2007 - EDIÇÃO 84

OS ANJOS E DEMÔNIOS DE VAMPETA
Por Jorge Nicola

Se há no futebol um homem que fala o que pensa, esse homem é Vampeta. O baiano representa a imagem da alegria e da liberdade, coisa que só é possível quando o falso moralismo é colocado de lado. O Velho Vamp é camarada do Fatto Olé e sua entrevista é mais do que na base do muito à vontade. Durante quase uma hora de conversa franca consegui invadir sua alma especialmente para mostrar os dois lados da personalidade de um personagem que não tem rabo preso com ninguém. “A única coisa que faço é tentar aproveitar ao máximo a vida, sempre”, conta o campeão mundial com a Seleção e o Corinthians. “Se tem uma festa eu vou mesmo, se quero comprar alguma coisa eu compro mesmo, se estou com vontade de beber eu bebo mesmo”. Bom, então só nos resta seguir a leitura...

Vampeta é presença certa na noite paulista

Qual o lado do Vampeta que ninguém conhece?
Humm... Acho que o lado familiar. Todo mundo me vê como um cara provocador, baladeiro, polêmico, mas também curto ficar em casa, conversar com a minha família. Ligo para eles direto, mantenho contato total. É engraçado porque são duas vidas completamente distintas. Até o nome muda: para o pessoal lá de casa eu sou o Marcos André.

Quantas pessoas dependem de você?
Ih, um monte. Você sabe, né: família baiana é imensa. Lá em Nazaré das Farinhas não é diferente. Eu sempre dou uma força para meus irmãos, sobrinhos, tios. Não deixo faltar nada para eles, não.

Mas então esta história de que você voltou ao futebol porque está quebrado é mentira?
É claro que é. Não sou bilionário, só que não me falta dinheiro, não. Sempre gastei bastante, mas nunca tudo. Posso até ter cara de bobo, mas não sou (risos). E hoje estou bem. Tenho uma casa bem legal no Tatuapé, outros imóveis na Bahia, toco uns negócios fora do futebol e vivo numa condição bacana.

O Vampeta chora?
Só chorava quando era pequeno. E olha lá. Atualmente não choro mais, apesar de ficar triste com a desigualdade social, com a pobreza, com o preconceito. Como todos sabem, eu sou mais de dar risada.

Volante fez sucesso em seu ensaio para uma revista gay

E teme a velhice?
Nada. Sei que ela vai chegar para mim, para você, para o seu Alberto (Dualib, presidente do Corinthians)... Então eu encaro na boa. A única coisa que faço é tentar aproveitar ao máximo a vida, sempre. Se tem uma festa eu vou mesmo, se quero comprar alguma coisa eu compro mesmo, se estou com vontade de beber eu bebo mesmo. E por aí vai.

Você aceitaria fazer um filme pornô e doar todo o cachê para uma instituição de caridade?
(Risos incontidos) Essa é sensacional, hein. Filme pornô não é minha praia, mas não sou de fugir dos desafios. Acho que a grande questão aí seria: qual mulher contracenaria comigo no filme? Se fosse alguma gata, eu topava na hora. Agora se fosse uma baranga ia ter que pensar melhor.

Nem em nome dos mais necessitados?
(Pensativo) O Velho Vamp tem bom coração. Eu toparia, sim.

Já que falamos em mulheres, abre o jogo: você pegou muita mulher feia?
Quem nunca pegou? Afinal de contas, muitas baladas são escuras, as bebidas às vezes fazem você perder o senso de beleza... Mas ultimamente a fase mudou, viu. A mulherada é de alto nível.

Ele luta contra a balança para voltar a jogar

O que mais te incomoda no futebol?
A con-cen-tra-ção! Eu odeio concentração. Não tem coisa pior no mundo. Acaba com casamento, acaba com o bom-humor do jogador, acaba com o clima bom entre os atletas. Imagina começar a se concentrar na segunda à noite para o jogo de quarta, e depois já voltar pro hotel na sexta, para o jogo de domingo... É por isso que tem tanto jogador corno. A mulher em casa acaba acionando o Ricardão.

Se tem corno no futebol, tem gay também?
Ah, claro que tem. Mas a galera é bastante enrustida. Nosso meio é muito machista, então as bibas ficam com medo.


Com toda sua ousadia, teria coragem de assumir se você fosse?
Não existe essa possibilidade (risos).


Aumentou o número de homossexuais dando em cima de você depois que posou na Revista G?
Não muito. Os caras sabem que eu só fiz o trabalho por causa do dinheiro, e que minha praia é outra. O que aumentou foi o número de mulheres atrás de mim. Por isso, dá para dizer que foi bem legal ter posado.


Tem gente te chamando de Zeca Pagodinho, pelo fato de estar meio gordinho...
Pô, para mim seria sensacional estar na pele dele. O cara é um dos maiores compositores do Brasil, tem uma voz maravilhosa, leva a vida que pediu a Deus, está rico e sempre cercado de mulheres lindas. Melhor ser comparado com o Zeca Pagodinho do que ter a cara do Marco Aurélio Cunha (superintendente de futebol do São Paulo). Ia ser uma tragédia (risos).

Vamp já atuou na Inter de Milão e no futebol holandês

De que dirigente você não compraria um carro usado?
É mais fácil dizer de qual dirigente eu compraria um carro, viu. Porque no futebol brasileiro tem muito picareta. Uma das minhas frases mais polêmicas, e olha que eu já cansei de me meter em polêmica, foi numa época em que jogava no Flamengo e o salário vivia atrasado. Aí eu lancei: eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo. Deu o maior reboliço, mas era a mais pura verdade.


A nova geração de jogadores é melhor do que a sua?
Nem a pau. Só se for no vídeo-game. E essa é uma coisa que está acabando com os garotos. Eu vejo os caras passando a madrugada inteira com o controle na mão. Eles não têm qualquer envolvimento com o clube e só pensam no joguinho de futebol do vídeo-game. Por exemplo: se você perguntar para todos os jogadores quais serão os três próximos adversários, nem 5% vão saber. Na minha época a gente fugia da concentração, pegava a mulher, ficava cansado e voltava pra dormir. Hoje em dia os caras varam a madrugada e só vão dormir de dia. O futebol fica em último plano.

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