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Desde
que há cultura, há a contracultura.
Enquanto o mundo prega a ditadura da beleza, a
gordinha Preta Maria Gadelha Gil Moreira anda
pela contramão e usa a estética
para criar um novo estereótipo. Cantora,
atriz, apresentadora, filha de ministro, símbolo
sexual, pegadora de celebridades, ela é
um dos grandes símbolos underground da
mídia brasileira. Já que é
para se expor, Preta Gil fala nesta entrevista
exclusiva de suas preferências sexuais,
surubas, preconceito, futebol e da relação
com o pai Gilberto Gil. Opa, eis a sua chance
de encarar a mulher mais polêmica e divertida
do Brasil.
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Mesmo gordinha, Preta é madrinha
da Mangueira |
FATTO OLÉ: De onde surgiu seu
nome?
PRETA GIL: Então, muita gente pensa que
Preta é apelido, mas é nome mesmo.
E deu o maior reboliço para meu pai registrá-lo.
Ele foi com minha avó materna, que é
branca de tudo, no cartório e só
a presença de um negro com uma senhora
branca já causou uma confusão só.
Logo de cara, o tabelião já falou:
‘você não vai poder registrar
o nome da sua filha de Preta’.
E aí? O Gilberto Gil ganhou na
persistência?
Aí que meu pai começou a fazer um
discurso. Ele ficou inconformado, disse que já
existem Brancas, Claras, Rosas e não se
conformou com o fato de não poder ter Preta.
O tabelião até aceitou, mas exigiu
que também tivesse um nome católico
junto. Por isso acabou ficando Preta Maria.
Hoje você esbanja estilo e é
uma referência. Vestir-se bem sempre fez
parte da sua filosofia?
(Risos) Essa você é que vai responder.
Quando eu era pequena, adorava assistir à
Mulher Maravilha, mesmo sem entender nada de inglês.
Consegui até fazer minha mãe me
dar uma roupa de Mulher Maravilha, de tanto que
enchi o saco. Eu amava tanto aquela fantasia que
dormia quase todo dia com ela. Ah, também
ganhei um patins, que servia para me fazer girar
e aí dava o efeito da capa da Mulher Maravilha.
E o que mais usava além dos patins
e da fantasia de Mulher Maravilha?
Usava vestidinhos de renda que minha avó
fazia ou calças de veludo. Mas a única
coisa que era comum para todas as roupas era o
velcro no joelho, que minha mãe colocava
nas roupas para não rasgar. Eu era terrível
e acabava rasgando tudo (risos).
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| Preta
com o pai, o ministro e cantor Gilberto
Gil |
Você tem algum ídolo?
Tenho sim, mas não é ninguém
famoso. Uma pessoa que eu sempre procuro copiar
é minha avó materna. Imagina só
a barra que ela passou durante a ditadura, porque
suas duas filhas eram casadas com dois exilados.
Uma das filhas é a minha mãe, Sandra,
casada com o meu pai. A outra era casada com o
Caetano. As duas também acabaram exiladas,
foram morar em Londres, e minha avó segurou
toda a onda.
Por onde você passa, as portas se
abrem. Mas você já viveu o outro
lado e foi vítima do preconceito racial?
Já sim. Eu e o pessoal lá de casa
já passamos por cada uma. Teve uma época
em que meu pai foi fazer um disco em Los Angeles
com o Sérgio Mendes, então toda
a família morou oito meses lá. Aí
minha mãe sempre brincava falando: “Chegou
o navio negreiro”. Ela também conta
que nas ruas o pessoal perguntava se ela estava
com os filhos das empregadas, por causa da mistura:
eu e o meu irmão Pedro com o cabelo bem
liso, quase que nem índios, e minha irmã
Maria com o cabelo dum-dum.
O que tem de melhor em ser filha do Gilberto
Gil?
Muitas coisas. Mas se você me perguntasse
isso alguns anos atrás, eu diria que o
melhor era o fato de o meu pai falar com Deus.
Estava no auge da música “Se Eu Quiser
Falar com Deus” e eu realmente achava que
ele falava. Teve uma parada engraçada por
conta disso. Minha melhor amiga, a Amora, tinha
uma boneca maravilhosa, e eu morria de inveja.
Um dia ela disse: “Eu tenho essa boneca
e você não tem”. Respondi na
hora: “Ah é, mas o meu pai fala com
Deus e o seu não!”.
Fala sério: você se considera
um símbolo sexual?
(Risos) Você deve estar de sacanagem, né?
Sou gordinha, tenho estrias... O que rola é
que o pessoal não entende como eu consigo
pegar uns caras muito gatos.
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| A
cantora e atriz admite gostar de suruba |
Pô, mas você é uma
‘pegadora’ de dar inveja. Já
traçou Paulinho Vilhena, Caio Blat, Marcos
Palmeira, Marcos Mion... Diz aí a estratégia
para as moças aprenderem e para os rapazes
se ligarem...
Essas coisas não podem ser contadas. Brincadeira.
Eu tenho os meus truques, e o principal é
que tomo a iniciativa sempre. Não passo
vontade, portanto, se quero alguma coisa, eu corro
atrás. Esse negócio de partir para
o ataque beira quase a doença comigo. Mas
eu também tenho um bom papo, sou simpática.
E qual foi sua experiência sexual
mais marcante?
Sei lá. O que mais choca as pessoas é
quando falo que gosto de mulheres também,
e que adoro transar com várias pessoas
ao mesmo tempo. É que a sociedade ainda
tem um monte de grilos, e não aceita bem
as novidades, mas eu sou bi, sim, e amo fazer
suruba.
Rola um papo por aí, não
sei se é folclore, que você só
transa de luz apagada...
Então, todo mundo fala isso porque eu disse
numa entrevista que escondia meus quilinhos a
mais da pessoa que estava comigo apagando a luz.
Mas eu também faço de dia, ao ar
livre, de luz acessa... Ah, e me amarro em transar
ouvindo uma musiquinha. Mas se não tiver,
vai a seco mesmo.
É mais difícil ser negra,
gordinha ou filha de ministro?
Então, acho que rola um empate técnico.
Porque existe um puta preconceito com os negros,
embora eu consiga transformar essa carga em algo
que me motiva. O lance de ser gorda hoje não
me chateia tanto, pois estou sossegada com o meu
corpo. E tenho orgulho de ser filha de um ministro,
apesar de existirem umas malas que o criticam
sem qualquer razão.
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| Lenine
e Preta gravam juntos CD |
Quando os homens pensam na Preta Gil,
pensam no quê?
Depende. Os que me conhecem devem pensar que sou
uma mulher legal, meio malucona. Já os
outros eu não tenho nem idéia.
Bom, já que o papo aqui também
é o futebol, queremos saber para que time
você torce?
Uma vez Flamengo, sempre Flamengo... É
claro que eu sou Mengão, o time de maior
torcida do Brasil. Nem sou daquelas que vai no
Maraca, ou que fica sofrendo quando o Mengão
perde, mas adoro tirar sarro dos outros quando
ele ganha.
E quem é o boleiro mais bonito
do Brasil?
Gosto do Robinho, do Ronaldo, do Rafael Sobis...
Humm, tem vários. De diversos estilos.
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