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O
quarentão punk se revelou um bom entendedor
de bola
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Minha
próxima missão não é mole
não: descobrir quanto vale o guarda-roupa de
um punk malucão que tem uma Land Rover e uma
Harley Davidson na garagem. Mais do que isso. Desvendar
a essência de Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy
atrás da fantasia bizarra de Supla. Louco, né?
É, minha gente, vida de repórter é
mais ou menos como um reality show após
o outro. Depois da marcação cerrada, apurei
que o rebelde de 40 anos, santista roxo, é um
boleiro frustrado. “Se eu tivesse seguido a carreira
de jogador de futebol, teria causado um estrago”.
Como roqueiro, o ‘Papito’ é mesmo
habilidoso com a bola nos pés. Só para
você ter idéia, ele é considerado
um dos grandes craques da história do Rockgol
– campeonato entre músicos organizado pela
MTV. Muito antes de ganhar sua primeira bateria aos
11 anos, a gorduchinha era sua companheira inseparável.
O loiro tingido, que tem até alguns pinos na
perna por causa de uma contusão sofrida em 1998,
costumava freqüentar uma favela para participar
das peladas. “Até o dia que me botaram
uma arma na cabeça”, lembra Supla, dizendo
que a ameaça foi por conta do governo de sua
mãe, Marta Suplicy, que na época era prefeita
de Sampa. “O cara misturou as coisas e nunca mais
voltei naquela área”.
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O
músico lançou a moda do cabelo pintado
de branco
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Mesmo
seguindo o caminho da música, o esporte bretão
ainda toma boa parte do seu tempo. Uma das faixas de
seu novo CD (‘Vicious’) terá como
clipe a trajetória de um garoto pobre que decidiu
seguir a carreira de jogador de futebol. “Na música
Pensamentos quero demonstrar que dias melhores
virão, independentemente das outras pessoas”.
Com essa pinta toda de entendedor, o ‘garotão-multimídia’
acredita que o futebol é mesmo a maior fonte
de liberdade de expressão das massas. “O
momento em que todo mundo pode extravasar e xingar até
a mãe do juiz”. Supla ainda discorda dos
intelectuais que afirmam que o esporte bretão
é uma das ferramentas de alienação
do povo. “Um cara que fala isso tem que deixar
os livros de lado e sentir a verdadeira vibração
da galera num estádio”.
Se
tivesse sido boleiro, Supla seria uma espécie
de Beckham brasileiro. Imagine outra pessoa ostentando
um terno rosa ou quadriculado, feito sob medida pelo
estilista Ricardo Almeida. Só o ‘Juninho
Papito’ mesmo. Pô, é inevitável:
o cara é uma baita referência fashion.
É bem provável que Paulo Nunes, Dinei,
entre outros jogadores que descoloriram o cabelo, se
espelharam no look do ‘Charada Brasileiro’.
“Tenho orgulho do meu estilo”, diz Supla,
um punk metrossexual. “Quando pintei o cabelo
ninguém tinha feito isso por aqui”. Ele
garante que não veste máscara de nenhum
personagem, interpreta apenas ele mesmo, usa modelitos
excêntricos até dentro de casa e esconde
no fundo do baú o valor que investe em tratamentos
de beleza e roupas de grife. “A maioria delas
compro em lojas fora do País”, revela.
Com certeza, Supla investe uma fortuna para se repaginar
dia-após-dia.
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As
caras e bocas de Supla são sua marca registrada
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Sei
que não estou aqui para responder perguntas,
e sim para perguntar respostas. Por isso, Supla, preciso
saber como um cara rotulado de tantas coisas que contradizem
a ideologia punk, como rebelde sem causa, playboy, irreverente,
brega, pop e muitas vezes excelente marketeiro, pode
manter hits de sucesso nas rádios por mais de
20 anos? Afinal de contas não existe um só
brasileiro que não tenha na ponta da língua
as canções Japa Girl, Garota de Berlim
e Humanos. “Tenho noção do
meu carisma, sou um metido humilde”, explica.
Um punk de 40 anos com vários parafusos a mais
e muitos pregos a menos que transita bem por todas as
tribos. Antes de ser carismático, antenadíssimo,
inteligente, Supla é um verdadeiro político
– afinal filho de peixes, peixinho nato.
Bom,
por trás daquele figurino extravagante (até
mesmo brega), de onde pode-se enxergar estilo na superprodução
de roupas de tecido e couro e nas dezenas de acessórios
na linha sadomasoquista, encontrei um sujeito sentimental.
Acredito que a maior contribuição de Supla
para a cultura brasileira está muito além
da música e até mesmo da moda. O maior
segredo desse punk da elite é saber respeitar
as diferenças. Num mundo que peca pelo tédio
da mesmice, ele se sobressai. Sua mensagem é
fazer com que as pessoas acreditem mais em si mesmas.
E isso não é pouco. Você, prezado
leitor, tem todo direito de gostar ou não gostar,
mas uma coisa é certa: não existem dois
iguais. Nem sequer parecidos. Com Supla é assim
mesmo, ame-o ou deixe-o.
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