2007 - EDIÇÃO 77

MEU NOME É LÁZARO RAMOS
Equipe Fatto Olé
Foto: Patricia Cecatti
Alô, alô: o bom baiano é Vitória de coração

Lázaro Ramos está no jornal que chega pela manhã na sua casa. Lázaro Ramos está na rádio que você ouve até o trabalho. Lázaro Ramos está no cineminha ou no teatro do final de semana. Lázaro Ramos está na novela do dia-a-dia, na videolocadora da esquina e em mais de 1 milhão de resultados numa simples busca no Google. Neste momento, Lázaro Ramos está exclusivamente na tela do seu computador. E aqui, nesta entrevista exclusiva ao Fatto Olé, Lázaro Ramos está de guarda aberta para contar tudo o que você quer saber. Aproveite!

Qual seria a primeira frase de um livro de Lázaro Ramos sobre Lázaro Ramos?
LÁZARO RAMOS - Humm... Eu começaria, provavelmente, contando os meus primeiros contatos com o teatro. Porque antes de se construir como pessoa você precisa saber o que quer ser e aonde quer chegar.

Você prefere fazer cinema, teatro ou novela de televisão? Porque cinema é meio chato, demorado.
Você acha que eu vou falar isso para você? Tá louca (risos)? Eu quero mais é voltar a atuar com todo mundo e em tudo que eu já trabalhei até hoje. Não tenho restrição ou preferência.

Seu trabalho o fez circular por várias realidades brasileiras. Isso mudou o seu olhar?
Claro. Muda sempre. Quando eu saio de Salvador e chego em São Paulo, a realidade é outra em todos os sentidos. Para você ter uma idéia, almocei no shopping Eldorado nos 12 dias de ensaio para a peça (Lázaro protagoniza “O Método Grönholm”, em cartaz no Teatro das Artes, em SP). Lá só tem executivo! Fui obrigado a me reeducar e para isso é preciso se acostumar com o ambiente e observar. Você se transforma de acordo com o lugar.

Foto: Patricia Cecatti
O campo de Lázaro é o palco. Acima, com a mulher Thaís Araújo

Na peça vocês falam sobre a pressão e o mercado de trabalho. Como faz para encarar a pressão do meio artístico?
Essa pressão é um privilégio, porque instiga, te faz crescer. Mas isso vale apenas para o caso de pessoas como eu, que estão num momento de estabilidade. Só que para chegar até aqui, já encarei muitas situações constrangedoras e humilhantes.

Como assim? Conta essa história direito.
Sofria bastante no começo, quando passava por testes para comerciais. Eu chegava e queria atuar, então fazia qualquer coisa para agradar. Os caras me mandavam sorrir e eu sorria enquanto dizia o texto inteiro. Só que não era nada disso que eles queriam. Era só para dar um sorrisinho rápido, antes do texto. Acabava que eu ouvia sempre a mesma coisa: ‘valeu, obrigado, a gente te liga.’ Por essas e outras acabei aprendendo. A partir daí, quando me diziam ‘pula’, eu pulava; ‘ri’, eu ria, e pronto.

E o chamado fã: incomoda muito?
A exposição incomoda, sim. Isso acontece principalmente quando você faz TV. Mas eu não reclamo. Porque quando estava no Bando de Teatro Olodum, o que eu mais queria é que as pessoas fossem até lá, que a imprensa cobrisse, e não era fácil conseguir. Então agora preciso comemorar o fato de estar do outro lado.

Você tá fazendo um baita sucesso... Como você faz para domar o ego, um verdadeiro demônio?
Eu procuro conviver com outras pessoas, em outros ambientes. O meio-artístico é sustentado pelo ego, nele o ego é ferramenta. Mas faz parte, né?

Foto: Patricia Cecatti
Sua imagem é bastante explorada pela mídia

No Brasil é melhor ser boleiro ou ator?
Depende do ponto de vista, né? Em termos financeiros, com certeza é melhor ser boleiro.

Mas então quer dizer que você não ganha bem?
Sobre dinheiro eu prefiro não falar. Não gosto de expor minha vida pessoal.

Então tá, mas para que time você torce?
Por ser baiano, sou Vitória, é claro!

Quem é o Lázaro Ramos do futebol?
O Bobô (meia que fez sucesso na década de 80, vestindo a camisa de Bahia, Corinthians, São Paulo, Fluminense e Flamengo). Afinal, até no refrão de uma música do Caetano Veloso ele apareceu (“Quem não amou a elegância sutil de Bobô”).

Você é polivalente, um curinga. Qual a profissão que não encararia de jeito nenhum?
Ahh, ginecologia... Para não enjoar da mercadoria (risos). Mas, de verdade, eu acho que não existe profissão boa ou ruim. Hoje em dia você pode ser costureira e fazer uma coisa boa. Além do que, não existe mais uma profissão que garanta o futuro. Então, acredito que não se pode ficar contente com o medíocre, em nenhum lugar.