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Se
você acha que o negócio na Rússia
está russo, se enganou. Pelo menos para Vagner
Love, boleiro metido a Don Juan, xavequeiro nato e apaixonado
por loiras. Na terra da musa Maria Sharapova, cercado
de beldades por todos os lados, o carinha tem se dado
muito bem, obrigado. Nesta entrevista exclusiva ao Fatto
Olé, o ex-palmeirense não reclama
nem do frio, que chega a 20º C negativos durante
o inverno. “Está tudo uma maravilha”,
garante o jogador, do CSKA. Em quase 50 minutos de bate-papo,
ele conta mais sobre as deusas russas, fala sobre fugas
da concentração, futebol, erros e acertos.
Boa leitura!

Como é essa história de que, na média,
as mulheres na Rússia são do mesmo nível
da maravilhosa tenista Maria Sharapova?
Cara, é sim. A mulherada aqui é alucinante.
Onde você olha e aonde vai, tem mulher bonita.
E são todas brancas, de olho claro, grandonas
e em geral loiras. Não tem como achar mulher
feia aqui, não. Nem se você pegar uma faxineira
aqui, vai achar ela feia.
Então você vive sonhando acordado...
Ah, com certeza (risos). No Brasil, o pessoal morre
de medo de vir para cá. Só de ouvir a
idéia, já começa a ficar com frio.
Mas tem algumas vantagens, como o nível da mulherada
e as várias belezas naturais daqui.
Sua fama no Brasil sempre foi de um conquistador
nato. Tem feito muitos gols do outro lado do mundo?
(Risos) Aí você me quebra. Minha mulher
e minha filha estão vindo para cá para
morar comigo agora, entende. Mas o que dá para
dizer é que as russas gostam bastante de brasileiros,
e está tudo as mil maravilhas.
Sei, sei... Mas o pessoal já sabe por
que você ganhou o apelido de Love?
Sabe, sim. Assim que cheguei, umas das primeiras coisas
que os jornalistas me perguntaram foi sobre isso. Aí
tive que contar que foi porque numa Copa São
Paulo eu pulei o muro de uma concentração
para ficar com uma menina, e acabaram descobrindo. Os
russos deram risada. Mas, no começo, ficaram
meio ressabiados comigo em relação às
mulheres. Agora desencanaram (risos).

E você já pulou algum muro de concentração
aí?
(Risos) Aqui não tem essa de muro, não.
Para sair da concentração é fácil,
fácil. Basta querer.
Então você já saiu?
Umas poucas vezes (risos).
Você entende alguma coisa de russo?
Absolutamente nada. Não entendo, não falo,
não leio... Mas pelo menos dentro de campo não
faz muita falta, porque quando quero a bola, eu grito
pra caramba e ela chega. Aprendi quando era pequeno
que quem não chora, não mama. Aqui isso
vale bem.
Como a torcida grita seu nome aí?
De tudo quanto é jeito. Uns chamam de Vagner,
outros de Vagner Love, e ainda tem uns que só
falam Love. O engraçado é que conseguem
pronunciar o nome direitinho.
O que mais tem de bom para
fazer em Moscou, além de ver o desfile de mulheres?
Um monte de coisa. Pô, me amarro em andar nos
shoppings daqui. São grandes, cheios de coisa
legal para comprar. Outra coisa boa é que onde
quer que eu vá, dá para ir sossegado,
sem aquela muvuca de gente cercando, pedindo autógrafo.
Consigo andar com meu carro para cima e para baixo tranqüilinho.
E o que você mais compra?
Roupa, né. Até porque aqui é frio
quase que o ano inteiro. Só no verão que
fica uma temperatura mais alta, e em alguns dias chega
a 30º C. Mas você acredita que eu já
me acostumei a viver com 10º C negativos? Depois
de tanto tempo, já nem ligo mais (ele está
desde 2004 no futebol russo).

Uma vez o Alberto, ex-atacante do Santos, disse
que o futebol na Rússia era impraticável,
porque só tinha jogada aérea e nada de
técnica. Você sente isso?
Cara, aqui no meu time não tem isso, não.
O CSKA tem vários brasileiros (além dele,
conta com Jô, Daniel Carvalho, Dudu Cearense e
mais recentemente também com Ramon). Além
do mais, a maioria dos russos daqui joga na seleção.
Então é um grupo forte, bem técnico,
que gosta de jogar com a bola no chão, sem balão
ou chuveirinho. Não posso reclamar, não.
Você foi um dos principais ídolos do Palmeiras
nos últimos anos. Ainda guarda algum carinho
pelo clube?
Claro que guardo. Foi lá que tudo começou
para mim. Me meti numas confusões, apanhei pra
caramba, mas também aprendi demais. Subi para
o profissional, fiz gol de tudo quanto é jeito
e só consegui me transferir para a Rússia
porque o Palmeiras abriu as portas. É claro que
não vou falar que só volto para o Brasil
se for para jogar no Palmeiras, mas que sou muito grato,
sou.
Qual foi a maior pisada na bola que você já
deu?
Difícil, viu. Acho que pisei na bola quando dei
aquela entrevista (em 2005) dizendo que não queria
mais jogar no CSKA e estava acertando com o Corinthians.
Hoje vejo que nunca poderia ter falado aquilo. Acabou
atrapalhando a negociação. Até
porque o presidente do CSKA gosta muito de mim, e ficou
decepcionado. Podia pintar o dinheiro que fosse naquela
época que o cara não ia me liberar.
Depois de ele ter recusado proposta de US$ 10
milhões do Corinthians e de US$ 15 milhões
do Porto, até quando irá durar sua aventura
na Rússia?
É complicado prever. Tenho contrato até
o fim de 2008, e não dá para saber ainda
se vou renovar ou não. Tudo vai depender de como
as coisas aqui estarão até lá.
O bom é que, com a chegada do Dunga, já
vi que posso ser convocado para a Seleção
mesmo estando na Rússia. É uma coisa que
anima e pode pesar para que eu renove o contrato. Mas
vai saber, né? Se aparecer um time grande da
Europa disposto a me pagar muito, aí acho que
vou embora no final do meu contrato aqui. |