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Se há no futebol um homem que fala o que
pensa, esse homem é Vampeta. O baiano representa
a imagem da alegria e da liberdade, coisa que
só é possível quando o falso
moralismo é colocado de lado. O Velho Vamp
é camarada do Fatto Olé
e sua entrevista é mais do que na base
do muito à vontade. Durante quase uma hora
de conversa franca consegui invadir sua alma especialmente
para mostrar os dois lados da personalidade de
um personagem que não tem rabo preso com
ninguém. “A única coisa que
faço é tentar aproveitar ao máximo
a vida, sempre”, conta o campeão
mundial com a Seleção e o Corinthians.
“Se tem uma festa eu vou mesmo, se quero
comprar alguma coisa eu compro mesmo, se estou
com vontade de beber eu bebo mesmo”. Bom,
então só nos resta seguir a leitura...
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| Vampeta
é presença certa na noite
paulista |
Qual o lado do Vampeta que ninguém conhece?
Humm...
Acho que o lado familiar. Todo mundo me vê
como um cara provocador, baladeiro, polêmico,
mas também curto ficar em casa, conversar
com a minha família. Ligo para eles direto,
mantenho contato total. É engraçado
porque são duas vidas completamente distintas.
Até o nome muda: para o pessoal lá
de casa eu sou o Marcos André.
Quantas
pessoas dependem de você?
Ih, um monte. Você sabe, né: família
baiana é imensa. Lá em Nazaré
das Farinhas não é diferente. Eu
sempre dou uma força para meus irmãos,
sobrinhos, tios. Não deixo faltar nada
para eles, não.
Mas
então esta história de que você
voltou ao futebol porque está quebrado
é mentira?
É claro que é. Não sou bilionário,
só que não me falta dinheiro, não.
Sempre gastei bastante, mas nunca tudo. Posso
até ter cara de bobo, mas não sou
(risos). E hoje estou bem. Tenho uma casa bem
legal no Tatuapé, outros imóveis
na Bahia, toco uns negócios fora do futebol
e vivo numa condição bacana.
O
Vampeta chora?
Só chorava quando era pequeno. E olha lá.
Atualmente não choro mais, apesar de ficar
triste com a desigualdade social, com a pobreza,
com o preconceito. Como todos sabem, eu sou mais
de dar risada.
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| Volante
fez sucesso em seu ensaio para uma revista
gay |
E
teme a velhice?
Nada. Sei que ela vai chegar para mim, para você,
para o seu Alberto (Dualib, presidente do Corinthians)...
Então eu encaro na boa. A única
coisa que faço é tentar aproveitar
ao máximo a vida, sempre. Se tem uma festa
eu vou mesmo, se quero comprar alguma coisa eu
compro mesmo, se estou com vontade de beber eu
bebo mesmo. E por aí vai.
Você
aceitaria fazer um filme pornô e doar todo
o cachê para uma instituição
de caridade?
(Risos incontidos) Essa é sensacional,
hein. Filme pornô não é minha
praia, mas não sou de fugir dos desafios.
Acho que a grande questão aí seria:
qual mulher contracenaria comigo no filme? Se
fosse alguma gata, eu topava na hora. Agora se
fosse uma baranga ia ter que pensar melhor.
Nem
em nome dos mais necessitados?
(Pensativo) O Velho Vamp tem bom coração.
Eu toparia, sim.
Já
que falamos em mulheres, abre o jogo: você
pegou muita mulher feia?
Quem nunca pegou? Afinal de contas, muitas baladas
são escuras, as bebidas às vezes
fazem você perder o senso de beleza... Mas
ultimamente a fase mudou, viu. A mulherada é
de alto nível.
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| Ele
luta contra a balança para voltar
a jogar |
O
que mais te incomoda no futebol?
A con-cen-tra-ção! Eu odeio concentração.
Não tem coisa pior no mundo. Acaba com
casamento, acaba com o bom-humor do jogador, acaba
com o clima bom entre os atletas. Imagina começar
a se concentrar na segunda à noite para
o jogo de quarta, e depois já voltar pro
hotel na sexta, para o jogo de domingo... É
por isso que tem tanto jogador corno. A mulher
em casa acaba acionando o Ricardão.
Se
tem corno no futebol, tem gay também?
Ah, claro que tem. Mas a galera é bastante
enrustida. Nosso meio é muito machista,
então as bibas ficam com medo.
Com
toda sua ousadia, teria coragem de assumir se
você fosse?
Não existe essa possibilidade (risos).
Aumentou
o número de homossexuais dando em cima
de você depois que posou na Revista G?
Não muito. Os caras sabem que eu só
fiz o trabalho por causa do dinheiro, e que minha
praia é outra. O que aumentou foi o número
de mulheres atrás de mim. Por isso, dá
para dizer que foi bem legal ter posado.
Tem
gente te chamando de Zeca Pagodinho, pelo fato
de estar meio gordinho...
Pô, para mim seria sensacional estar na
pele dele. O cara é um dos maiores compositores
do Brasil, tem uma voz maravilhosa, leva a vida
que pediu a Deus, está rico e sempre cercado
de mulheres lindas. Melhor ser comparado com o
Zeca Pagodinho do que ter a cara do Marco Aurélio
Cunha (superintendente de futebol do São
Paulo). Ia ser uma tragédia (risos).
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| Vamp
já atuou na Inter de Milão
e no futebol holandês |
De
que dirigente você não compraria
um carro usado?
É mais fácil dizer de qual dirigente
eu compraria um carro, viu. Porque no futebol
brasileiro tem muito picareta. Uma das minhas
frases mais polêmicas, e olha que eu já
cansei de me meter em polêmica, foi numa
época em que jogava no Flamengo e o salário
vivia atrasado. Aí eu lancei: eles fingem
que me pagam e eu finjo que jogo. Deu o maior
reboliço, mas era a mais pura verdade.
A
nova geração de jogadores é
melhor do que a sua?
Nem a pau. Só se for no vídeo-game.
E essa é uma coisa que está acabando
com os garotos. Eu vejo os caras passando a madrugada
inteira com o controle na mão. Eles não
têm qualquer envolvimento com o clube e
só pensam no joguinho de futebol do vídeo-game.
Por exemplo: se você perguntar para todos
os jogadores quais serão os três
próximos adversários, nem 5% vão
saber. Na minha época a gente fugia da
concentração, pegava a mulher, ficava
cansado e voltava pra dormir. Hoje em dia os caras
varam a madrugada e só vão dormir
de dia. O futebol fica em último plano.
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