2007 - EDIÇÃO 78

OS VIRA-CASACAS
Por Jorge Nicola
Ilustração: Evandro RodriguesNem tudo é o que parece. Você é capaz de imaginar Rogério Ceni vestindo a camisa do Internacional, Roberto Carlos jogando no Santos, Nilmar no São Paulo, Luís Fabiano no Corinthians, Ronaldo no Flamengo ou Romário no América-RJ? É inevitável: todo craque tem um escudo tatuado no coração. E, como o Fatto Olé torce pela sua boa informação, a gente resolveu atacar de Sherlock Holmes para desvendar alguns mistérios futebolísticos.

“O boleiro que falar que nunca torceu para algum clube está contando a maior lorota do mundo”, reconhece o são-paulino Souza, que era fanático pelo CSA, um dos maiores de Maceió, cidade onde nasceu. “Naquelas peladas de rua, a gente também saia driblando os amiguinhos e falava o nome do craque do nosso time”, conta o meia Roger, atualmente no Corinthians e fã assumido do Fluminense.

Apesar das idas e vindas do futebol, muitos atletas dão a sorte de usar a tão sonhada camisa, aquela que existia aos montes nas gavetas, nos tempos de criança. Edmundo e Pedrinho, por exemplo, trocaram as arquibancadas de São Januário, onde passaram a infância e adolescência, pelo gramado. Lá, fizeram sucesso e viraram ídolos daqueles com quem dividiam os gritos de apoio ao Vasco.

Bem antes de acreditar na possibilidade de virar goleiro, Marcos já comandava um fã clube do Palmeiras em sua cidade-natal, Oriente (SP). Anos mais tarde, foi aprovado numa peneira no clube de Palestra Itália e nunca mais saiu. “Minha família toda sempre foi palmeirense roxa. Seria uma decepção geral se eu tivesse de jogar, por exemplo, no Corinthians ou no São Paulo”, admite São Marcos, que é a cara do Verdão.

Mas esses casos são raridade. No futebol, os vira-casacas imperam. “O profissionalismo faz com que a gente tenha de torcer para o time que está pagando nosso salário naquele momento”, diz o lateral-esquerdo Kleber, que era são-paulino doente durante a infância, porém nunca esteve perto de um acerto com o time do Morumbi. Antes de atuar pelo Santos, ele havia feito história no Corinthians. Quanto ao Tricolor? Só nos sonhos de menino mesmo.

O meia Diego viveu frustração ainda maior. Quando pequeno, causava o maior reboliço nas peladas de bairro em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Todos viam nele um craque certo. Assim que seu pai apoiou a idéia de transformá-lo em jogador de futebol, Diego fez um teste no São Paulo, clube de coração. Foi reprovado, para decepção geral da família Ribas. Já no Santos, passou em todas as provas, e anos depois estrelou ao lado de Robinho a super-equipe do Peixe campeã brasileira em 2004.

Ilustração: Evandro RodriguesPor conta deste carinho “exagerado” por alguns times, os boleiros chegam a cometer gafes. Uma histórica foi protagonizada pelo atacante Nilmar. Outro dia, num treinamento no Parque São Jorge, o jogador do Corinthians resolveu brincar como goleiro. Colocou as luvas, foi para o gol e espantou a todos com uma baita defesa. Segundos depois, com a bola nas mãos, soltou um grito que deixou qualquer alvinegro de queixo caído: “Rogériooooooo Ceni.” Nilmar ainda tentou explicar à imprensa o ato-falho, mas seus amigos reconheceram que ele sempre foi são-paulino.

O atacante Luís Fabiano esteve do outro lado da rivalidade. Graças a seus gols e raça, ele se tornou o maior ídolo da torcida organizada Independente, do São Paulo, no início desta década. Mal sabem os tricolores que Luís Fabiano era corintiano doente antes de se tornar profissional. Até carteirinha da Gaviões da Fiel ele tinha. Já o goleiro Tiago, da Portuguesa, não consegue escapar de um dilema que insiste em ficar na sua cabeça: como reagirá se marcar um gol de falta no Palmeiras, o clube que ele tanto ama? E olha que o camisa 1 da Lusa tem se especializado em balançar as redes – apenas neste ano, já fez quatro gols, contra um de seu mestre Rogério Ceni.

Além dos vira-casacas, o futebol tem atletas que são verdadeiros caras-de-pau. O grande representante desta classe é o atacante Luizão. Por onde passa, ele faz sempre o mesmo ritual quando é apresentado com a nova camisa: beija o escudo e diz que o novo clube era sua grande paixão na infância. Foi assim no Flamengo, no Palmeiras, no Corinthians, no São Paulo, no Vasco... Peroba nele!
O TIME DE CORAÇÃO DOS CRAQUES
DIEGO
SÃO PAULO
ALEX
FLAMENGO
KLÉBER
SÃO PAULO
NILMAR
SÃO PAULO
ROGÉRIO CENI
INTER
ROBERTO CARLOS
SANTOS
JUNINHO
SPORT
TIAGO
PALMEIRAS
MARCOS
PALMEIRAS
LÉO
PALMEIRAS
CICINHO
BOTAFOGO - SP
MAGRÃO
CORINTHIANS
LUÍS FABIANO
CORINTHIANS
OSMAR
PALMEIRAS
AMOROSO
FLAMENGO
VAGNER LOVE
FLAMENGO
RONALDO
FLAMENGO
TÚLIO
BOTAFOGO
PEDRINHO
VASCO
EDMUNDO
VASCO
PELÉ
VASCO
TELÊ SANTANA
FLUMINENSE
ROMÁRIO
AMÉRICA
RICARDINHO
PARANÁ
ALEX
CORITIBA
RONALDINHO
GRÊMIO
FABIO COSTA
VITÓRIA
PAULO ALMEIDA
BAHIA