2007 - EDIÇÃO 72

LOVE'S IN THE AIR
Por Jorge Nicola

Se você acha que o negócio na Rússia está russo, se enganou. Pelo menos para Vagner Love, boleiro metido a Don Juan, xavequeiro nato e apaixonado por loiras. Na terra da musa Maria Sharapova, cercado de beldades por todos os lados, o carinha tem se dado muito bem, obrigado. Nesta entrevista exclusiva ao Fatto Olé, o ex-palmeirense não reclama nem do frio, que chega a 20º C negativos durante o inverno. “Está tudo uma maravilha”, garante o jogador, do CSKA. Em quase 50 minutos de bate-papo, ele conta mais sobre as deusas russas, fala sobre fugas da concentração, futebol, erros e acertos. Boa leitura!

Como é essa história de que, na média, as mulheres na Rússia são do mesmo nível da maravilhosa tenista Maria Sharapova?
Cara, é sim. A mulherada aqui é alucinante. Onde você olha e aonde vai, tem mulher bonita. E são todas brancas, de olho claro, grandonas e em geral loiras. Não tem como achar mulher feia aqui, não. Nem se você pegar uma faxineira aqui, vai achar ela feia.

Então você vive sonhando acordado...
Ah, com certeza (risos). No Brasil, o pessoal morre de medo de vir para cá. Só de ouvir a idéia, já começa a ficar com frio. Mas tem algumas vantagens, como o nível da mulherada e as várias belezas naturais daqui.

Sua fama no Brasil sempre foi de um conquistador nato. Tem feito muitos gols do outro lado do mundo?
(Risos) Aí você me quebra. Minha mulher e minha filha estão vindo para cá para morar comigo agora, entende. Mas o que dá para dizer é que as russas gostam bastante de brasileiros, e está tudo as mil maravilhas.

Sei, sei... Mas o pessoal já sabe por que você ganhou o apelido de Love?
Sabe, sim. Assim que cheguei, umas das primeiras coisas que os jornalistas me perguntaram foi sobre isso. Aí tive que contar que foi porque numa Copa São Paulo eu pulei o muro de uma concentração para ficar com uma menina, e acabaram descobrindo. Os russos deram risada. Mas, no começo, ficaram meio ressabiados comigo em relação às mulheres. Agora desencanaram (risos).

E você já pulou algum muro de concentração aí?
(Risos) Aqui não tem essa de muro, não. Para sair da concentração é fácil, fácil. Basta querer.

Então você já saiu?
Umas poucas vezes (risos).

Você entende alguma coisa de russo?
Absolutamente nada. Não entendo, não falo, não leio... Mas pelo menos dentro de campo não faz muita falta, porque quando quero a bola, eu grito pra caramba e ela chega. Aprendi quando era pequeno que quem não chora, não mama. Aqui isso vale bem.

Como a torcida grita seu nome aí?
De tudo quanto é jeito. Uns chamam de Vagner, outros de Vagner Love, e ainda tem uns que só falam Love. O engraçado é que conseguem pronunciar o nome direitinho.

O que mais tem de bom para fazer em Moscou, além de ver o desfile de mulheres?
Um monte de coisa. Pô, me amarro em andar nos shoppings daqui. São grandes, cheios de coisa legal para comprar. Outra coisa boa é que onde quer que eu vá, dá para ir sossegado, sem aquela muvuca de gente cercando, pedindo autógrafo. Consigo andar com meu carro para cima e para baixo tranqüilinho.

E o que você mais compra?
Roupa, né. Até porque aqui é frio quase que o ano inteiro. Só no verão que fica uma temperatura mais alta, e em alguns dias chega a 30º C. Mas você acredita que eu já me acostumei a viver com 10º C negativos? Depois de tanto tempo, já nem ligo mais (ele está desde 2004 no futebol russo).

Uma vez o Alberto, ex-atacante do Santos, disse que o futebol na Rússia era impraticável, porque só tinha jogada aérea e nada de técnica. Você sente isso?
Cara, aqui no meu time não tem isso, não. O CSKA tem vários brasileiros (além dele, conta com Jô, Daniel Carvalho, Dudu Cearense e mais recentemente também com Ramon). Além do mais, a maioria dos russos daqui joga na seleção. Então é um grupo forte, bem técnico, que gosta de jogar com a bola no chão, sem balão ou chuveirinho. Não posso reclamar, não.

Você foi um dos principais ídolos do Palmeiras nos últimos anos. Ainda guarda algum carinho pelo clube?
Claro que guardo. Foi lá que tudo começou para mim. Me meti numas confusões, apanhei pra caramba, mas também aprendi demais. Subi para o profissional, fiz gol de tudo quanto é jeito e só consegui me transferir para a Rússia porque o Palmeiras abriu as portas. É claro que não vou falar que só volto para o Brasil se for para jogar no Palmeiras, mas que sou muito grato, sou.

Qual foi a maior pisada na bola que você já deu?
Difícil, viu. Acho que pisei na bola quando dei aquela entrevista (em 2005) dizendo que não queria mais jogar no CSKA e estava acertando com o Corinthians. Hoje vejo que nunca poderia ter falado aquilo. Acabou atrapalhando a negociação. Até porque o presidente do CSKA gosta muito de mim, e ficou decepcionado. Podia pintar o dinheiro que fosse naquela época que o cara não ia me liberar.

Depois de ele ter recusado proposta de US$ 10 milhões do Corinthians e de US$ 15 milhões do Porto, até quando irá durar sua aventura na Rússia?
É complicado prever. Tenho contrato até o fim de 2008, e não dá para saber ainda se vou renovar ou não. Tudo vai depender de como as coisas aqui estarão até lá. O bom é que, com a chegada do Dunga, já vi que posso ser convocado para a Seleção mesmo estando na Rússia. É uma coisa que anima e pode pesar para que eu renove o contrato. Mas vai saber, né? Se aparecer um time grande da Europa disposto a me pagar muito, aí acho que vou embora no final do meu contrato aqui.