inauguração
do hotel Axel Buenos Aires, o primeiro de cinco
estrelas da América Latina destinado ao
público homossexual e o segundo da rede
espanhola Axel, proprietária de um estabelecimento
em Barcelona. A luxuosa hospedagem ficará
em San Telmo, o bairro "mais amigável
com os gays" da cidade, onde um hotel para
homossexuais convive com tradicionais antiquários,
bares, restaurantes, discotecas, cafés
literários e galerias de arte.
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Escudo da federação que organiza
o torneio |
Ah,
vocês sabem quais são os favoritos
ao título? Os times da Inglaterra, país
conhecido por ter os hooligans, os torcedores
mais violentos do mundo. Com ou sem a ajuda dos
briguentos, as equipes de Londres e Manchester
costumam fazer estragos nos adversários
durante os amistosos. Entre as nações,
a Argentina aparece com boas chances. Foram inscritas
30 equipes, 25 de meninos e apenas cinco de meninas.
Durante a semana, o Fatto Olé
recebeu muitos e-mails com dúvidas sobre
a Copa Gay.
Uma pergunta, de uma leitora que nos pede sigilo
absoluto, chamou nossa atenção pelo
título do ‘subject’ –
"Nada contra os gays, tudo contra os argentinos.
Será que Maradona, Tevez e Mascherano vão
sair do armário e disputar a competição?".
Brincadeiras à parte, o mais bacana é
que o futebol será sempre uma ferramenta
eficaz para quebrar qualquer tipo de rótulo.
Abaixo o tabu cor-de-rosa da coluna do meio!
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