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É óbvio que jogador de futebol nenhum
confessaria ao Fatto Olé que
nunca pegou uma mulher. Evidentemente. Imaginem a tiração
de sarro no mundo da bola. Também pouco importa
se o cara é virgem ou não. Na verdade,
o que interessa é que Denilson, jovem de 19 anos,
é uma das maiores revelações do
futebol brasileiro nos últimos anos. Forte candidato
a craque da próxima Olimpíada. Titular
absoluto do todo-poderoso Arsenal, o ex-jogador do São
Paulo é capaz de fugir de toda e qualquer tentação
para não perder o fôlego. “Não
bebo, não fumo, não saio na noite e não
namoro...”, confessa Denilson. Então, amém.

Fala
sério, do que você já abriu mão
para ser jogador?
DENILSON - (Risos). É mais fácil você
perguntar do que eu não abri mão. Desde
muito pequeno, coloquei na cabeça que meu grande
objetivo na vida era ser um jogador de futebol de sucesso.
Disse para mim mesmo que tinha que vencer, passando
por cima do obstáculo que aparecesse. Eu não
bebo, não fumo, não saio na noite, não
namoro... Vou ter muito tempo para aproveitar os prazeres
da vida mais tarde. Agora me concentro apenas na minha
profissão.
Bom,
mas como é o seu dia em Londres?
Acordo cedo, tomo café da manhã, vou para
o Centro de Treinamentos do Arsenal e fico lá
para treinar, seja de manhã ou à tarde.
Depois volto para o hotel, onde faço musculação,
pego uma piscina e tomo sauna. Também estou estudando
inglês quase todos os dias. Acabado tudo isso,
só me sobra tempo de tomar banho e cair na cama.
Tudo
bem que você é um cara de tremenda responsa,
mas não fez nenhuma baladinha por aí?
Cara, vou ser bem sincero: não faço, não.
Vejo que aqui em Londres existem muitos pubs, e que
o pessoal gosta bastante de beber, gosta da noite e
tudo mais. Mas não é para mim, não.
A
mulherada inglesa não estimula?
Olha, dá para dizer que elas são bonitas,
principalmente de rosto. Porém elas não
têm nada de melhor em relação às
brasileiras.
Mas
elas dão em cima?
Não muito. E tem outra: eu entendo tudo o que
falam, mas como também não consigo falar
tão bem o inglês, acaba dificultando a
comunicação. Então não tenho
contato. Como falei, meu foco está apenas no
trabalho.
O que seus amigos de infância conseguem
fazer que você, por causa das atividades profissionais,
fica impossibilitado?
Cara, muitos dos meninos que cresceram comigo já
se foram. Sou de uma região muito pobre de
São Paulo, e vários acabaram caindo
na vida do crime. Infelizmente morreram. É
também por isso que tenho tanta certeza que
a minha obstinação por fazer tudo
certinho está me levando para o caminho certo.
Seu
pai é quem sempre quis que você fosse
boleiro?
É, sim. Ele se chama José Pereira
Neves, e até foi jogador. Era dos bons, melhor
até do que eu, mas acabou não tendo
muitas oportunidades. Então ele trabalhou
para que eu me preparasse e fosse completo, para
ter uma chance de verdade. Foi ele também
quem me ensinou a ter esse foco total no futebol,
e eu agradeço muito. A única coisa
ruim é que não estou mais tão
próximo, porque ele ficou em São Paulo,
dando aulas de futebol numa escolinha.
Você mora sozinho?
Sim. Faz parte do aprendizado, né? De vez
em quando um colega meu do Brasil fica aqui em casa.
Mas não posso reclamar, porque tenho tudo
aqui. Uma empregada faz o café-da-manhã,
prepara o almoço, a janta... Às vezes
meu empresário também passa uns tempos
por aqui.
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Em quase um ano de Londres, o que já deu
para conhecer?
Ah, conheço alguns shoppings daqui, que são
bem legais para passear. Também já fui no
Big Ben, que é um dos pontos turísticos
mais famosos de Londres. Agora quero ir para Wimbledon
(palco do famoso torneio de tênis em grama). Quando
estou a fim de comer algo fora de casa, geralmente vou
a um restaurante chamado Rico, uma churrascaria bem legal.
Qual foi a sua maior loucura de consumo?
Ah, acabei de comprar um Playstation 3. Queria há
bastante tempo esse videogame, mas não estava a
fim de gastar o dinheiro, então comecei a juntar
todas as moedas que ganhava. Juntei, juntei, juntei, até
que consegui. Agora estou jogando direto o Wining Eleven
(game de futebol).
Falando
de futebol, seu clube é dono do Emirates Stadium,
considerado o estádio mais moderno do mundo. Ele
é tudo isso mesmo?
Cara, os brasileiros não têm noção
do que é o Emirates Stadium. O estádio é
maravilhoso, deslumbrante. Não tenho nem adjetivos
para descrevê-lo. Para ficar mais fácil de
entender, dá para dizer que o Emirates põe
o Morumbi no bolso.

No Brasil muito se fala dos hooligans...
Até agora não tive problema e não
vi nada de confusão envolvendo os hooligans. O
torcedor aqui sabe respeitar um jogador, e gosta bem mais
de futebol do que o brasileiro.
Como foi ter tomado o “Chá das Cinco”
com a Rainha da Inglaterra?
Foi uma experiência nova, e legal. Quem não
quer estar perto de uma personalidade como a Rainha da
Inglaterra (Elisabeth 2ª). Eu só não
tomei o chá porque já tinha experimentado
e achei o gosto estranho. O pessoal aqui mistura chá
com leite, e fica ruim pra caramba. Mas o Gilberto e o
Júlio Baptista tomaram o chá com a Rainha.
Também foi divertido porque ela puxou papo com
nós três, por causa do café. Quando
disseram a ela que éramos brasileiros, ela fez
questão de falar que só toma o café
produzido no Brasil.
O técnico do seu time, Arsene Wenger, já
tem mais de dez anos de clube. O quanto isso é
bom e ruim para você?
É maravilhoso, e gostaria que essa fosse a realidade
no Brasil. Como o Wenger tem o respaldo da diretoria,
toma as decisões com convicção. Ele
dá liberdade para o jogador, conversa com todo
mundo. Vejo o Wenger como se fosse um pai.
O Henry costuma ser cruel com a Seleção
Brasileira. Ele ao menos te trata bem, ou também
é carrasco com você?
O Henry é um cara sensacional, além de um
cracaço. Quando cheguei, nem tinha muita coragem
de chegar para falar com ele. Mas não precisou,
porque ele sempre veio conversar comigo, me dar dicas,
toques... Prometo que quando eu já estiver fera
no inglês, pergunto por que ele faz tanto gol no
Brasil. |