Nem
tudo é o que parece. Você é capaz
de imaginar Rogério Ceni vestindo a camisa do Internacional,
Roberto Carlos jogando no Santos, Nilmar no São
Paulo, Luís Fabiano no Corinthians, Ronaldo no
Flamengo ou Romário no América-RJ? É
inevitável: todo craque tem um escudo tatuado no
coração. E, como o Fatto Olé
torce pela sua boa informação, a gente resolveu
atacar de Sherlock Holmes para desvendar alguns mistérios
futebolísticos.
“O boleiro que falar que nunca torceu para algum
clube está contando a maior lorota do mundo”,
reconhece o são-paulino Souza, que era fanático
pelo CSA, um dos maiores de Maceió, cidade onde
nasceu. “Naquelas peladas de rua, a gente também
saia driblando os amiguinhos e falava o nome do craque
do nosso time”, conta o meia Roger, atualmente no
Corinthians e fã assumido do Fluminense.
Apesar das idas e vindas do futebol, muitos atletas dão
a sorte de usar a tão sonhada camisa, aquela que
existia aos montes nas gavetas, nos tempos de criança.
Edmundo e Pedrinho, por exemplo, trocaram as arquibancadas
de São Januário, onde passaram a infância
e adolescência, pelo gramado. Lá, fizeram
sucesso e viraram ídolos daqueles com quem dividiam
os gritos de apoio ao Vasco.
Bem antes de acreditar na possibilidade de virar goleiro,
Marcos já comandava um fã clube do Palmeiras
em sua cidade-natal, Oriente (SP). Anos mais tarde, foi
aprovado numa peneira no clube de Palestra Itália
e nunca mais saiu. “Minha família toda sempre
foi palmeirense roxa. Seria uma decepção
geral se eu tivesse de jogar, por exemplo, no Corinthians
ou no São Paulo”, admite São Marcos,
que é a cara do Verdão.
Mas esses casos são raridade. No futebol, os vira-casacas
imperam. “O profissionalismo faz com que a gente
tenha de torcer para o time que está pagando nosso
salário naquele momento”, diz o lateral-esquerdo
Kleber, que era são-paulino doente durante a infância,
porém nunca esteve perto de um acerto com o time
do Morumbi. Antes de atuar pelo Santos, ele havia feito
história no Corinthians. Quanto ao Tricolor? Só
nos sonhos de menino mesmo.
O meia Diego viveu frustração ainda maior.
Quando pequeno, causava o maior reboliço nas peladas
de bairro em Ribeirão Preto, no interior de São
Paulo. Todos viam nele um craque certo. Assim que seu
pai apoiou a idéia de transformá-lo em jogador
de futebol, Diego fez um teste no São Paulo, clube
de coração. Foi reprovado, para decepção
geral da família Ribas. Já no Santos, passou
em todas as provas, e anos depois estrelou ao lado de
Robinho a super-equipe do Peixe campeã brasileira
em 2004.
Por
conta deste carinho “exagerado” por alguns
times, os boleiros chegam a cometer gafes. Uma histórica
foi protagonizada pelo atacante Nilmar. Outro dia, num
treinamento no Parque São Jorge, o jogador do Corinthians
resolveu brincar como goleiro. Colocou as luvas, foi para
o gol e espantou a todos com uma baita defesa. Segundos
depois, com a bola nas mãos, soltou um grito que
deixou qualquer alvinegro de queixo caído: “Rogériooooooo
Ceni.” Nilmar ainda tentou explicar à imprensa
o ato-falho, mas seus amigos reconheceram que ele sempre
foi são-paulino.
O atacante Luís Fabiano esteve do outro lado da
rivalidade. Graças a seus gols e raça, ele
se tornou o maior ídolo da torcida organizada Independente,
do São Paulo, no início desta década.
Mal sabem os tricolores que Luís Fabiano era corintiano
doente antes de se tornar profissional. Até carteirinha
da Gaviões da Fiel ele tinha. Já o goleiro
Tiago, da Portuguesa, não consegue escapar de um
dilema que insiste em ficar na sua cabeça: como
reagirá se marcar um gol de falta no Palmeiras,
o clube que ele tanto ama? E olha que o camisa 1 da Lusa
tem se especializado em balançar as redes –
apenas neste ano, já fez quatro gols, contra um
de seu mestre Rogério Ceni.
Além dos vira-casacas, o futebol tem atletas que
são verdadeiros caras-de-pau. O grande representante
desta classe é o atacante Luizão. Por onde
passa, ele faz sempre o mesmo ritual quando é apresentado
com a nova camisa: beija o escudo e diz que o novo clube
era sua grande paixão na infância. Foi assim
no Flamengo, no Palmeiras, no Corinthians, no São
Paulo, no Vasco... Peroba nele!
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O
TIME DE CORAÇÃO DOS CRAQUES |
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