"É
Isso Ai" - CD de Paula Lima.
É uma mistura de samba, funk, soul
e jazz e faz parte do novo movimento da nova
música popular brasileira. |
Tranças, apliques, tiara, black power e
dreads... Se os penteados afro estão na
moda, o visual estiloso de Paula Lima causa inveja
a muito boleiro. Vagner Love, Jô, Carlos
Alberto, Ronaldinho, Denis Marques, Oséas,
entre outras feras do futebol, não poupam
elogios ao cabelo da cantora. “Ninguém
usava tranças grossas. Fui eu quem criou”,
garante a corintiana. “Hoje, as pessoas
pedem o cabelo da Paula Lima e o cabeleireiro
já sabe que é para fazer trança
grossa”. Mas, para também fazer a
sua cabeça, o Fatto Olé
embarca com Paula Lima para uma viagem muita além
dessa odisséia capilar. Aperte os cintos
e aproveite sem moderação!
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| A
corintiana elogia Aloísio, do São
Paulo |
FATTO
OLÉ - Paula, qual é a sua intimidade
com a bola?
PAULA LIMA - Ih, pouca. Sempre que tentei jogar
futebol, não me dei bem. Sou meio desengonçada
e a bola nunca me obedeceu. Mas adoro ver futebol,
principalmente em época de Copa do Mundo
e Copa América. Sou daquelas que vê
todos os países, torço, grito, pulo.
Então seu coração se divide
entre Seleção Brasileira e Corinthians?
Digamos que sim. Se bem que eu defendo muito mais
o Corinthians que a Seleção. Quando
os músicos da minha banda começam
a falar mal do Timão, eu não deixo.
Um clube com a história do Corinthians
e com os craques que teve como Sócrates,
Casagrande e Wladimir, não pode ser mal-falado.
Você já teve contato com algum boleiro?
Outro dia conheci o Aloísio, do São
Paulo, num programa do Galvão Bueno, e
me encantei com o tamanho do coração
dele. Fiquei sabendo que o Aloísio mantém
um lugar que ajuda dezenas de crianças
em Alagoas e percebi o quanto ele é humilde
e bondoso. Até cantei uma música
da Lecy Brandão chamada Saudações,
e o Aloísio chorou bastante.
Quem seria o Ronaldinho Gaúcho da música
brasileira?
(Pensativa) Hummm, que difícil essa pergunta.
Dá um medo de fazer alguma injustiça.
Bom, eu adoro três pessoas ou grupos e acho
que elas somadas dariam um belo Ronaldinho musical.
São elas o Seu Jorge, Marcelo D2 e o Rappa.
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| A
cantora gosta do cabelo de Ronaldinho |
No Brasil temos a cultura de que só o de
fora presta. Você acha que, por exemplo,
se a Lauryn Hill fosse brasileira, faria tanto
sucesso?
Com certeza não. Ela canta muito, tem um
talento incrível, mas se fosse negra e
cantando o estilo de música que ela faz,
seria mais uma no mercado. É claro que
se ela causa o frisson que causa e leva tanta
gente aos seus shows, é porque tem muita
qualidade. Mas a Alcione, quando era mais nova,
tinha tanta ou mais capacidade, já que
sempre cantou muito bem, tocava trompete... mas
nunca aconteceu.
Então quer dizer que é muito mais
difícil ser músico aqui do que jogador
de futebol?
Eu acho. Hoje mesmo só temos uma brasileira
capaz de encantar em todas as partes do mundo,
que é a Ivete Sangalo. E temos dezenas
de excelentes cantores, mas infelizmente o Brasil
não valoriza tanto. Pode parecer estranho,
só que um dos públicos mais fiéis
aqui é o dos sertanejos, que compram CD,
vão em show, fazem fã-clube e dão
valor ao nacional.
Você já foi discriminada por ser
negra?
Pior que já. No começo da carreira,
enquanto estava batalhando para conseguir meu
espaço, tive algumas portas fechadas. Aí,
tempos depois descobri que um produtor de grandes
bandas não quis trabalhar comigo porque
dizia que não saberia como o Brasil aceitaria
uma negra.
Quem é esse produtor?
Prefiro não falar o nome. Só digo
que cheguei aonde cheguei sem nunca ter tido padrinho.
Em meio às panelas que existem no nosso
meio, e graças a muita batalha, hoje estou
superfeliz com os resultados de venda do meu terceiro
disco, finalmente farei uma turnê nacional
e internacional, tenho convite para participar
do Festival de Jazz na Itália e fui capa
da revista Latina, uma referência no mundo
da música.
Que você tem uma voz linda todo mundo sabe.
Agora conte o que pouca gente sabe.
Então, acho que quase ninguém sabe
que eu sou uma manteiga derretida e choro toda
hora. Não seguro e nem escondo meus sentimentos.
Esse choro incontido vale para filme, para conversa,
para um encontro com quem eu não vejo faz
tempo, para quando eu lembro de um show marcante...
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| Paula
conta que já sofreu preconceito |
O que mais se encontra atrás desse cabelão
e desse coração sensível?
Uma pessoa exótica, bacana, que adora os
amigos... Também tem alguém que
estudou 10 anos de piano erudito, fez faculdade
de Direito, um ano de Publicidade e Propaganda...
Quanto você já gastou com suas madeixas?
Prefiro não falar o valor, mas não
foi pouco. Afinal, faço uma vez por semana
manutenção e chego a ficar quase
quatro horas sentada na cadeira do cabelereiro.
E quem é o jogador de futebol com o cabelo
mais legal?
Então, eu acho bacana a preocupação
do Ronaldinho com o look dele. Você percebe
que o cara cuida, trata, corta. É bonitinho.
É muito legal ter um estilo próprio
e acredito que o visual ajuda o jogador dentro
de campo. A ousadia e a ginga do Ronaldinho estão
bem representadas pelo seu estilo capilar.
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