2007 - EDIÇÃO 80

ESSE GOLEIRO É UMA VIAGEM
Por Jorge Nicola

Se a vida fosse um eterno agente de viagens, o goleiro da Seleção Brasileira Gomes seria o verdadeiro turista. Também o cara mora no centro da Europa, com muito dinheiro no bolso, fama e a interminável curiosidade de conhecer todas as culturas do Velho Continente. Pronto! O boleiro, que acaba de comemorar o título holandês pelo PSV Eindhoven, aproveita as folgas para cair na estrada. “Sou um mochileiro assumido”, conta o jogador. Pois é, Gomes dá uma caroninha exclusiva para você sentar na janelinha. Aperte os cintos.

Foto: Divulgação O que não pode faltar na sua mochila?
GOMES - A máquina fotográfica, em primeiro lugar. Levo poucas roupas e muita água. Seguindo aquele ditado de quem tem boca vai a Roma, consigo me virar maravilhosamente bem como turista. A maior preocupação rola quando eu vou passar a noite fora de casa. Aí já começo a procurar algum hotel no final da tarde, para não correr riscos. Mas é bem tranqüilinho.

O bom é que a Holanda fica no centro da Europa...
A localização é ótima. Eu e o Alex (ex-zagueiro do Santos) estamos viajando quase todo fim de semana, cada hora para um lugar diferente. A gente chega a qualquer país em pouquíssimo tempo. Para Paris, por exemplo, dá para fazer em 3h30 de carro. Eu já fui para tudo quanto é cidade da Europa.

Qual destino você indicaria agora para um amigo?
Ah, Roma. Eu e minha mulher ficamos encantados com a beleza de cada uma das construções da cidade. É disparado o lugar para onde mais vamos. Amei o Vaticano, a Basílica de São Pedro... Impressiona saber que a cidade tem quase três mil anos e consegue mesclar coisas superantigas com outras repletas de modernidade. Paris também é demais.

Você já caiu na estrada para curtir com a galera da Seleção?
Estou tentando há um tempão fazer um mochilão com o pessoal. Converso direto pelo MSN com Kaká, Ronaldinho, Maicon e Cris. A intenção era escolher um lugar e viajar com todo esse pessoal, para curtir mesmo. Só que nossas agendas são completamente diferentes, porque enquanto o PSV está de folga, o Milan tem jogo e a Inter, por exemplo, está viajando. Mas eu ainda não desisti, não.

E o turismo aí na Holanda?
A Holanda é engraçada, pois no verão tudo funciona, é um país animadíssimo, cheio de atrações. Só que no inverno parece que tudo pára e chega a dar um baita desânimo, sabe? Não é impossível ficar depressivo aqui, diante de tanta calmaria. Os lugares mais bacanas da Holanda são Amsterdã e um lugar chamado Madurodam. É uma cidade em miniatura que reproduz toda a Holanda. Eu recomendo, pois achei um barato.

Foto: Divulgação Abre o jogo: como são as holandesas?
São maravilhosas de rosto. E elas aqui respeitam mais do que as mulheres brasileiras, pelo menos na questão do assédio. Mas prefiro as nossas, principalmente a minha. Até porque quando se fala em curvas, as brasileiras são insuperáveis (risos).

E o fato de as drogas serem liberadas?
Não muda nada para mim. Sei que há pontos onde eles podem consumir as drogas, mas nem passo perto. A grande diferença é que aqui tudo funciona, as pessoas são civilizadas e até um negócio desse não dá problema. Também, se um cara fizer m... aqui, vai ser pego e pagará as conseqüências. Isso pesa, né?

O que dá para fazer num sábado à noite em Eindhoven?
Qualquer coisa que não seja em público. Uma vez tentei ir num barzinho, numa rua bem agitada daqui, mas me cercaram, ficaram pedindo autógrafo, rolou a maior muvuca... Depois, nunca mais. Quando eu quero sair, reúno os outros sul-americanos do PSV (Alex, Diego Tardelli, Alcides, Farfan e Mendez) e vou num restaurante chamado El Pátio Andaluz. O Ronaldo e o Romário não saíam de lá, e se tornou um lugar meio para brasileiros. Eu recomendo.

Bom, vamos falar um pouco sobre futebol. Na Europa, somente o brasileiro que joga no ataque costuma ser respeitado. Você sofreu preconceito?
No início, sim. Rolou um preconceito grande, porque não conseguiam entender a contratação do PSV. O time que já havia tido Romário e Ronaldo estava trazendo do Brasil um goleiro? Na época eu falei que era direito de todos desconfiarem, mas pedi três meses de paciência. Hoje sou titular absoluto, goleiro da Seleção e estou terminando o campeonato como o quinto melhor jogador do Campeonato Holandês.

Foto: Divulgação É verdade que você virou Gomes, o Grande?
(Risos) É, sim. No começo do ano, até me fizeram uma homenagem. Coisa que nem o Romário e o Ronaldo tiveram. Foi no dia 20 de janeiro. Quando entrei no campo, toda a arquibancada que fica atrás de um gol abriu uma baita bandeira do Brasil. Também tinha uma faixa em cima escrita: 'Gomes, o Grande'. Para completar, eles mostraram também duas luvas imensas.

Qual foi o melhor atacante que você já enfrentou?
Putz... essa é difícil. Já enfrentei atacantes bons demais nessa vida. Mas se tiver que escolher três, fico com Kaká, Schevechenko e Henry. Eles pensam mais rápido até que o goleiro. É incrível. Os caras ainda colocam a bola onde querem. Aí só rezando.

Agora você vai ficar na marca do pênalti: dizem que goleiro é gay ou louco. Você está mais para o quê?
(Risos) Sou louco, mas não rasgo nota de 100.