2007 - EDIÇÃO 86

TIREM AS CRIANÇAS DA SALA!
Por Jorge Nicola

O grande lance na carreira do habilidoso Paulo Bonfá foi dar um drible seco na parte chata do futebol. Irreverente, o apresentador do Rockgol, da MTV, é um craque do humor. “Ainda bem que o mundo é uma bola, porque se fossem duas, seria um saco”, brinca o paulistano de 35 anos. O cara analisa o esporte bretão sempre por um ângulo diferente. Enquanto os especialistas bitolados discutem as mesmas polêmicas, o palmeirense mistura na dose exata descontração e informação. Ué, se o abacaxi aqui é nosso, o ‘besteirol’ rola solto nesta divertida entrevista.

Comediante se prepara para virar técnico e cartola

Bonfá, o que é capaz de acabar com o seu humor?
Putz, eu fico morrendo de raiva de ver um time sem vontade. Errar um lance ou perder a partida ainda vai, afinal faz parte do futebol. Agora jogador que se acomoda eu tenho vontade de esganar.

E quem é o grande representante desta classe dos ‘vagabundos’?
Ah, tem vários, né? Mas acho que é uma questão de fase. Uma época o cara está mais acomodado, chinelinho, outra época fica com mais tesão. A grande representação da brochada mesmo é a Seleção Brasileira.

Mas a Seleção sempre rende piada...
Rende, mas não tem a mínima graça. Só para você ter uma idéia, a última Seleção que eu acompanhei realmente e via com alegria era a de 1986. Depois disso, nunca mais. Troco um jogo do Brasil por qualquer coisa. Até dar uma volta na 25 de Março lotada (lugar de São Paulo marcado pelo comércio de rua) é mais gostoso.

Por que o time pentacampeão virou uma tremenda ejaculação precoce?
Então, acho que é uma coisa que está acontecendo com todo mundo. Primeiro que os jogadores do Brasil não têm nada de brasileiros. Depois que não rola a mesma rivalidade entre seleções do que entre times. Tipo assim: quando o Corinthians perde, eu tiro o maior sarro da cara de um monte de gente. Mas se a Argentina perde, não vou encontrar um hermano na rua pra gozar.

Você prefere o Dunga na versão dos Sete Anões ou como técnico da Seleção?
Nenhum dos dois. Adoro ele como modelo e atriz. Você nunca reparou sua desenvoltura para desfilar nos gramados do mundo com os modelitos que a filha dele propõe? Ele brinda a todos com charme e elegância.

Já que gosta tanto das roupas, podemos imaginar que você comprou coisas parecidas?
(Risos) Agora falando sério: eu não usaria aqueles modelitos nem se fosse como pijama.

Bonfá jura ter o dom de atrair as mulheres aos lugares inusitados

O que humor tem a ver com futebol?
Os dois são o grande sinônimo de diversão. Por que você gosta de humor? Porque te faz rir, te leva a uma sensação gostosa. No futebol é exatamente a mesma coisa. Nessa hora, não tem briga com namorada, encheção de saco do chefe ou falta de dinheiro que incomode. Sortudo sou eu, que faço humor e trabalho com futebol.

Você vive se gabando de que é craque e joga em todas as posições, menos no gol. Como é essa história?
Acabo de perceber que você está desinformado (risos). Porque já virei um especialista no gol, também. Minhas próximas metas são me transformar em treinador, depois dirigente e por último dono de um clube.

Será que você está preparado para encarar a sujeira que ronda os bastidores do futebol?
É claro que existe muito dirigente corrupto, mas acho que eles não são regra. Essa turma de magnatas russos tá metida em sujeira e tem alguns outros por aqui que também fazem seus trambiques, mas acho que são minoria.

Ok. Então você compraria um carro usado do Eurico Miranda?
Sou otimista, mas não sou louco, né? Do Euricão eu não compraria um carro usado, um carro novo, um refrigerante, um livro... Absolutamente nada, nem hoje e nem nunca.

Já que pensa em ser técnico, qual seria sua seleção?
Humm... Pergunta difícil, hein. Até parece que você é jornalista (risos). Bom, para começar o goleiro seria o Jesus, que nunca ficou pregado em campo. A zaga contaria com o pessoal da extinta Banda Broz, para garantir velocidade na marcação. Do meio para frente eu só escalaria o Clééééééééston (DJ e tecladista da banda Detonautas). Ele é tão bom que jogaria de volante, meia, atacante... Não sei como nenhum empresário ainda não descobriu o quanto ele é craque.

E qual seria a seleção dos pernas-de-pau?
Putz, impossível responder essa. O Rockgol deve ser a maior concentração de pernas-de-pau da história do futebol. Seria uma tarefa impossível levantar só 11. Mas se eu tivesse que eleger um só, ele seria o Toni Garrido. Além de não jogar nada, o cara é chiliquento pra caramba. Brigava com o pessoal do time, com os adversários, com o árbitro, comigo, com a torcida...

O humor ajudou você a cativar o público feminino para o Rockgol. Você sempre teve esse dom de atrair as mulheres para os lugares menos prováveis?
Bom, vamos por partes. Em primeiro lugar, nossa mesa-redonda é de fato um reduto delas. Quase 50% da nossa audiência é formada por mulheres. Isso acontece porque até as mulheres que odeiam futebol acabam deixando o namorado ou o maridão assistirem, porque sabem que em alguma hora vão rir. Quanto ao meu charme, prefiro manter em sigilo.

Só o chinelinho dos jogadores tira o sorriso do rosto do apresentador do Rockgol

Nada disso. Todo mundo conhece seu lado apresentador, mas ninguém sabe do lado galanteador. Pode contar tudo!
Já que insiste... eu carrego dentro de mim um magnetismo capaz de atrair qualquer mulher. E isso vem desde que nasci, tanto é que minha mãe não me largou mais (risos).

Nesses programas, qual foi a maior saia-justa?
Outro dia teve uma engraçada. A gente convidou o Amaral, lembra? Aquele ex-coveiro, que prefere ser chamado de ex-agente funerário. O cara estava na Polônia e não fazia idéia do estilo do programa. Aí caiu de pára-quedas no meio da maior gozação e ficou super sem graça. Mas tem vários jogadores que adoram o programa, e que quando vêm participar, trazem piadas, provocam, zoam. O Marcos e o Rogério Ceni são dois ótimos exemplos.

O que você diria para os zagueiros que ainda estão naquela de deixar a barba por fazer, achando que vão intimidar os adversários?
Fácil: se barba fosse sinal de respeito, bode não tinha chifres!