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Sandro Dias é um baita transformista. Um cara
que rala muito para recriar a imagem do skate, transformando
a realidade em felicidade real – além de
ser chamado de Mineirinho, ele também é
conhecido no circuito internacional como “Smiley
Brazilian”. É inevitável: a alegria
de praticar o hobby como profissão é o
segredo deste tetracampeão mundial, considerado
o sucessor de Tony Hawk. Sem muitas manobras, o
Fatto Olé invade a pista de Sandro com
uma bola. Aliás, você sabia que o futebol
é anterior ao skate até mesmo na vida
do palmeirense-voador? Só para ter idéia,
ele costuma brincar com a ‘gorduchinha’
durante o aquecimento para os treinamentos radicais.
Confira a entrevista exclusiva.
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O
tetracampeão mundial venceu o Rio Vert
Jam com manobras perfeitas
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Você tem o skate na veia. E o futebol, tá
na alma?
Quando
eu era moleque, jogava muita bola, participava de campeonatos
no clube, mas nunca pensei em nada profissional. Até
hoje eu tenho uma noção com a bola no
pé. Sempre me dou bem com esportes, tenho bastante
facilidade de me adaptar. Se eu me dedicar um pouco,
não faço feio de jeito nenhum.
Rolam umas ‘peladas’ entre os skatistas
profissionais?
Na minha pista em São Bernardo temos uma bola
que usamos para aquecer. Ficamos petecando para esquentar.
Não é muito comum, mas em alguns campeonatos
também rolam umas peladas.
Se você fosse craque do futebol, gostaria de jogar
em qual time?
Eu
jogaria no Palmeiras, porque é o time que torço.
Seria atacante ou lateral, posições em
que mais me identifico.
Por falar nisso, Mineirinho versus Bob é
igual Palmeiras versus Corinthians ou Flamengo versus
Fluminense?
De jeito nenhum, nós não temos
rivalidade alguma. Somos amigos desde criança,
e começamos a andar de skate praticamente juntos.
Quem arruma essa briga toda é a mídia.
Fala sério, você é o Ronaldinho
dos half pipes?
Ah, não. Não me acho isso tudo. Ele (Ronaldinho)
é muito bom para fazer uma comparação
dessas. E tem outra; nem posso pensar assim, senão
paro de evoluir.
Você prefere o skate de resultados ou
o skate estilo arte?
Na verdade pratico o skate de resultado quando meu lado
profissional fala mais alto, em campeonatos e competições.
O estilo arte é aquele do dia-a-dia, que eu brinco
e me divirto muito.
Skate é mais sinistro que boxe e F-1?
Acho
que todos esses esportes têm um certo risco. O
skate é bastante perigoso porque a qualquer momento
a gente pode sofrer um acidente, a rodinha pode travar
e o truck (eixo) quebrar. Na Fórmula 1 também
é assim, tem acidente que o piloto pode morrer.
No boxe, se o cara tomar uma bem dada, já era.
Mesmo o skate sendo considerado um esporte de risco,
tem algumas coisas que os profissionais fazem para diminuir
o perigo: a gente aprende a cair, e principalmente a
respeitar os nossos limites.
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Sandro
pratica o skate estilo arte nas horas vagas
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Quantos ossos você já fraturou?
Não muitos. Já quebrei alguns dedos da
mão e do pé, o pulso... Acho que só.
Mas torção eu já tive muitas, quase
que no corpo todo. Na verdade eu mais torço do
que quebro.
Mas o Bob Burnquist já teve mais de 20
ossos fraturados...
(Risos) É porque ele é fraquinho, e eu
sou forte.
Você viajou o mundo a bordo de uma prancha com
rodinhas. Skate também é cultura?
Com certeza, foi graças ao skate que aprendi
a falar inglês, que acabei conhecendo a maioria
dos países do mundo. Foi por ele que me eduquei,
e acabei me tornando a pessoa que eu sou hoje em dia.
Além de me dar disposição e saúde.
A maioria dos jogadores gosta de pagode. Que
música não pode faltar no seu iPod?
Eu sou um cara bastante eclético. Ouço
de tudo, dependendo do momento e do meu astral. Escuto
rock, techno, samba ou sertanejo.
Você já ficou rico?
Eu vivo bem e tudo que eu construí na vida foi
através do skate.
Que pergunta você faria para o Dunga, se fosse
repórter?
Se eu tivesse a oportunidade de falar com ele, não
perguntaria, aconselharia. Diria para ele cobrar da
equipe mais respeito pelos adversários, ao contrário
do que aconteceu na Copa passada. Os jogadores devem
tirar o salto alto, e acabar de vez com o nariz empinado.
O Dunga tem que mostrar que a Seleção
não é favorita sempre.
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