| Ela
já serviu de inspiração para muitos
jogadores na comemoração de seus gols.
Também foi capaz de encantar milhões de
brasileiros com acrobacias em pleno ar e movimentos
perfeitos numa área cercada por quatro linhas,
assim como no futebol. A gauchinha Daiane dos Santos,
maior nome da ginástica artística na história
do Brasil, revela toda sua intimidade nesta entrevista
exclusiva. A Rainha das Cambalhotas fala sobre o boleiro
mais bonito do País, futebol, objetivos, família,
rotina de treinos e também a respeito da aposentadoria,
cada vez mais próxima. Boa leitura.
Abre o jogo: você é
corintiana ou torce para o Inter?
(Risos) Ai, dúvida cruel. Para falar bem a verdade,
eu torço para o Corinthians e para o Inter. Virei
colorada porque lá em casa todo mundo é.
Só que depois passei a gostar também do
Corinthians por causa da sua torcida, do time, das cores...
Sei lá.
Isto é, você virou
a casaca...
Não. Meu pai me mata se ouvir falar que eu não
torço mais para o Inter. Sou metade Corinthians,
metade Inter. E fiquei superfeliz no ano passado, quando
o Inter foi campeão mundial.
Com o jogo de cintura que tem,
não acha que faria sucesso no futebol?
Até que eu sei jogar, viu. Como eu gosto bastante
de ver as partidas, acabei pegando as manhas. Sei inclusive
o que é impedimento. Mas nunca ia ser uma jogadora
de sucesso.
Qual o boleiro mais bonito
do futebol brasileiro?
Humm. O Nilmar, claro. Ele tem um rosto lindo, parece
ser um cara gente-fina e ainda jogou no Inter e no Corinthians.
Não é o cara perfeito?

Por falar em caras perfeitos,
como anda o coraçãozinho da Daiane?
Bem tranqüilo, viu. Até porque a vida de
atleta não permite que se tenha tempo para ocupá-lo.
Mas você adora balada,
é do tipo descolada...
Mesmo assim. Estou num momento decisivo da minha carreira.
Já decidi que paro com a ginástica depois
da Olimpíada do ano que vem, e tenho dado o máximo
em todos os treinos para fazer bonito neste finalzinho.
Quero ganhar um ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio
(em julho) e uma medalha em Pequim.
Essa decisão de parar
é definitiva?
É sim. Em 2008 já vou estar com 26 anos,
e quero aproveitar um pouco a vida. Para ser uma ginasta
de sucesso, a gente tem que se privar de muitas coisas.
Adoro baladas, mas só consigo sair nas férias.
Não tem jeito. Também quero conhecer gente
legal, namorar...
E você já sabe
o que fará depois de largar a ginástica?
Claro. Neste ano começo a fazer um curso para
aprender a cuidar de crianças especiais. Quero,
a partir de 2009, ter uma clínica para dar assistência
e cuidar delas.
Ver o treino de qualquer ginasta
assusta, pelo grau de exigência. Você deve
viver com dores pelo corpo, né não?
Essa é outra situação que acaba
saturando. Nós, meninas da Seleção
Brasileira, treinamos uma média de sete horas
por dia. E não aquela coisinha básica
de jogador de futebol, que dá umas corridinhas
e treina chute a gol. Passamos as sete horas fazendo
força com os braços, as pernas. Para completar,
o nosso técnico é o Oleg Ostapenko, considerado
um dos melhores do mundo, mas também um dos mais
exigentes.

Você se tornou famosa
mundialmente graças à ginástica,
mas a ginástica brasileira só passou a
existir depois de você. Diante disso, dá
para dizer que é a Daiane que deve mais à
ginástica, ou o contrário?
Acho que está empatado. Tudo o que conquistei
na vida eu devo à ginástica. Hoje conto
com uma condição financeira boa, sou respeitada
nos quatro cantos do mundo e até tenho um salto
com o meu nome (Dos Santos). Mas também tenho
consciência que dei uma contribuição
importante para a ginástica no Brasil. Se uma
etapa de Copa do Mundo acontece aqui, e com ginásio
cheio, é porque eu fui uma das que ajudou a regar
a plantinha da ginástica lá atrás.
E isso me dá muito orgulho.
Para fechar: foi do seu pai
ou da sua mãe que você herdou tamanha explosão
física para dar aqueles saltos altíssimos,
cheios de técnica e estilo?
Ah, difícil responder essa, viu. Mas deve ter
sido da minha mãe, porque, como o meu pai mesmo
fala, ele só foi até hoje um zagueiro
sem muito destaque das peladas de fim de semana em Porto
Alegre. Já minha mãe tinha o esporte correndo
na veia (risos). Só para você ter uma idéia,
ela cresceu num sítio, no meio do mato, e lá
mesmo ela inventava umas corridas, com direito à
travessia de rio e tudo. Agora ela joga vôlei,
basquete...
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