2007 - EDIÇÃO 85

CERVEJA E FUTEBOL
Equipe Fatto Olé

Ninguém pode negar: a Dona Breja é a grande vedete da história do futebol. Merecida nas vitórias e necessária nas derrotas, a loira gelada está cada dia mais envolvida no dia-a-dia do esporte bretão. Só para você ter idéia, a Ambev investe cerca de R$ 10 milhões por ano na Seleção Brasileira. Quer mais? Então saiba que 20 das 32 seleções que disputaram a última Copa do Mundo tinham o respaldo financeiro de cervejarias internacionais.

Com o passar dos anos, a bebida mais apreciada por boleiros, torcedores e afins invadiu os gramados. E não só para curar a ressaca dos jogadores, mas principalmente para injetar dinheiro e tornar-se ainda mais popular pelo mundo afora. Para entender esse gigantesco porre na comunicação global e fazer você virar um especialista no assunto, o Fatto Olé pôs suas barbas de molho e entrevistou um expert no assunto. Falamos de Xavier Depuydt, cervejólogo belga radicado no Brasil desde 1996.

Um dos caras mais sortudos do planeta, Xavier vive de experimentar cervejas. E garante que a seleção número 1 no Mundial das brejas é a belga. “Lá existem as únicas seis ordens dos monges trapistas, que fazem as melhores cervejas da história”, justifica. O campeonato para o cervejeiro profissional seria bastante inchado, com bem mais do que as 32 seleções habituais, classificadas pela Fifa. “Temos pelo menos 115 cervejas de altíssima qualidade.”

A palavra de Xavier merece respeito, afinal, que outra pessoa sai de casa com missão tão gloriosa? “Todos os dias eu tomo banho, passo um perfuminho e minha mulher pergunta: aonde vai? Eu respondo: trabalhar!” De bate-pronto, como um atacante oportunista, ele assegura que a loira mais gostosa do mundo é a ‘Deus’. “Essa cerveja é produzida com os mesmos processos de uma champanhe. Ela começa a ser fabricada na Bélgica, e termina em Champagne, na França, com o preço médio de R$ 200”, explica o entendido, referindo-se a uma garrafa de 750ml.

É bom que os fabricantes da ‘Deus’ reforcem o quadro de funcionários e aumentem a produção, porque quando os boleiros lerem a matéria e descobrirem essa opção, vão chover pedidos. Vale lembrar que 90% dos jogadores são viciados numa gelada. Alguns têm verdadeira adoração, como o corintiano Vampeta, o palmeirense Marcos, o flamenguista Obina e o cruzeirense Araújo. Na casa deles, a geladeira está infestada de latinhas. Garrafas de água são itens em extinção. Pelo título da Copa Uefa, os brasileiros Luís Fabiano, Renato, Daniel Alves e Adriano dividiram com os companheiros de Sevilla 7.200 garrafas de cerveja, dadas de presente por um fábrica espanhola.


Efeito do álcool – É curioso observar que, apesar da relação íntima entre futebol e cerveja, os bons resultados em campo são estreitamente inversos ao consumo. Não entendeu? Então explicamos. Vice-líder do ranking da Fifa e cinco vezes campeão mundial, o Brasil aparece apenas na 33ª colocação entre os países que mais consomem cerveja, com uma média pessoal de 108 litros por ano.

Com essa posição, o Brasil sequer teria a chance de disputar o próximo Mundial, se o critério passasse a ser a breja. E entre os cinco primeiros colocados na hora de tomar a loira gelada, quatro são bem fraquinhos com a bola nos pés. A República Checa é líder com 156 litros por ano, seguida por Irlanda, Austrália e Áustria. Eterna rival do Brasil dentro das quatro linhas, a Alemanha é a exceção no ranking de consumo, ao aparecer no terceiro lugar.

10 coisas que você merece saber sobre a Dona Breja
1 - A cerveja é quase pura água. Cerca de 92% de sua composição são de H20. Para se ter uma idéia, numa lata de 350 ml, apenas 28 ml são de álcool
2 - Especialistas avisam: até duas latas de cerveja por dia fazem bem. Isso porque melhora a circulação, aumenta o nível de colesterol bom e dilata os vasos
3 - Engana-se quem pensa que o colarinho é apenas enfeite. Ele tem a função de atuar como isolante térmico e preservar os aromas e o gás carbônico da loira
4 - O Rio de Janeiro é o estado brasileiro que mais consome cerveja – cerca de 90,5 litros por pessoa no ano. Em seguida vêm Tocantins e São Paulo
5 - A Pilsen é a bebida mais tomada em território nacional. Ela combina muito bem com o tradicional lanche de pernil servido na porta dos estádios
6 - Qual a diferença do chope e da cerveja? O chope sofre a pasteurização, choque térmico utilizado para eliminar os germes patogênicos da bebida
7 - Para dar um pouco de alegria a seus soldados na Segunda Guerra, os britânicos construíram um navio-cervejeiro capaz de fabricar 250 barris por semana
8 - O ritual para se tomar cerveja na Antiguidade era dos mais estranhos: as pessoas se reuniam e a bebiam com canudinho, em jarros de barro
9 - A cerveja de maior teor alcoólico do mundo é a Samuel Adams Utopias, com 25%. Ela lembra um blend de conhaque ou de vinho do Porto
10 - A explicação para o fato de a cerveja fazer mais espuma no copo de plástico do que no de vidro é simples: a água da bebida interage melhor com o vidro