Se
a vida fosse um eterno agente de viagens, o goleiro
da Seleção Brasileira Gomes seria o verdadeiro
turista. Também o cara mora no centro da Europa,
com muito dinheiro no bolso, fama e a interminável
curiosidade de conhecer todas as culturas do Velho Continente.
Pronto! O boleiro, que acaba de comemorar o título
holandês pelo PSV Eindhoven, aproveita as folgas
para cair na estrada. “Sou um mochileiro assumido”,
conta o jogador. Pois é, Gomes dá uma
caroninha exclusiva para você sentar na janelinha.
Aperte os cintos.
O que não pode faltar na sua mochila?
GOMES - A máquina fotográfica,
em primeiro lugar. Levo poucas roupas e muita água.
Seguindo aquele ditado de quem tem boca vai a Roma,
consigo me virar maravilhosamente bem como turista.
A maior preocupação rola quando eu vou
passar a noite fora de casa. Aí já começo
a procurar algum hotel no final da tarde, para não
correr riscos. Mas é bem tranqüilinho.
O bom é que a Holanda fica no centro
da Europa...
A localização é ótima. Eu
e o Alex (ex-zagueiro do Santos) estamos viajando quase
todo fim de semana, cada hora para um lugar diferente.
A gente chega a qualquer país em pouquíssimo
tempo. Para Paris, por exemplo, dá para fazer
em 3h30 de carro. Eu já fui para tudo quanto
é cidade da Europa.
Qual destino você indicaria agora para
um amigo?
Ah, Roma. Eu e minha mulher ficamos encantados com a
beleza de cada uma das construções da
cidade. É disparado o lugar para onde mais vamos.
Amei o Vaticano, a Basílica de São Pedro...
Impressiona saber que a cidade tem quase três
mil anos e consegue mesclar coisas superantigas com
outras repletas de modernidade. Paris também
é demais.
Você já caiu na estrada para curtir
com a galera da Seleção?
Estou tentando há um tempão fazer um mochilão
com o pessoal. Converso direto pelo MSN com Kaká,
Ronaldinho, Maicon e Cris. A intenção
era escolher um lugar e viajar com todo esse pessoal,
para curtir mesmo. Só que nossas agendas são
completamente diferentes, porque enquanto o PSV está
de folga, o Milan tem jogo e a Inter, por exemplo, está
viajando. Mas eu ainda não desisti, não.
E o turismo aí na Holanda?
A Holanda é engraçada, pois no verão
tudo funciona, é um país animadíssimo,
cheio de atrações. Só que no inverno
parece que tudo pára e chega a dar um baita desânimo,
sabe? Não é impossível ficar depressivo
aqui, diante de tanta calmaria. Os lugares mais bacanas
da Holanda são Amsterdã e um lugar chamado
Madurodam. É uma cidade em miniatura que reproduz
toda a Holanda. Eu recomendo, pois achei um barato.

Abre o jogo: como são as holandesas?
São maravilhosas de rosto. E elas aqui respeitam
mais do que as mulheres brasileiras, pelo menos na questão
do assédio. Mas prefiro as nossas, principalmente
a minha. Até porque quando se fala em curvas,
as brasileiras são insuperáveis (risos).
E o fato de as drogas serem liberadas?
Não muda nada para mim. Sei que há pontos
onde eles podem consumir as drogas, mas nem passo perto.
A grande diferença é que aqui tudo funciona,
as pessoas são civilizadas e até um negócio
desse não dá problema. Também,
se um cara fizer m... aqui, vai ser pego e pagará
as conseqüências. Isso pesa, né?
O que dá para fazer num sábado
à noite em Eindhoven?
Qualquer coisa que não seja em público.
Uma vez tentei ir num barzinho, numa rua bem agitada
daqui, mas me cercaram, ficaram pedindo autógrafo,
rolou a maior muvuca... Depois, nunca mais. Quando eu
quero sair, reúno os outros sul-americanos do
PSV (Alex, Diego Tardelli, Alcides, Farfan e Mendez)
e vou num restaurante chamado El Pátio Andaluz.
O Ronaldo e o Romário não saíam
de lá, e se tornou um lugar meio para brasileiros.
Eu recomendo.
Bom, vamos falar um pouco sobre futebol. Na
Europa, somente o brasileiro que joga no ataque costuma
ser respeitado. Você sofreu preconceito?
No início, sim. Rolou um preconceito grande,
porque não conseguiam entender a contratação
do PSV. O time que já havia tido Romário
e Ronaldo estava trazendo do Brasil um goleiro? Na época
eu falei que era direito de todos desconfiarem, mas
pedi três meses de paciência. Hoje sou titular
absoluto, goleiro da Seleção e estou terminando
o campeonato como o quinto melhor jogador do Campeonato
Holandês.

É verdade que você virou Gomes,
o Grande?
(Risos) É, sim. No começo do ano, até
me fizeram uma homenagem. Coisa que nem o Romário
e o Ronaldo tiveram. Foi no dia 20 de janeiro. Quando
entrei no campo, toda a arquibancada que fica atrás
de um gol abriu uma baita bandeira do Brasil. Também
tinha uma faixa em cima escrita: 'Gomes, o Grande'.
Para completar, eles mostraram também duas luvas
imensas.
Qual foi o melhor atacante que você já
enfrentou?
Putz... essa é difícil. Já
enfrentei atacantes bons demais nessa vida. Mas se tiver
que escolher três, fico com Kaká, Schevechenko
e Henry. Eles pensam mais rápido até que
o goleiro. É incrível. Os caras ainda
colocam a bola onde querem. Aí só rezando.
Agora você vai ficar na marca do pênalti:
dizem que goleiro é gay ou louco. Você
está mais para o quê?
(Risos) Sou louco, mas não rasgo nota de 100.
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