| Émerson
Leão tem 40 anos de experiência no futebol.
Juntando os títulos como jogador e técnico,
ele soma 20. Mas estes números são fichinha
se forem comparados aos inimigos que o treinador do
Corinthians coleciona. A lista conta com todos os tipos
de pessoas envolvidas no mundo da bola, desde dirigentes,
passando por empresários, jogadores, médicos,
jornalistas e até faxineiros e seguranças.
Sem sombra de dúvida, Leão é dono
do status de homem mais detestado do esporte bretão
no Brasil.
Para entender a facilidade com que o técnico
arranja desafetos, é preciso voltar no tempo.
Década de 60: o garoto Émerson tinha um
mísero amigo, que nem era tão próximo
assim. “Conheço ele desde muito jovem,
pois éramos vizinhos em Ribeirão Preto”,
conta o jornalista Márcio Bernardes. “Já
naquela época, a cidade inteira o considerava
arrogante, prepotente e antipático”, lembra
o apresentador de um programa de futebol na Rádio
Transamérica.
A personalidade forte, o jeito genioso e a língua
afiada fizeram de Leão um verdadeiro pára-raios
de qüiproquós e quizumbas. Entre os casos
célebres na ficha corrida do homem de cabelos
brancos estão o soco que deu em Marinho Chagas
durante a Copa do Mundo de 1974; o chute na cabeça
que levou de Serginho Chulapa em 1981; a batalha campal
da qual fez parte em 1997, contra o Lanús, enquanto
comandava o Santos na Taça Conmebol; e o spray
de pimenta que atingiu seus olhos, atirado por policiais
que tentavam impedi-lo de agredir o árbitro,
numa partida com o Paysandu, no Brasileiro de 2002.
Mas
tais confusões não representam 1/10
de todo o currículo do mais odiado cara do
mundo da bola. “Sou o mais odiado? Bom saber...”,
ironiza Leão, ao ser questionado pelo Fatto
Olé sobre sua baixíssima
popularidade no mercado. “Não estou
nem um pouco preocupado com isso. Só me concentro
no meu trabalho. E se incomodo tanta gente, é
porque devo ter valor”, acrescenta o corintiano,
dando a entender que a inveja predomina dentro das
quatro linhas.
Difícil é saber se Leão criou
mais inimigos enquanto era goleiro ou se desde que
virou técnico. Em sete meses de Parque São
Jorge, por exemplo, ele já esteve perto de
trocar socos com Carlos Alberto, Tevez, Mascherano
e o iraniano Kia Joorabchian, responsável
pela MSI. Nos tempos de São Paulo, estabeleceu
clima de guerra com Júnior, Luizão
e Falcão – lembra do gênio brasileiro
do futsal, que quase não teve chance para
encantar nos gramados?
No Palmeiras, a rusga maior do comandante orgulhoso
foi com os funcionários. Gente que passa
desapercebida na rotina do futebol, mas que entrou
em desespero enquanto teve como chefe o colecionador
de carros antigos. “O dia mais feliz para
todo mundo aqui foi quando ele foi demitido”,
afirma um segurança, que prefere ter o nome
mantido em sigilo, com medo de perder o emprego.
“O Leão é o cúmulo da
arrogância e tratou mal nós da segurança,
jardineiros, faxineiros...”
Quem vai domar a fera? O treinador
é mal-quisto até entre os colegas
de profissão, e o santista Wanderley Luxemburgo
encabeça o movimento. Tudo começou
quando Leão, com sua metralhadora giratória,
acusou o adversário de ter puxado seu tapete
no Santos, em 2004. Depois, “Gloria Menezes”,
como Leão é maldosamente chamado,
afirmou publicamente que nunca apertará a
mão de Luxemburgo. “Amizade e inimizade
existem em qualquer lugar. Também não
faço a mínima questão de cumprimentá-lo”,
retruca o ex-treinador da Seleção
Brasileira.
Outro desafeto incondicional do técnico que
já passou por todos os grandes de São
Paulo é o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Demitido da Seleção após fraca
campanha na Copa das Confederações,
em que só pôde convocar atletas reservas,
Leão bradou nos quatro cantos do mundo o
ódio a Teixeira, a quem chamou de traíra.
“Nunca mais trabalho na Seleção
enquanto ela for comandada por essas pessoas”,
avisa o corintiano. Mesmo que quisesse, não
teria a mínima chance, já que ele
é persona non grata na entidade.
Para completar, Leão também é
abominado pela classe dos árbitros e por
grande parte da imprensa. Os motivos são
óbvios: ele não minimiza nas críticas
aos homens do apito, e vive numa relação
de amor e ódio com os jornalistas. Já
há quem defenda a idéia de levantar
um busto para a esposa de Leão, que o agüenta
há mais de 30 anos. Mulher corajosa, né
não? |
O
QUE FALAM SOBRE LEÃO |
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“Ele não tem competência
para conviver com grandes atletas,
e vive usando desculpas para
justificar a insatisfação
deles. Um técnico não
deveria protagonizar brigas
infantis em público e
durante uma partida, mas sim
guiar aqueles que estão
em processo de amadurecimento.
O Leão é um cara
que precisa trabalhar mais e
falar menos.” |
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“O Leão é
um treinador com prazo de validade.
Seu estilo durão, típico
de uma ditadura, funciona seis
meses. A partir daí,
os jogadores se rebelam e os
resultados desaparecem. O Leão
também vive se gabando
dos caras que lança,
mas ele nem sabia se o Josué
era preto ou branco quando chegou
ao São Paulo. E olha
que o Josué já
fazia sucesso no Goiás
há quase dez anos.” |
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“Eu tenho certeza que
poderia ter dado certo no futebol,
mas o orgulho do Leão
não permitiu. Ele ficava
incomodado com o fato de a imprensa
dar notícias minhas,
e querer me entrevistar. Acho
que ele se sentia desprestigiado,
e não me punha para jogar.
Apesar disso, minha passagem
pelo São Paulo foi maravilhosa
e só guardo ótimas
recordações.” |
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“É muito complicado
trabalhar com ele. Você
tem que ter uma paciência
muito grande, porque o cara
é o dono da verdade e
só quer mandar. Tem de
haver um respeito de homem para
homem, e comigo ele não
teve. Tem que deixar a vaidade
de lado, já que ele passa
dos limites. Não vivemos
mais na ditadura. Espero nunca
mais ter de trabalhar com ele.” |
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“O Leão é
um dos sujeitos mais desprezíveis
no meio do futebol. Não
gosto nem de falar sobre ele.” |
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