2007 - EDIÇÃO 83

VAMOS FALAR DE SEXO?
Equipe Fatto Olé - Fotos: Renato Prado

Vocês já sabem que o Fatto Olé é puro êxtase. Porém, a grande transa da semana é que a nossa equipe rasgou a fantasia e invadiu o ‘Ponto P’ de Penélope Nova, a VJ que se transformou em referência de comportamento sexual. Foi um prazer incomensurável, é claro! O barato é que muito tem sido feito e dito, embaixo, sobre e dentro da cama, mas pouca gente conhece essa mulher, de 33 anos e 23 tatuagens, que revolucionou o conceito de baiana arretada. Estamos na sala da casa da Pê, no Sumaré, em São Paulo, rodeados por suas grandes paixões: as cadelas Olga, Úrsula, Gisele e Consuelo. Bom, a nossa missão é quebrar alguns tabus – se é que eles ainda existem. Sexo, drogas, rock’n’roll e muito futebol. Divirta-se com a gente!

Foto: Renato Prado
Podem apostar: Penélope é caseira e romântica

Pê, ainda existe alguma pergunta sem resposta na sua enciclopédia sexual?
Ahhhh, muitas! Sou uma pessoa bem mais careta do que parece. Quando o assunto é sexo, tem muita coisa difícil de entender e de engolir, como, por exemplo, o papo da traição.

Qual a experiência mais bizarra da sua vida?
Olha, definitivamente o bizarro não me atrai na questão sexual. Mas ter deixado a Consuelo me lamber 450 vezes seguidas sem parar foi uma situação que as pessoas consideram muito bizarra.

Você é muito assediada?
Assédio direto não, é raro. Sou bastante paquerada, mas o pessoal não chega. Acontece que eu sou muito caseira e casada. Isso dificulta o acesso.

Foto: Renato Prado
Especialista em carinhos e lambidas

Mais por homens ou por mulheres?
As mulheres são bem mais ousadas nesse quesito. A verdade é a seguinte: como eu dou muito esporro nos homens, eles têm medo de mim. Sabe aquela coisa de “fala o que quer, ouve o que não quer?” Então, comigo é assim!

Olha só, o Quentin Tarantino ganharia um Oscar caso vocês se conhecessem...
(Risos) Puxa! Seria ótimo fazer um filme com o Tarantino. Um sonho, imagine... Seria um VMA, a melhor cena de luta, com muito sangue, já que falamos do mestre da violência.

Foto: Renato Prado
Uma casa aconchegante e delicada

Falando em cinema, qual a imagem de um filme que vem a sua mente agora?
Gosto muito de Woody Allen, e o “Match Point” é o melhor filme dos últimos dez anos, com certeza. Eu acho fantástica a cena em que a aliança do Chris (Jonathan Rhys Meyers) não cai no rio porque bate na grade e volta. Esse lance do acaso, a falta de controle sobre a vida, do desejo e da degeneração da moral são assuntos que eu amo.

O que significa a palavra tabu no seu dicionário?
O tabu, para mim, vem do medo. É uma repressão que inibe seu interesse, sem te dar a chance de questionar. Acho importantíssimo o contato direto ou mesmo indireto (na forma de reflexão) sobre qualquer assunto, inclusive sobre sexo.

E onde entra a felicidade?
A felicidade tem sinônimo: estar plena de saúde, amor e ter grana suficiente para pagar minhas contas é ser feliz. Aliás, é como me sinto hoje. Tenho o Marcelo (marido), trabalho com o que eu gosto e ganho o suficiente para viver legal. Eu até precisaria me preocupar mais, querer mais... Essa casa, por exemplo, é alugada. Acontece que eu sou muito desligada quando o assunto é grana e como já fui católica, acredito naquela coisa de recompensa, sabe?

Foto: Renato Prado
Ela fala de política a futebol com naturalidade e descontração

Se você fosse passar um ano isolada em uma ilha e pudesse levar um livro, um filme, um CD e uma pessoa, quais seriam?
Nossa, ficar isolada em uma ilha é cruel! A pessoa seria o Marcelo, sem dúvida. Um CD que eu adoro é o The Twilight Singer, do Greg Dulli (ex-vocalista da banda Afghan Whigs). O filme e o livro são mais complicados... mas vou escolher pelo lado sentimental. O Pássaro Azul é um clássico infantil, que assisto até hoje, e O Perfume (romance de Patrick Sünskind) é um livro bacana primeiro porque eu “piro” em cheiro e segundo porque marcou minha vinda da Bahia pra São Paulo.

Já usou tarja preta?
Ahhh não! Drogas só com função recreativa, né?

E para quem você prescreveria?
Não desejo isso para ninguém, de verdade! Mas, como percebi o viés sarcástico da pergunta, receito para o pessoal da redação que mandou essa perguntinha cruel. (Risos) Pronto!

Foto: Renato Prado
Frente e verso. Para a nação corintiana

Se alguém lhe desse uma bela grana para tocar um trabalho sem censura, o que faria?
Provavelmente nada do que vocês imaginam... Talvez uma assistência sobre sexo, para as pessoas marginalizadas. Um projeto de grandes proporções, com direito ao “apoio da Petrobrás” e tudo! Porque assim como a saúde e a educação, o sexo também é uma necessidade. O problema é que, para conseguir isso, precisaria lidar com muita gente babaca, que eu não faço a menor questão de agradar. Tenho medo de jogar pérolas aos porcos.

Você sabe que os leitores do Fatto Olé também querem saber de futebol, né?
Olha, sou corintiana com direito à camiseta com meu nome e tudo. Faço parte do melhor tipo de corintiana, aquela ex-pó-de-arroz. Graças a Deus, fui salva de torcer pelo São Paulo.

O que o futebol representa na sua vida?
Futebol é acima de tudo diversão. Adoro assistir jogo em estádio. Minha sorte é que eu moro perto do Pacaembu e, além de ser o melhor estádio do País, também é do Corinthians, por apropriação, óbvio! Porque desde que o futebol virou congresso e política, eu me afastei um pouco e passei a encarar como um evento.

Foto: Renato Prado
O Fatto Olé colocou Penélope no divã

Qual foi a maior bola no ângulo da sua carreira?
Acredito que é conseguir dormir todos os dias com a consciência tranqüila. Essa é minha única preocupação. Fora isso, o acaso é quem manda na minha vida. Todos os outros gols aconteceram enquanto eu amarrava o cadarço da chuteira e a bola batia sem querer no meu calcanhar (risos).

E gol contra?
Olha, já errei muito. Mas nada importante a ponto de me vir na cabeça agora.

Foto: Renato Prado
Inquieta, Pê fala, senta, levanta e mexe nos enfeites ao mesmo tempo

Pô, o Romário fica se vangloriando pelos mil gols, mas a Bruna Surfistinha disse para nossa equipe que já fez mais de três mil, se é que você me entende... E você, também é goleadora?
Puxa! Graças a Deus, não! Não poderia nem tentar entrar para os juniores do time da Bruna Surfistinha. O pior é que ouvir isso da Bruna faz toda a diferença, porque ela se tornou uma figura representativa. Eu perco a compostura diante dessa glamorização do sexo, dessa história de que é bacana e fácil ganhar dinheiro assim. Mas essa é só a minha visão.

Para encerrar, faça um pedido ao gênio da lâmpada mágica!
Ai meu Deus, por que é assim? Isso é muito difícil. Agora, eu realmente quero comprar a minha casa. Eu preciso de mais espaço verde, sem exageros, claro. Além do que, estamos falando de gênio!