2006 - EDIÇÃO 67

FUTEBOL NO HALF PIPE
Por Nathalia Pazini, especial para o Fatto Olé

Sandro Dias é um baita transformista. Um cara que rala muito para recriar a imagem do skate, transformando a realidade em felicidade real – além de ser chamado de Mineirinho, ele também é conhecido no circuito internacional como “Smiley Brazilian”. É inevitável: a alegria de praticar o hobby como profissão é o segredo deste tetracampeão mundial, considerado o sucessor de Tony Hawk. Sem muitas manobras, o Fatto Olé invade a pista de Sandro com uma bola. Aliás, você sabia que o futebol é anterior ao skate até mesmo na vida do palmeirense-voador? Só para ter idéia, ele costuma brincar com a ‘gorduchinha’ durante o aquecimento para os treinamentos radicais. Confira a entrevista exclusiva.

Fábio Minduim/Divilgação
O tetracampeão mundial venceu o Rio Vert Jam com manobras perfeitas

Você tem o skate na veia. E o futebol, tá na alma?
Quando eu era moleque, jogava muita bola, participava de campeonatos no clube, mas nunca pensei em nada profissional. Até hoje eu tenho uma noção com a bola no pé. Sempre me dou bem com esportes, tenho bastante facilidade de me adaptar. Se eu me dedicar um pouco, não faço feio de jeito nenhum.

Rolam umas ‘peladas’ entre os skatistas profissionais?
Na minha pista em São Bernardo temos uma bola que usamos para aquecer. Ficamos petecando para esquentar. Não é muito comum, mas em alguns campeonatos também rolam umas peladas.

Se você fosse craque do futebol, gostaria de jogar em qual time?
Eu jogaria no Palmeiras, porque é o time que torço. Seria atacante ou lateral, posições em que mais me identifico.

Por falar nisso, Mineirinho versus Bob é igual Palmeiras versus Corinthians ou Flamengo versus Fluminense?
De jeito nenhum, nós não temos rivalidade alguma. Somos amigos desde criança, e começamos a andar de skate praticamente juntos. Quem arruma essa briga toda é a mídia.

Fala sério, você é o Ronaldinho dos half pipes?
Ah, não. Não me acho isso tudo. Ele (Ronaldinho) é muito bom para fazer uma comparação dessas. E tem outra; nem posso pensar assim, senão paro de evoluir.

Você prefere o skate de resultados ou o skate estilo arte?
Na verdade pratico o skate de resultado quando meu lado profissional fala mais alto, em campeonatos e competições. O estilo arte é aquele do dia-a-dia, que eu brinco e me divirto muito.

Skate é mais sinistro que boxe e F-1?
Acho que todos esses esportes têm um certo risco. O skate é bastante perigoso porque a qualquer momento a gente pode sofrer um acidente, a rodinha pode travar e o truck (eixo) quebrar. Na Fórmula 1 também é assim, tem acidente que o piloto pode morrer. No boxe, se o cara tomar uma bem dada, já era. Mesmo o skate sendo considerado um esporte de risco, tem algumas coisas que os profissionais fazem para diminuir o perigo: a gente aprende a cair, e principalmente a respeitar os nossos limites.

Divulgação
Sandro pratica o skate estilo arte nas horas vagas

Quantos ossos você já fraturou?
Não muitos. Já quebrei alguns dedos da mão e do pé, o pulso... Acho que só. Mas torção eu já tive muitas, quase que no corpo todo. Na verdade eu mais torço do que quebro.

Mas o Bob Burnquist já teve mais de 20 ossos fraturados...
(Risos) É porque ele é fraquinho, e eu sou forte.

Você viajou o mundo a bordo de uma prancha com rodinhas. Skate também é cultura?
Com certeza, foi graças ao skate que aprendi a falar inglês, que acabei conhecendo a maioria dos países do mundo. Foi por ele que me eduquei, e acabei me tornando a pessoa que eu sou hoje em dia. Além de me dar disposição e saúde.

A maioria dos jogadores gosta de pagode. Que música não pode faltar no seu iPod?
Eu sou um cara bastante eclético. Ouço de tudo, dependendo do momento e do meu astral. Escuto rock, techno, samba ou sertanejo.

Você já ficou rico?
Eu vivo bem e tudo que eu construí na vida foi através do skate.


Que pergunta você faria para o Dunga, se fosse repórter?
Se eu tivesse a oportunidade de falar com ele, não perguntaria, aconselharia. Diria para ele cobrar da equipe mais respeito pelos adversários, ao contrário do que aconteceu na Copa passada. Os jogadores devem tirar o salto alto, e acabar de vez com o nariz empinado. O Dunga tem que mostrar que a Seleção não é favorita sempre.