2007 - EDIÇÃO 88

PAULA LIMA NA CABEÇA
Por Jorge Nicola
"É Isso Ai" - CD de Paula Lima. É uma mistura de samba, funk, soul e jazz e faz parte do novo movimento da nova música popular brasileira.

Tranças, apliques, tiara, black power e dreads... Se os penteados afro estão na moda, o visual estiloso de Paula Lima causa inveja a muito boleiro. Vagner Love, Jô, Carlos Alberto, Ronaldinho, Denis Marques, Oséas, entre outras feras do futebol, não poupam elogios ao cabelo da cantora. “Ninguém usava tranças grossas. Fui eu quem criou”, garante a corintiana. “Hoje, as pessoas pedem o cabelo da Paula Lima e o cabeleireiro já sabe que é para fazer trança grossa”. Mas, para também fazer a sua cabeça, o Fatto Olé embarca com Paula Lima para uma viagem muita além dessa odisséia capilar. Aperte os cintos e aproveite sem moderação!

A corintiana elogia Aloísio, do São Paulo

FATTO OLÉ - Paula, qual é a sua intimidade com a bola?
PAULA LIMA - Ih, pouca. Sempre que tentei jogar futebol, não me dei bem. Sou meio desengonçada e a bola nunca me obedeceu. Mas adoro ver futebol, principalmente em época de Copa do Mundo e Copa América. Sou daquelas que vê todos os países, torço, grito, pulo.

Então seu coração se divide entre Seleção Brasileira e Corinthians?
Digamos que sim. Se bem que eu defendo muito mais o Corinthians que a Seleção. Quando os músicos da minha banda começam a falar mal do Timão, eu não deixo. Um clube com a história do Corinthians e com os craques que teve como Sócrates, Casagrande e Wladimir, não pode ser mal-falado.

Você já teve contato com algum boleiro?
Outro dia conheci o Aloísio, do São Paulo, num programa do Galvão Bueno, e me encantei com o tamanho do coração dele. Fiquei sabendo que o Aloísio mantém um lugar que ajuda dezenas de crianças em Alagoas e percebi o quanto ele é humilde e bondoso. Até cantei uma música da Lecy Brandão chamada Saudações, e o Aloísio chorou bastante.

Quem seria o Ronaldinho Gaúcho da música brasileira?
(Pensativa) Hummm, que difícil essa pergunta. Dá um medo de fazer alguma injustiça. Bom, eu adoro três pessoas ou grupos e acho que elas somadas dariam um belo Ronaldinho musical. São elas o Seu Jorge, Marcelo D2 e o Rappa.

A cantora gosta do cabelo de Ronaldinho

No Brasil temos a cultura de que só o de fora presta. Você acha que, por exemplo, se a Lauryn Hill fosse brasileira, faria tanto sucesso?
Com certeza não. Ela canta muito, tem um talento incrível, mas se fosse negra e cantando o estilo de música que ela faz, seria mais uma no mercado. É claro que se ela causa o frisson que causa e leva tanta gente aos seus shows, é porque tem muita qualidade. Mas a Alcione, quando era mais nova, tinha tanta ou mais capacidade, já que sempre cantou muito bem, tocava trompete... mas nunca aconteceu.

Então quer dizer que é muito mais difícil ser músico aqui do que jogador de futebol?
Eu acho. Hoje mesmo só temos uma brasileira capaz de encantar em todas as partes do mundo, que é a Ivete Sangalo. E temos dezenas de excelentes cantores, mas infelizmente o Brasil não valoriza tanto. Pode parecer estranho, só que um dos públicos mais fiéis aqui é o dos sertanejos, que compram CD, vão em show, fazem fã-clube e dão valor ao nacional.

Você já foi discriminada por ser negra?
Pior que já. No começo da carreira, enquanto estava batalhando para conseguir meu espaço, tive algumas portas fechadas. Aí, tempos depois descobri que um produtor de grandes bandas não quis trabalhar comigo porque dizia que não saberia como o Brasil aceitaria uma negra.

Quem é esse produtor?
Prefiro não falar o nome. Só digo que cheguei aonde cheguei sem nunca ter tido padrinho. Em meio às panelas que existem no nosso meio, e graças a muita batalha, hoje estou superfeliz com os resultados de venda do meu terceiro disco, finalmente farei uma turnê nacional e internacional, tenho convite para participar do Festival de Jazz na Itália e fui capa da revista Latina, uma referência no mundo da música.

Que você tem uma voz linda todo mundo sabe. Agora conte o que pouca gente sabe.
Então, acho que quase ninguém sabe que eu sou uma manteiga derretida e choro toda hora. Não seguro e nem escondo meus sentimentos. Esse choro incontido vale para filme, para conversa, para um encontro com quem eu não vejo faz tempo, para quando eu lembro de um show marcante...

Paula conta que já sofreu preconceito

O que mais se encontra atrás desse cabelão e desse coração sensível?
Uma pessoa exótica, bacana, que adora os amigos... Também tem alguém que estudou 10 anos de piano erudito, fez faculdade de Direito, um ano de Publicidade e Propaganda...

Quanto você já gastou com suas madeixas?
Prefiro não falar o valor, mas não foi pouco. Afinal, faço uma vez por semana manutenção e chego a ficar quase quatro horas sentada na cadeira do cabelereiro.

E quem é o jogador de futebol com o cabelo mais legal?
Então, eu acho bacana a preocupação do Ronaldinho com o look dele. Você percebe que o cara cuida, trata, corta. É bonitinho. É muito legal ter um estilo próprio e acredito que o visual ajuda o jogador dentro de campo. A ousadia e a ginga do Ronaldinho estão bem representadas pelo seu estilo capilar.