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| Alô,
alô: o bom baiano é Vitória
de coração |
Lázaro
Ramos está no jornal que chega pela manhã
na sua casa. Lázaro Ramos está na rádio
que você ouve até o trabalho. Lázaro
Ramos está no cineminha ou no teatro do final
de semana. Lázaro Ramos está na novela
do dia-a-dia, na videolocadora da esquina e em mais
de 1 milhão de resultados numa simples busca
no Google. Neste momento, Lázaro Ramos está
exclusivamente na tela do seu computador. E aqui, nesta
entrevista exclusiva ao Fatto Olé,
Lázaro Ramos está de guarda aberta para
contar tudo o que você quer saber. Aproveite!
Qual
seria a primeira frase de um livro de Lázaro
Ramos sobre Lázaro Ramos?
LÁZARO RAMOS - Humm... Eu começaria, provavelmente,
contando os meus primeiros contatos com o teatro. Porque
antes de se construir como pessoa você precisa
saber o que quer ser e aonde quer chegar.
Você
prefere fazer cinema, teatro ou novela de televisão?
Porque cinema é meio chato, demorado.
Você acha que eu vou falar isso para você?
Tá louca (risos)? Eu quero mais é voltar
a atuar com todo mundo e em tudo que eu já trabalhei
até hoje. Não tenho restrição
ou preferência.
Seu
trabalho o fez circular por várias realidades
brasileiras. Isso mudou o seu olhar?
Claro. Muda sempre. Quando eu saio de Salvador e chego
em São Paulo, a realidade é outra em todos
os sentidos. Para você ter uma idéia, almocei
no shopping Eldorado nos 12 dias de ensaio para a peça
(Lázaro protagoniza “O Método Grönholm”,
em cartaz no Teatro das Artes, em SP). Lá só
tem executivo! Fui obrigado a me reeducar e para isso
é preciso se acostumar com o ambiente e observar.
Você se transforma de acordo com o lugar.
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| O
campo de Lázaro é o palco. Acima,
com a mulher Thaís Araújo |
Na peça vocês falam sobre a pressão
e o mercado de trabalho. Como faz para encarar a pressão
do meio artístico?
Essa pressão é um privilégio, porque
instiga, te faz crescer. Mas isso vale apenas para o
caso de pessoas como eu, que estão num momento
de estabilidade. Só que para chegar até
aqui, já encarei muitas situações
constrangedoras e humilhantes.
Como assim? Conta essa história direito.
Sofria bastante no começo, quando passava por
testes para comerciais. Eu chegava e queria atuar, então
fazia qualquer coisa para agradar. Os caras me mandavam
sorrir e eu sorria enquanto dizia o texto inteiro. Só
que não era nada disso que eles queriam. Era
só para dar um sorrisinho rápido, antes
do texto. Acabava que eu ouvia sempre a mesma coisa:
‘valeu, obrigado, a gente te liga.’ Por
essas e outras acabei aprendendo. A partir daí,
quando me diziam ‘pula’, eu pulava; ‘ri’,
eu ria, e pronto.
E
o chamado fã: incomoda muito?
A exposição incomoda, sim. Isso acontece
principalmente quando você faz TV. Mas eu não
reclamo. Porque quando estava no Bando de Teatro Olodum,
o que eu mais queria é que as pessoas fossem
até lá, que a imprensa cobrisse, e não
era fácil conseguir. Então agora preciso
comemorar o fato de estar do outro lado.
Você
tá fazendo um baita sucesso... Como você
faz para domar o ego, um verdadeiro demônio?
Eu procuro conviver com outras pessoas, em outros ambientes.
O meio-artístico é sustentado pelo ego,
nele o ego é ferramenta. Mas faz parte, né?
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| Sua
imagem é bastante explorada pela mídia |
No
Brasil é melhor ser boleiro ou ator?
Depende do ponto de vista, né? Em termos financeiros,
com certeza é melhor ser boleiro.
Mas
então quer dizer que você não ganha
bem?
Sobre dinheiro eu prefiro não falar. Não
gosto de expor minha vida pessoal.
Então
tá, mas para que time você torce?
Por ser baiano, sou Vitória, é claro!
Quem
é o Lázaro Ramos do futebol?
O Bobô (meia que fez sucesso na década
de 80, vestindo a camisa de Bahia, Corinthians, São
Paulo, Fluminense e Flamengo). Afinal, até no
refrão de uma música do Caetano Veloso
ele apareceu (“Quem não amou a elegância
sutil de Bobô”).
Você
é polivalente, um curinga. Qual a profissão
que não encararia de jeito nenhum?
Ahh, ginecologia... Para não enjoar da mercadoria
(risos). Mas, de verdade, eu acho que não existe
profissão boa ou ruim. Hoje em dia você
pode ser costureira e fazer uma coisa boa. Além
do que, não existe mais uma profissão
que garanta o futuro. Então, acredito que não
se pode ficar contente com o medíocre, em nenhum
lugar.
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