2007 - EDIÇÃO 93

EFEITO SPRINGFIELD EM CAMPO
Equipe Fatto Olé

Na mochila de quase todos os boleiros que vão para a concentração, há um item que jamais pode faltar: o DVD de Os Simpsons, série de desenhos animados mais conhecida do planeta. A explicação para a proximidade entre o futebol brasileiro e a maluca família amarela de Spriengfield está em suas origens. Rogério Ceni, Kléber, Obina, Somália e companhia curtem bastante o divertido patriarca Homer, um cara simples, guiado pelos impulsos, que saiu do subúrbio para vencer na vida.

Homer e Ronaldo não parecem gêmeos?

“Eu assisto sempre Os Simpsons. Adoro o mau-humor do Homer, gosto da rebeldia do Bart e acho superbonitinho ver a Lisa tocando saxofone”, revela o zagueiro Betão, do Corinthians. “Coloco o DVD sempre na hora que vou dormir. O problema é que às vezes passo a madrugada inteira vidrado na frente da TV”, reconhece o defensor, que é o capitão alvinegro. Ele jura ter em casa 15 das 18 temporadas e calcula que viu pelo menos 300 dos 400 episódios criados pelo cartunista Matt Groening em quase 20 anos de sucesso avassalador.

Apesar de o filho Bart ter tomado conta do posto de ícone da franquia, avaliada em US$ 1 bilhão, muitos jogadores de futebol conseguem se enxergar em Homer. Principalmente a ‘turma do chinelinho’, que curte a vida mansa e adora beber cerveja. O paizão também é um contador de piadas infames, exatamente como o corintiano Vampeta e o são-paulino Souza e o ex-santista Robinho, por exemplo.

Ah, Ronaldo por algum tempo ganhou o apelido de Homer, graças a careca e ao barrigão avantajado.

Foto: Divulgação
Fenômeno em sua aparição num episódio de Os Simpsons

Na sala de cinema construída no Centro de Treinamento do São Paulo, nada passa mais do que as trapalhadas da família de Spriengfield. “Quase todo mundo tem a série completa dos Simpsons”, revela o atacante Leandro. “Geralmente depois do almoço tem uma turma que vai dormir. A outra segue rapidinho para o cinema, para gargalhar com o Homer”, explica o são-paulino, citando como fãs o zagueiro André Dias, o volante Josué, o goleiro Rogério Ceni e o meia Souza.

O vício é tal que a boleirada já sabe de quase tudo sobre o longa-metragem dos Simpsons que estréia no dia 17 de agosto, em cinemas de todo o Brasil, para celebrar os 20 anos da série. “Estou contando os minutos para ver o filme. Pô, gastaram mais de 1 bilhão de dólares na produção. Deve ter ficado sensacional”, imagina o goleiro Sérgio, que aprendeu a gostar das bagunças da família quando defendia o Palmeiras.

A boleirada apaixonada pelos personagens amarelos e cabeçudos sonha em pelo menos um dia fazer parte desta rotina. Até hoje, apenas dois atletas tiveram essa oportunidade. O primeiro foi Pelé, em 1997, e depois Ronaldo. O Rei do Futebol, porém, acabou sendo satirizado em sua aparição: antes de uma partida, ele surgiu no estádio, entrou no campo e fez o comercial de um produto. Saiu com um saco cheio de dinheiro, como se fosse um mercenário. Já Ronaldo deu o ar de sua graça num episódio deste ano. Ele é convocado pelo amigo Homer para ensinar os filhos a jogar futebol.

   

Foto: Divulgação
Cena do filme que estréia 17 de agosto no Brasil

“Eu ia deitar e rolar no meio daqueles malucos”, sonha Souza. “Já pensou um bate-bola entre eu, o Homer e o Bart?”, indaga o camisa 10 do Tricolor, lembrando que em 2002 um episódio inteiro foi dedicado ao Brasil. Chamado de “O feitiço de Lisa”, o capítulo mostra a viagem da família ao Rio de Janeiro. Lá eles encontram uma cidade cheia de macacos, como numa selva. Para completar, Homer acaba seqüestrado e Lisa assaltada por meninos na rua.

Corre o boato de que o filme colocará fim à série. Mas antes que a notícia cause comoção no mundo do futebol, vale a informação: já há quem trabalhe a cabeça de Homer para convencê-lo a jogar na Liga de Futebol dos Estados Unidos. E argumentos não faltam: carismático como é, o velho ranzinza faria mais sucesso do que o pop star David Beckham. Imagine o número de camisas vendidas pelo ferão de Spriengfield. E dá-lhe Jay-Jay Homer!