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A
mulher mais poderosa do futebol brasileiro acaba de
fazer lipoaspiração. Gislaine Nunes, que
costuma deixar os dirigentes e os torcedores de cabelo
em pé, perdeu 53 quilos. “Agora ninguém
mais pode me xingar de vaca gorda”, afirma a advogada,
que já "libertou" mais de 500 boleiros
e atualmente cuida de vários processos envolvendo
atletas – a maioria sem receber salários
ou depósitos do fundo de garantia. Nesta conversa
franca, a ‘Princesa Isabel’ do esporte bretão
abre o jogo e desvenda tudo o que você merece
saber.
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Corintiana,
Gislaine freqüenta jogos à noite para
não ser reconhecida
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Você é mesmo odiada pelos dirigentes?
Não
sei se odiada, mas posso dizer que sou perseguida por
eles e isso acontece geralmente quando me envolvo em
casos importantes, com atletas renomados e grandes clubes.
Mas tem um cara que já declarou para todo mundo
que não me suporta: o Eurico Miranda.
Então, você deve sofrer muitas ameaças...
Muitas. Por isso eu sempre ando com dois seguranças
particulares. Prefiro evitar a concretização
de todas estas ameaças, que sempre são
anônimas, é claro. Os torcedores, que perdem
seus ídolos por fraqueza dos clubes, também
não gostam muito do meu trabalho.
E tentativas de suborno?
No começo eu sofri bastante com isso, principalmente
pelos clubes grandes. Lembro-me perfeitamente do último
que tentou me subornar: quando ele percebeu que eu não
aceitaria a oferta de jeito nenhum, disse que já
tinham falado para ele que eu era pobre, mas orgulhosa.
Hoje em dia ninguém toca nesse assunto comigo,
porque sabe que eu não sou de conversa mole.
Quantos boleiros você já alforriou?
Entreguei a liberdade, com muito prazer, para
mais de 500 atletas. O último foi o Fernando
que hoje está no São Paulo e que eu liberei
do Fluminense.
Os jogadores brasileiros são injustiçados?
São sim. Principalmente pelas alterações
da lei, que teria tudo para beneficiá-los. O
lobby dos clubes mudou tudo e os atletas acabaram se
prejudicando. Mas também acho que os jogadores
têm sua parcela de culpa nessa história,
já que eles não se movimentaram para que
o lobby deles fosse tão forte quanto o dos clubes.
Infelizmente a categoria dos boleiros não é
unida.
Quem é o grande explorador: clube ou
empresário?
Mais o clube, que lucra com os altíssimos valores
dos canais de televisão pelo uso da imagem dos
jogadores nos campeonatos. A lei prevê que o atleta
deva ganhar 20% do valor que o clube recebe, mas a realidade
é outra e o jogador acaba com 5% desse valor.
Quanto aos empresários, muitos também
não me agradam nem um pouco.
Jogador de futebol ama o que faz ou ama o que
ganha?
Eles amam o que fazem, sim. Afinal de contas, eles só
sabem fazer isso. Jogador que está fora de sua
profissão é sempre frustrado. Mas o que
não existe mais é o amor à camisa.
Isso é papo furado. Eu não deixo nenhum
jogador que cuido beijar a camisa. Eles têm que
mostrar profissionalismo e acabou.
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A
advogada sofre ameaças de cartolas e torcedores
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Fala sério: é verdade que você
costuma distribuir camisinhas aos seus clientes?
(Risos) Não é assim também. Eu
só costumo perguntar se eles usam camisinha quando
eles saem para namorar. Isso só aconteceu uma
vez que um jogador saiu daqui dizendo que ia encontrar
com uma mulher, perguntei se ele tinha preservativo
e ele disse que não. Aí mandei meu secretário
ir buscar. E eu também não gosto que eles
usem a camisinha que as meninas levam. Vai saber, né?
Então, a maior ameaça são
as Marias-chuteiras?
Eu morro de medo dessas meninas. Elas criam problemas.
Mas acho que a maior ameaça contra os jogadores
são eles mesmos: suas atitudes, suas companhias...
Sempre digo ‘olha aí estes que já
foram grandes nomes e que hoje não estão
com dinheiro, veja quem é que está realmente
do lado deles’.
Que tipo de loucuras os boleiros costumam fazer
por elas?
Eu já vi de tudo: presentes caríssimos,
viagens para a Europa (com direito a acompanhante).
Isso tudo me constrange muito, os valores que eles gastam
com as Marias-chuteiras são desnecessários.
O grande problema do futebol brasileiro é
a velhice no poder?
Talvez. Acho que sangue novo é bom, precisamos
de mentalidade nova e de pessoas que estão dispostas
a ouvir. Se não o futebol brasileiro fica como
está, movido pela venda. Isso porque os nossos
dirigentes são arcaicos, provincianos.
De que figura do mundo da bola você jamais
compraria um carro usado?
(Risos) Você quer me matar? Os leitores terão
que usar imaginação para essa resposta.
Na sua opinião de especialista, qual será
o último capítulo da novela Nilmar?
Eu não tenho nem dúvidas de que ele vá
ficar no Corinthians.
Você já ficou rica?
Vou te dizer que não dá para eu me aposentar
ainda. Mas deu para comprar um apartamento, fazer uma
lipoaspiração... Aliás, agora nenhum
dirigente pode vir me chamar de ‘vaca gorda’,
como já fizeram. Perdi 53 quilos. Mas tenho que
trabalhar muito ainda para ficar rica.
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