2007 - EDIÇÃO 81

PAPA BOM DE BICO
Por Jorge Nicola

Se o assunto que tomou conta dos noticiários nos últimos dias foi a visita do papa Bento XVI ao Brasil, o Fatto Olé não podia ficar para trás. Numa viela de São Paulo, encontramos a fotocópia do alemão. Trata-se de Moacir Rodrigues, de 66 anos, um pontífice-cover muito bom de bico, que fala com exclusividade de sua paixão pelo Palmeiras e sobre assuntos do cotidiano, como camisinha, pecado e até os milagres da vida. Tudo isso, é claro, com uma boa dose de humor!

Foto: Marcos Riboli/Globoesporte.com
Moacir Rodrigues em visita ao Palmeiras

É pecado ganhar a vida como falso papa?
MOACIR: Não, claro que não. Até porque eu uso minha semelhança física com o papa para levar a palavra da igreja ao maior número de pessoas. Não pretendo em hipótese alguma denegrir os católicos. Pelo contrário: meu negócio é trazer os jovens e aqueles não praticantes para dentro da igreja.

É uma dádiva de Deus ser parecido com o Bento XVI?
Eu acho que sim, e sinto orgulho disso. Ruim seria se eu fosse parecido com um bandido, um marginal, um estuprador... Outro dia estive num programa de TV digital e fui entrevistado por um médico. Com o conhecimento que tem, e depois de ver o quanto semelhante ao papa eu sou, ele disse que acredita na possibilidade de sermos de uma mesma família num passado não muito distante.

Mas ser sósia já te causou alguma saia-justa?
Você está querendo saber se alguma beata já tentou me dar uns tapas, né (risos)? É claro que tem um pessoal que não gosta, acha ruim e até reclama, mas não chega a agredir, não. Eu respondo que sou apenas um ator, interpretando o papa.

O que você fazia da vida quando o Bento XVI ainda não era papa?
Fui policial por 32 anos e desde que me aposentei eu comprei um comércio, que vende embalagens plásticas. Nesse meio tempo também fiz palestras em escolas e movimentos estudantis, levando orientação aos jovens sobre o perigo das drogas.

Foto: Marcos Riboli/Globoesporte.com
Sósia do papa trabalha como comerciante

Na hora das vendas, ajuda ter a cara do papa?
E muito. Tem alguns clientes que já entram na loja e começam a rir, por reconhecerem. Eu crio um clima legal e até abençôo todo mundo, o que acaba facilitando demais na hora de vender. Quando alguma pessoa não percebe minha semelhança com o papa, eu mostro um cartão com a foto e o nome dele. Aí é só gargalhada. E a certeza de que vou empurrar a mercadoria.

Essa pergunta é inevitável: você transa sem camisinha?
Então, atualmente eu transo sem camisinha, sim. Até porque minha esposa fez laqueadura. Antes, quando éramos mais novos, usávamos camisinha, porque a gente já tinha um filho. Só que o que as pessoas esquecem que a vontade de Deus prevalece. A maior prova é que a camisinha estourou e tivemos a Maderleine, uma filha maravilhosa, e que já me deu dois netinhos.

Qual foi seu maior pecado?
Vou ser obrigado a confessar que tenho dificuldade em relação ao sexo. Como diz a Bíblia, se o espírito é forte, a carne é fraca. Eu tenho vontade de ficar apreciando as meninas e moças que são bonitas, mas procuro me policiar. Oro muito para desviar o foco. Não dá para só pensar naquilo, né?

Foto: Marcos Riboli/Globoesporte.com
Cover do Bento XVI sonha em ver o goleiro Marcos curado das dores no pulso

Como Bento XVI brasileiro, você acredita em milagre?
Sem dúvida. Nada acontece por acaso e por isso vemos a cada dia novos fenômenos. Vai muito da fé da pessoa que recebe o milagre ou daquela que solicita. Acredito que muitas vezes os milagres acontecem para aumentar a fé e humanizar, mostrar que há coisas que não compreendemos.

Se você encontrasse o Lula, que pedido faria a ele?
Primeiro quero deixar claro que não votei no Lula. Não gosto muito dele como político, mas se eu o encontrasse, diria para tomar conta dos brasileiros com mais cuidado. Nós merecemos tratamento diferenciado. Ah, e também daria um pitaco em política: ele tem de pensar em alternativas para solucionar os problemas do povo do campo, para que não venham para a cidade.

Usando seus poderes mediúnicos, qual é o palpite para o campeão brasileiro?
Evidentemente que depois do advento da chegada do papa, com a intensificação da fé do nosso povo, creio que seja o meu Palmeiras. Já fui no clube, estive na sala do presidente (Afonso Della Mônica) e passei fluídos positivos. Voltaremos aos bons tempos com certeza.

Que jogador você rezaria para que fosse contratado pelo Palmeiras?
Ah, eu queria ver o Baixinho ao lado do Edmundo. Já pensou um ataque com Romário e Ed? O Romário é uma figura extraordinária. Adoro o gingado dele, a capacidade para marcar gols. Teríamos o ataque mais respeitado do Brasil.

Foto: Marcos Riboli/Globoesporte.com
Com muita fé, o palmeirense acredita no
título de seu time no Brasileirão

Responda na lata: Deus é brasileiro?
Sim, sim, sim. Achamos que Deus é brasileiro, pois o povo brasileiro é simpático, alegre, e temos um país abençoado. Afinal de contas aqui não tem furacão, terremoto, vulcão ativo, inverno pesado... E o Brasil também é o país com o maior número de católicos do mundo.

Moacir, o papa é pop?
(Risos) Em vários lugares me cantam a musiquinha do ‘papa é pop, o pop é papa’. O que dá para dizer é que esse papa atual é legal, sim. E ele tem a missão de fazer com que a igreja não se torne um museu, ou seja, a casa de Deus não pode virar um lugar apenas para visitação, em que as pessoas vão para olhar a arquitetura, os móveis. Tem que ser a casa deles, também.

Pegadinha do Olé: quantos animais Moisés levou para a arca?
(Risos) Hum, deixo fazer as contas. Dizem que ele levou um casal de cada espécie existente na época, então tinham macacos, cachorros, leões... não podemos esquecer dos mosquitos, das pulgas e dos piolhos que também estavam lá.

Mas de quem era a arca?

(Pensativo) Ah, você me pegou. A arca é do Noé (risos). Não se faz isso com o papa, meu filho.