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O
Felipão ranzinza, durão e vitorioso a
beira do campo é conhecido no Brasil, em Portugal
e em qualquer parte do mundo. Mas o Fatto Olé
entrevistou o técnico que deu o último
título mundial à Seleção
Brasileira para revelar toda sua intimidade. Você
sabia que, por trás daquele bigodaço,
existe um pai que se sujeita até a lavar louça,
só para poder ter mais contato com os filhos?
E que, apesar da barriguinha saliente, o gaúcho
de Passo Fundo briga para se manter no peso, a ponto
de já ter se tornado fã de salada com
tomates?
Perto de completar 60 anos de idade, Luiz Felipe Scolari
é extremamente caseiro. Evita badalações,
jantares fora de casa e eventos com muita gente. “Quero
aproveitar agora para estar mais perto da minha família.
Coisa que não consegui desde que escolhi virar
treinador de futebol”, explica.
Com um salário superior a R$ 500 mil por mês,
ele caprichou na escolha de sua casa. Mora numa mansão
em Cascais, vila portuguesa na região de Lisboa.
“Estou num lugar sossegado, pequeno, que tem um
pôr-do-sol espetacular, com direito à praia,
tranqüilidade e segurança. O que mais eu
posso querer?”, indaga o treinador, que completa.
“Tudo isso, e ainda é perto do meu local
de trabalho.”
Felipão só aceita dormir longe de seu
travesseiro de estimação por um bom motivo:
viajar com sua turma. “Gosto muito de conhecer
novos lugares, e em Portugal tenho a possibilidade de
fazer isso com meus filhos diversas vezes ao ano”,
conta. De tanto rodar pela Terrinha, ele já pode
até dar uma de guia turístico. “O
país é muito bonito em cada um de seus
quatro cantos. Tudo é cheio de história,
e não há visitante que venha e saia insatisfeito.”
Como
bom gaúcho, o prato preferido de Felipão
é... se você chutou churrasco, errou. “Estou
numa fase em que adoro comer arroz, feijão, bife
e salada com tomate”, revela. “Com vinho
Chateua Lacave”, acrescenta o treinador, que se
encarrega de assumir a pia e acabar com a sujeira da
louça ao final da maioria das refeições,
só para ter mais tempo de conversa com suas crias.
“É também uma forma de ficar em
contato com a família. Enquanto vou lavando os
pratos, copos e talheres, consigo me inteirar de alguns
assuntos principalmente com meus filhos.”
O técnico número 1 no coração
dos torcedores brasileiros adora filmes e tem um verdadeiro
cinema em casa. É comum pegá-lo esticado
no sofá assistindo a um longa-metragem de Clint
Eastwood. “Acho ele um dos melhores do mundo no
que diz respeito à criação de filmes.”
Porém o título que mais roda no DVD do
treinador é “Ao Mestre com Carinho”.
De Sidney Poitier, o filme mostra a luta de um só
homem para mudar a sociedade.
A fama de sério e disciplinador o acompanha por onde
passa. Tanto é que em três anos à frente da seleção
portuguesa, não houve uma só pessoa que ousou contar
a ele alguma piada de brasileiro, como os portugueses
fazem com freqüência. As aulas de italiano que ele faria
ainda não começaram. "Por enquanto só escuto a língua
quando ligo em algum canal da Itália." |