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Dinamômetro isocinético, plataforma vibratória,
Evolution Real Power, espionagem virtual... Não
pense que todos estes termos compõem o mais novo
enredo de um filme de George Lucas para o "Guerra
nas Estrelas", ou que você está diante
de uma matéria futurista. Tudo isso já
faz parte da realidade do futebol brasileiro. É
a mais moderna tecnologia a favor do mundo da bola.
Se tivessem a chance de conhecer o futebol por trás
das câmeras, Luke Skywalker, Darth Vader e Mestre
Yoda ficariam impressionados. Afinal, com a ajuda de
equipamentos que mais parecem robôs, tudo se transformou.
Os jogadores ficam cada vez menos tempo em recuperação
de contusões graves, chegam a correr dez quilômetros
numa única partida, usam chuteiras e roupas que
estão quase falando... Nesses tempos modernos,
até a forma de contratar atletas mudou: o DVD
virou moda.
“O futebol atual vai muito além da disputa
entre 22 caras correndo atrás de uma bola, num
campo cheio de linhas”, ressalta o médico
e comentarista esportivo Osmar de Oliveira. “O
trabalho de retaguarda cresce a cada dia, e se aproveita
da imensa evolução científica para
gerar benefícios”, acrescenta Osmar, que
trabalhou durante anos como médico do Corinthians.
A preparação física ganhou a ajuda
de equipamentos capazes de detectar futuras lesões,
desequilíbrio muscular entre as pernas, quantidade
de resíduos expelidos após um exercício...
Até o trio de arbitragem foi incluído
na Era Biônica, ou você nunca reparou que
o árbitro e seus assistentes andam com uma parafernália
espalhada por todo o corpo. Além de se comunicarem,
eles contam com um aparelho que conta todo o histórico
dos atletas, prevenindo fraudes e a presença
de jogadores irregulares.
O inchaço das comissões técnicas
comprova o quanto a tecnologia tem jogado a favor. O
Santos, por exemplo, conta com mais de 30 profissionais
trabalhando ao lado do técnico Wanderley Luxemburgo.
Para manter esta turma em ação, saem dos
cofres do Peixe aproximadamente R$ 900 mil por mês,
apenas com salários. “Mas também
temos o que há de mais avançado no nosso
Centro de Treinamento”, garante o fisioterapeuta
Nilton Petrone, contratado a peso de ouro, e conhecido
mundialmente pela recuperação de Ronaldo.
Tanta
tecnologia proporciona situações bastante
engraçadas. Outro dia, o técnico do Portsmouth
contratou uma empresa que faz imagens aéreas
para filmar o treino secreto realizado pelo Manchester
United. Na rodada seguinte, as duas equipes se enfrentariam
pelo Campeonato Inglês e o treinador queria descobrir
as jogadas ensaiadas que Alex Fergunson preparava com
Cristiano Ronaldo, Rooney e Giggs. Somente dias depois
os craques dos Diabos Vermelhos foram entender que aquele
helicóptero que insistia em sobrevoar o treino
estava lá para filmar tudo o que se passava.
Conclusão da história: acabaram revoltados
e criaram o maior bafafá.
Não fosse pela evolução da medicina
e de todos os equipamentos, é bem provável
que Ronaldo, Nilmar, Ricardo Oliveira, Rafael Sobis
e companhia limitada estivessem hoje do lado de cá
da televisão, assistindo às partidas da
poltrona. “Já somos capazes de quase tudo
a serviço dos jogadores. Uma lesão de
joelho que representaria o fim da carreira na década
de 70 hoje pode ser corrigida em seis meses de recuperação”,
conta o médico corintiano Paulo Faria.
O vestuário de um atleta também é
produzido após intermináveis estudos.
As chuteiras de uma imensa fabricante, por exemplo,
chegam aos pés dos craques depois de passarem
até por testes em túneis de vento, como
acontece com os carros da Fórmula 1. Outra empresa
conseguiu fazer uma chuteira que aumenta a velocidade
da bola em 3%, graças a um longo estudo desenvolvido
em cooperação com cientistas canadenses.
A tecnologia fez com que houvesse melhora da transferência
de energia entre o calçado e a bola.
O mais curioso é que, apesar de tanta inovação,
o dia-a-dia dos clubes não consegue desprezar
velhos itens da preparação física
como cones, cordas e a barreira de madeira. O trio funciona
como o vinho: quanto mais velhos, melhores.
DVD na moda - “Vejo mais de dez
DVDs por dia”, garante o são-paulino Muricy
Ramalho. A afirmação pode dar a entender
que o técnico é um algum viciado em filmes.
Ledo engano. O comandante tricolor gasta horas assistindo
a vídeos com os melhores lances de jogadores
que buscam uma vaga no São Paulo. “Agora
é só assim que se contrata. Chove DVD
aqui, e é minha obrigação ver,
para tentar achar algum bom reforço”, justifica.
Desta maneira o Verdão conheceu o chileno Valdivia,
o Timão acertou com o boliviano Arce, e o Flamengo
com o uruguaio Peralta. “Mas a gente também
acaba ficando com uns bondes, porque no DVD só
aparecem os melhores lances dos caras”, reconhece
o botafoguense Cuca. Como esquecer de Santiago Silva,
o El Tanque, que fracassou no Corinthians; Rondon, o
atacante venezuelano que quase não jogou no São
Paulo; Dudar, zagueiro que cansou de dar sustos na torcida
do Vasco... Ficar roendo essa rapadura tecnológica
não é mole não.
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