| Aloha,
galera. Veja só: não é todo jogador
que depende da bola para estar na crista da onda. Muito
menos para escapar da maré baixa, saca? Depois
de encarar muito crownd (muita gente surfando na mesma
praia), o Fatto Olé dropou a
'morra' da série para invadir os points dos boleiros-surfistas.
Atletas que, se não fossem profissionais do futebol,
tentariam a sorte em cima de uma prancha.
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Os
boleiros-surfistas dividem seu tempo entre a praia
e os gramados |
Os
surfistas de carteirinha no Brasil são o goleiro
Bosco, do São Paulo, e o meia Rodrigo, que virou
Rodrigo Beckham depois de imitar alguns penteados do
craque da seleção inglesa. Aquele mesmo
que passou por Botafogo, Atlético-PR e Juventude.
Do outro lado do Oceano Atlântico, encarando as
perfeitas esquerdas do Sul da Espanha, aparece o lateral-direito
Michel Salgado, do Real Madrid.
Com a mesma intensidade que odeia conviver com jogadores
brasileiros, Salgado ama estar no mar. “Sinto
uma sensação de liberdade incrível
enquanto estou lá no fundo, depois da arrebentação,
esperando pelas ondas”, conta o madrilenho, conhecido
pelos arranca-rabos com Ronaldo, Robinho e Cicinho.
É bem verdade que o lateral surfa de long-board
(prancha maior, mais larga e com mais flutuação),
porém ele demonstra desenvoltura e até
arrisca algumas manobras.
Nada que se compare a Rodrigo. Nascido e criado em Santos,
litoral sul de São Paulo, o jogador cresceu se
dividindo entre as peladas na praia e as “quedas”
(como os surfistas chamam o ato de surfar) no Guarujá,
município vizinho. “Os estudos acabavam
ficando sempre em terceiro plano. Minha rotina era linda:
fingia que estudava de manhã, pegava onda à
tarde e jogava bola à noite”, relembra
o atleta.
Mas os tempos áureos de Rodrigo estão
voltando. Ele acertou recentemente contrato com duração
de quatro meses com o Boavista Sport Clube, time que
disputará a Primeira Divisão do Campeonato
Carioca em 2007. A boa notícia para o bonitão
é que a sede do Boavista é em Saquarema,
município no Rio conhecido como Capital Nacional
do Surfe.
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| Michel
Salgado é adepto do long-board |
"Estou
morrendo de vontade de dar uma queda, mas não
tive tempo ainda”, diz Rodrigo, que mudou-se na
última terça-feira para o palco de diversas
etapas do WCT (Campeonato Mundial de Surf). “Escuto
há anos o pessoal falando que as direitas aqui
são cavadas. Na primeira pausa que tivermos na
pré-temporada, vou correr para o mar”,
avisa o paulista, que arrebenta dentro da água.
Já o são-paulino Bosco não tem
a mesma sorte do reforço do Boavista. Por morar
na capital de São Paulo, ele é obrigado
a esperar pelos dias de folga concedidos pelo técnico
Muricy Ramalho para sonhar com os tubos. “Quando
não tem treino, eu pego o carro e corro para
alguma praia do litoral. Já conheci várias,
e gostei bastante de Maresias. Além de ser uma
cidade bacana, cheia de agito, tem uma série
(seqüência de ondas grandes) bem interessante”,
conta o reserva de Rogério Ceni, que aprendeu
a correr paredes, entrar em tubos e tentar aéreos
na praia de Boa Viagem, em Recife (PE).
“Pena que os outros jogadores não gostam
muito de surfar. Eles não sabem o bem que faz
esse contato com a natureza”, acrescenta Bosco,
que se revela um fã incondicional do norte-americano
Kelly Slater, oito vezes campeão mundial. A paixão
do goleiro pela prancha é tal que nem os constantes
ataques de tubarões na praia de sua terra natal
conseguiram impedi-lo de surfar. “Medo eu tenho
de tomar uma mordida, né? Mas eu prefiro arriscar,
porque é raro estar lá em Recife, e quando
tenho a chance, gosto de relembrar meu passado.”
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