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Nilmar, o atacante mais assediado do Brasil, foge de
todo mundo, o Fatto Olé está
em seu mega-apartamento, no bairro de Higienópolis,
em São Paulo. Que lugar sensacional. Para você
ter idéia, a sala mede mais de 150m². Equipado
com tecnologia de última geração,
o local é superbem decorado, com móveis
assinados e uma sacada com vista panorâmica. Nilmar
escolheu uma de suas poltronas suspensas na varanda
para uma conversa franca de 45 minutos, em que abriu
seu coração, falou de sacanagem no futebol,
mulheres, sexo, cultura e dinheiro – ele recebe
um dos maiores salários do País. Quer
saber onde Nilmar vai jogar depois que se recuperar
da contusão no joelho esquerdo? Desvende este
e outros mistérios na entrevista abaixo.
Ganhando uma bolada de R$ 275 mil por mês,
você consegue gastar tudo?
NILMAR - (Risos) Não, até porque
eu sou meio mão-de-vaca. Não sou daqueles
que acha que uma compra traz alegria, não. De
vez em quando até rola, mas só ficar gastando
não é para mim. Eu guardo o dinheiro,
pois não sei como será o dia de amanhã.
E quero ajudar muitas pessoas. Agora que estou contundido,
tenho gastado bem mais do que normalmente. Preciso voltar
a jogar urgentemente.
Qual é a coisa que você compra
sem dó? Do tipo: vou gastar porque eu mereço!
Relógio, com certeza. Todos os que eu achava
bonito, trazia para casa. Mas decidi que não
vou comprar mais relógio, não, pois há
duas semanas me roubaram bem pertinho daqui. Estava
tomando sorvete com o Roger e minha mulher quando apareceram
uns caras armados. Foi o maior susto.
Você falou do Roger. Ele é o seu
melhor amigo entre os corintianos?
É, sim. Ele mora pertinho de mim e está
direto aqui em casa. A gente sai para passear, vê
filme. É o cara que eu mais gosto, e mantive
contato diário com ele mesmo na época
em que não fui muito ao Parque São Jorge
(Nilmar abandonou o tratamento no Corinthians por seis
dias).
Boleiro leva vida de nômade: cada dia
está num lugar. O que isso tem de bom e de ruim?
O lado bom é que você conhece diferentes
povos, culturas, histórias, e até faz
uma rede de amigos maior. Mas tem muitos lados ruins,
como estar longe de casa. Só agora, durante a
recuperação da cirurgia, que estou conseguindo
ver meus pais todo fim-de-semana. Antes era impossível.
E não é só. Para você ter
uma idéia, quando saí do Lyon (da França,
em 2005) não tive nem tempo de trazer minhas
coisas. Até hoje pago um lugar lá para
guardar toda a mobília de casa.
Rola muita sacanagem de cartola?
De monte! Você não imagina o quanto. E
o Corinthians deve ser o campeão mundial da sacanagem
com boleiro. Eu não sou o único caso,
não. Os caras que subiram da base são
muito injustiçados. Por exemplo, o Marcelo (goleiro)
e o Rosinei (meia). Os dois já mostraram que
são bons a ponto de jogarem como titulares, mas
ganham uns R$ 15 mil por mês. Aí chega
um jogador que nunca teve qualquer identificação
com o Corinthians, como o Gustavo, ganhando R$ 70 mil.
Os moleques ficam putos, e com razão.

Com essa confusão na negociação
com o Corinthians, tem muito torcedor bravo com você
na rua?
Pelo contrário. Os torcedores são inteligentes
e sabem que a vítima na história sou eu.
Eles têm noção de que a diretoria
do Corinthians é picareta e tenta me enrolar,
por isso me tratam com carinho nas ruas. Sempre que
me encontram num restaurante, os torcedores de todos
os times falam a mesma coisa: “Pô Nilmar,
você tem que ir jogar no meu time.” (risos)
Como bom são-paulino, o que você
está esperando para fechar com o Tricolor?
(Risos) Eu sou colorado. Falam que eu sou são-paulino,
mas não é verdade, não.
Ah, até seu pai já disse que você
torcia pro São Paulo na infância.
Será? Bom, mas não dá para fechar
com nenhum clube enquanto eu não resolver minha
pendência jurídica com o Corinthians (o
atacante tenta na Justiça cassar a liminar que
o prende até dezembro no Parque São Jorge).
Responda rápido: sexo atrapalha o desempenho
de um atleta?
Se o cara fizer pouco antes do jogo, não vai
ter a mesma força para correr atrás da
bola os 90 minutos, né? Mas no dia anterior ou
depois do jogo não atrapalha, não. Só
ajuda, porque dá aquela animada.
Para você, mulher bonita tem que ter o
quê?
Humm. Pergunta difícil, hein. Acho que tem que
ter... nascido no Sul (risos). Assim eu faço
um moral com a minha, né (Laura é gaúcha)?
Mas falando sério: as gaúchas são
muito bonitas.
Qual foi a revista Playboy que marcou a sua
vida?
Eita. Cada uma que você faz. Eu gostava bastante
da Playboy da Sheila Carvalho, se é que você
me entende.
Cinema para você é sinônimo
de alegria, drama ou ação?
Tem que ser de riso. Eu adoro cinema, mas só
vou para ver filmes de comédia. A vida já
é bastante difícil para todo mundo, então
o cinema serve como forma de dar uma quebrada. Sou daqueles
que senta no fundo da sala, com um balde de pipoca na
mão, e fica rindo de tudo. Tem gente até
que acha ruim de tanto que eu dou risada.
Já que falou da pipoca, o que faz as
lombrigas da sua barriga ficarem felizes?
Ah, eu como de tudo. Principalmente porcaria. Sanduíche,
batata frita, pizza, sorvete... Mas o que eu amo mesmo
é chocolate. Para mim, queria que a Páscoa
se estendesse pelo ano todo (risos).
E mesmo comendo só porcaria você
não engorda?
Nada. É de família. Lá em casa
todo mundo também é magrinho. Quem sofre
com esse meu jeito é a Laura, que vive lutando
contra a balança. Aí eu quero sair para
comer besteira e ela fica no dilema de comer ou não
comer. Aqui em casa tudo é light, porque ela
controla mesmo.
O que o Nilmar estará fazendo quando
tiver cabelos brancos?
Estará em algum lugar do mundo que tenha praia,
tranqüilidade, um clima quente e muito chocolate.
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