2007 - EDIÇÃO 79

INVADIMOS A CASA DO NILMAR
Por Jorge Nicola

Enquanto Nilmar, o atacante mais assediado do Brasil, foge de todo mundo, o Fatto Olé está em seu mega-apartamento, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Que lugar sensacional. Para você ter idéia, a sala mede mais de 150m². Equipado com tecnologia de última geração, o local é superbem decorado, com móveis assinados e uma sacada com vista panorâmica. Nilmar escolheu uma de suas poltronas suspensas na varanda para uma conversa franca de 45 minutos, em que abriu seu coração, falou de sacanagem no futebol, mulheres, sexo, cultura e dinheiro – ele recebe um dos maiores salários do País. Quer saber onde Nilmar vai jogar depois que se recuperar da contusão no joelho esquerdo? Desvende este e outros mistérios na entrevista abaixo.

Foto: Marcos Alves Ganhando uma bolada de R$ 275 mil por mês, você consegue gastar tudo?
NILMAR - (Risos) Não, até porque eu sou meio mão-de-vaca. Não sou daqueles que acha que uma compra traz alegria, não. De vez em quando até rola, mas só ficar gastando não é para mim. Eu guardo o dinheiro, pois não sei como será o dia de amanhã. E quero ajudar muitas pessoas. Agora que estou contundido, tenho gastado bem mais do que normalmente. Preciso voltar a jogar urgentemente.

Qual é a coisa que você compra sem dó? Do tipo: vou gastar porque eu mereço!
Relógio, com certeza. Todos os que eu achava bonito, trazia para casa. Mas decidi que não vou comprar mais relógio, não, pois há duas semanas me roubaram bem pertinho daqui. Estava tomando sorvete com o Roger e minha mulher quando apareceram uns caras armados. Foi o maior susto.

Você falou do Roger. Ele é o seu melhor amigo entre os corintianos?
É, sim. Ele mora pertinho de mim e está direto aqui em casa. A gente sai para passear, vê filme. É o cara que eu mais gosto, e mantive contato diário com ele mesmo na época em que não fui muito ao Parque São Jorge (Nilmar abandonou o tratamento no Corinthians por seis dias).

Boleiro leva vida de nômade: cada dia está num lugar. O que isso tem de bom e de ruim?
O lado bom é que você conhece diferentes povos, culturas, histórias, e até faz uma rede de amigos maior. Mas tem muitos lados ruins, como estar longe de casa. Só agora, durante a recuperação da cirurgia, que estou conseguindo ver meus pais todo fim-de-semana. Antes era impossível. E não é só. Para você ter uma idéia, quando saí do Lyon (da França, em 2005) não tive nem tempo de trazer minhas coisas. Até hoje pago um lugar lá para guardar toda a mobília de casa.

Rola muita sacanagem de cartola?
De monte! Você não imagina o quanto. E o Corinthians deve ser o campeão mundial da sacanagem com boleiro. Eu não sou o único caso, não. Os caras que subiram da base são muito injustiçados. Por exemplo, o Marcelo (goleiro) e o Rosinei (meia). Os dois já mostraram que são bons a ponto de jogarem como titulares, mas ganham uns R$ 15 mil por mês. Aí chega um jogador que nunca teve qualquer identificação com o Corinthians, como o Gustavo, ganhando R$ 70 mil. Os moleques ficam putos, e com razão.

Foto: Marcos Alves Com essa confusão na negociação com o Corinthians, tem muito torcedor bravo com você na rua?
Pelo contrário. Os torcedores são inteligentes e sabem que a vítima na história sou eu. Eles têm noção de que a diretoria do Corinthians é picareta e tenta me enrolar, por isso me tratam com carinho nas ruas. Sempre que me encontram num restaurante, os torcedores de todos os times falam a mesma coisa: “Pô Nilmar, você tem que ir jogar no meu time.” (risos)

Como bom são-paulino, o que você está esperando para fechar com o Tricolor?
(Risos) Eu sou colorado. Falam que eu sou são-paulino, mas não é verdade, não.

Ah, até seu pai já disse que você torcia pro São Paulo na infância.
Será? Bom, mas não dá para fechar com nenhum clube enquanto eu não resolver minha pendência jurídica com o Corinthians (o atacante tenta na Justiça cassar a liminar que o prende até dezembro no Parque São Jorge).

Responda rápido: sexo atrapalha o desempenho de um atleta?
Se o cara fizer pouco antes do jogo, não vai ter a mesma força para correr atrás da bola os 90 minutos, né? Mas no dia anterior ou depois do jogo não atrapalha, não. Só ajuda, porque dá aquela animada.

Para você, mulher bonita tem que ter o quê?
Humm. Pergunta difícil, hein. Acho que tem que ter... nascido no Sul (risos). Assim eu faço um moral com a minha, né (Laura é gaúcha)? Mas falando sério: as gaúchas são muito bonitas.

Qual foi a revista Playboy que marcou a sua vida?
Eita. Cada uma que você faz. Eu gostava bastante da Playboy da Sheila Carvalho, se é que você me entende.

Cinema para você é sinônimo de alegria, drama ou ação?
Tem que ser de riso. Eu adoro cinema, mas só vou para ver filmes de comédia. A vida já é bastante difícil para todo mundo, então o cinema serve como forma de dar uma quebrada. Sou daqueles que senta no fundo da sala, com um balde de pipoca na mão, e fica rindo de tudo. Tem gente até que acha ruim de tanto que eu dou risada.

Foto: Marcos Alves Já que falou da pipoca, o que faz as lombrigas da sua barriga ficarem felizes?
Ah, eu como de tudo. Principalmente porcaria. Sanduíche, batata frita, pizza, sorvete... Mas o que eu amo mesmo é chocolate. Para mim, queria que a Páscoa se estendesse pelo ano todo (risos).

E mesmo comendo só porcaria você não engorda?
Nada. É de família. Lá em casa todo mundo também é magrinho. Quem sofre com esse meu jeito é a Laura, que vive lutando contra a balança. Aí eu quero sair para comer besteira e ela fica no dilema de comer ou não comer. Aqui em casa tudo é light, porque ela controla mesmo.

O que o Nilmar estará fazendo quando tiver cabelos brancos?
Estará em algum lugar do mundo que tenha praia, tranqüilidade, um clima quente e muito chocolate.