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é, os últimos grandes magos do futebol
internacional têm algo em comum: deram seus primeiros
chutes no futebol de salão. Monstros consagrados
como Ronaldinho Gaúcho, Maradona, Ronaldo, Zidane
e Cristiano Ronaldo experimentaram o peso da bola pesada
antes de enveredarem para o campo. Mas se muitos são
astros, poucos são reis... Principalmente, numa
quadra. E como o Fatto Olé faz
até mágica para surpreender você,
conseguiu ‘hipnotizar’ Falcão, o
mestre dos truques. Pirlimpimpim, as perguntas que nunca
ninguém fez estão respondidas nessa entrevista
exclusivíssima.
Se um crítico disser que você
é um gênio e outro disser que você
é um idiota, em qual dos dois teria a tentação
de acreditar?
FALCÃO - Hummm. A tendência é
que eu dê mais ouvidos ao gênio, até
pelo que faço dentro das quadras. O termo idiota
não serve para mim, porque tenho consciência
de que nunca fui e não sou.
Uma pergunta leve e direta: por que o seu apelido
é Falcão?
Tudo começou com o meu pai, que era o rei da
várzea em São Paulo e tinha o estilo de
jogo parecido com o do Falcão, do Internacional.
Então eles chamavam o papai de Falcão
e eu era o Falcãozinho. Aí, quando cresci,
o diminutivo foi embora e acabei virando Falcão
também.
Se fosse repórter, que pergunta faria
a você que ninguém ainda fez?
Cara, é difícil pensar que alguma pergunta
ainda não me foi feita. Quase todo dia respondo
a pelo menos uma, viu. Mas até hoje o que mais
me chamou a atenção não foi nem
uma pergunta, mas um comentário de um jornalista
que disse: "Você tinha que ter nascido outra
pessoa para ter o prazer de ver o Falcão jogar."
Fiquei pensando um tempão nisso, e achei bem
interessante.
Sempre admiramos pessoas que são aquilo
que gostaríamos de ser. Quem é que o Falcão
gostaria de ser por um dia?
Ah, com toda a certeza do mundo o Romário. Acho
o Baixinho fantástico e sou fã dele desde
a época de moleque. O cara sempre foi um craque
e agora ainda está dando uma baita lição
de vida com as coisas que tem feito para as pessoas
com síndrome de Down, por causa da filha dele.
Toda vez que o encontro, também nos damos super
bem. Teve uma pelada que jogamos juntos: eu, ele e o
Vagner Love. Imagina o estrago que a gente fez.

O Romário já fez 999 gols. E você,
marcou quantos?
Então, essa é uma coisa legal. Depois
que o possível milésimo gol do Romário
tomou conta dos noticiários no mundo, resolvi
fazer uma contagem dos meus gols. Ainda não terminei:
já sei que pela Seleção Brasileira
tenho 185 gols, e pela Malwee foram 422. Resta descobrir
quantos gols eu fiz nos oito primeiros anos de carreira,
já que estou na Malwee desde 2003. Mas devo estar
com uns 1.400 ou 1.500 gols.
Ok. Mas e o que vale mais: 1.000 no campo ou
1.400 no salão?
(Risos) Acho que é um mérito parecido,
até porque no salão é mais fácil
marcar. Costumo fazer uns três ou quatro por jogo.
Só para você ter uma idéia, calculo
que consiga marcar uns 100 gols por ano, o que dá
uma média fantástica.
Em que momento da vida você adquiriu a
certeza de que o futebol precisa ser um espetáculo
- e não apenas um jogo de resultados?
Essa foi uma das coisas que meu pai me ensinou desde
que comecei a gostar de futebol. Ele sempre dizia para
eu ter a mesma alegria e descontração
da pelada com os amigos quando jogasse profissionalmente.
No começo da carreira, fui bastante criticado,
pois diziam que eu só sabia fazer graça.
Até que fui aprendendo a usar essa habilidade
com objetividade. Aí ninguém mais me segurou.
O que os rivais fazem para tentar intimidá-lo?
Ah, fazem de tudo o que você possa imaginar. Eles
beliscam, passam a mão, falam coisas na minha
orelha e dão muita porrada, é claro. Mas
se tem uma coisa que não me intimida é
levar porrada. Quando tinha 14 anos, jogava em tudo
quanto é favela de São Paulo, tomando
cacetada, ouvindo ameaças... Se eu não
me assustava naquela época, imagina agora, com
árbitro, TV e torcida.
E você só escuta as provocações
ou também responde?
Eu não deixo barato, não. Pergunto se
o cara quer tirar uma foto comigo, se ele fica me marcando
de perto para pegar autógrafo, ou se está
a fim de aparecer na TV, do meu lado. Se um dia algum
canal de TV resolver fazer leitura labial das coisas
que falamos na quadra, vai perceber cada coisa impublicável.
Você tem mais privilégios que o
Romário no Vasco, que o Ronaldinho no Barça
e que o Ronaldo no Milan. Seus companheiros da Malwee
aceitam essa situação numa boa?
Eles sabem que, enquanto eu estiver ali, o time continua.
O pessoal acha que, se eu sair, a Malwee pára
de investir na hora, e então todo mundo fica
desempregado. Os caras têm consciência do
retorno absurdo que eu dou para o clube. Só por
isso foram me tirar do São Paulo. No ano passado,
por exemplo, tivemos 37 partidas transmitidas pela TV,
enquanto os outros tiveram 15 ou 16 jogos.

Então dá para dizer que você
já ficou milionário, né?
Estou bem de vida, viu. Não dá para reclamar.
E vou te falar que algumas atividades extraquadra me
fazem ganhar até mais do que se eu estivesse
jogando no exterior. Já tive propostas de clubes
de fora, como o Barcelona, mas acho que não compensaria
financeiramente.
Qual foi a sua maior extravagância de
consumo?
A casa que estou construindo no interior de São
Paulo, na divisa de Sorocaba com Itu. Tenho certeza
de que vai ficar no capricho e não estou medindo
esforços para isso. Quando encerrar a carreira,
daqui a uns cinco ou seis anos, vou morar lá
sossegadinho.
Já que é movido por desafios,
quem é melhor: você no campão ou
o Ronaldinho na quadra?
(Risos) Me complicou agora, hein. O engraçado
é que tem um monte de comunidade no Orkut que
nos coloca lado a lado e faz comparações.
Há diversas diferenças, como o fato de
ele ser muito mais popular e ter um título mundial.
Eu vou brigar para ter o meu, disso vocês podem
ter certeza.
Tá legal. Mas quem é o melhor
boleiro do mundo hoje?
O Rogério Ceni. É verdade que digo isso
levando em conta que ele é meu amigo particular.
Mas o cara decide títulos debaixo das traves
e com seus gols, de falta e pênalti. O Rogério
é um líder nato, um goleiraço e
um artilheiro. Ou seja, é um cara completo.
Responda rápido: qual é o seu
time dos sonhos?
Putz, você me pegou. É muito difícil
responder. Esta eu vou ficar devendo...
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