2007 - EDIÇÃO 66

LULINHA PAZ E AMOR
Por Jorge Nicola

O olho-mágico do Fatto Olé continua espertíssimo, após reverenciar o talento de Alexandre Pato. E se o grande segredo do sucesso do futebol brasileiro é a revelação de boleiros, nesta edição colocamos mais um mini-craque na cara do gol. Lulinha, camisa 10 do ‘Timãozinho’, foi o grande destaque da Copa São Paulo de Juniores. Numa categoria em que os salários não passam dos R$ 500, ele ganha quase R$ 2 mil por mês. Com apenas 16 anos, o cara tem média de 1,5 gol por partida e já está na mira do todo-poderoso Barça. É mole? Só para constar: apesar do apelido, Lulinha não manja nada de política. Nas horas vagas, o negócio do garoto é ‘pirar’ no videogame. Acompanhe!

Ter o mesmo apelido do nosso presidente é fria?
Depende da hora. Consegui muita coisa por ter o mesmo apelido do homem, até porque ninguém esquece de você. Mas também já fui zoado pra caramba por ser o Lulinha, principalmente na época de eleição. Imagina o que eu tive que ouvir quando estava rolando aquele monte de acusação de corrupção e tudo mais. Esse negócio de política é o lado ruim.

Foi duro chegar até aqui?
Com certeza. Meu pai é funcionário público e minha mãe faz bico na casa de amigas, só que mesmo assim o dinheiro sempre foi curto em casa. É bem difícil até hoje. Pensei muitas vezes em parar de jogar, porque só dava gastos e o Parque São Jorge sempre foi longe de casa. Levava 1h30 só para ir, todo santo dia. E como eu era muito novo, minha irmã Viviane é quem tinha que me levar. Ela agüentou uma barra grande, e, agora que terminou os estudos, vou pagar uma faculdade. Quero que ela seja alguém na vida.

E agora você é cotado até para jogar no Barcelona...
Pra você ver, né. Nem consigo acreditar quando escuto essas coisas. Jogar no Barcelona para mim ainda é coisa para o videogame (risos). Sempre escolho o time catalão no Winning Eleven (jogo do Playstation). Com o ataque de Ronaldinho, Eto’o e Messi, não tem para ninguém.

Mas então o Lulinha teria que se contentar com o banco no Barça?
E olhe lá (risos). Mas falando sério: é bom saber que times grandes estão de olho, ainda mais se um dos clubes for do tamanho do Barcelona. Só que para não perder o foco, acho que seria bom ficar mais uns anos no Brasil, fazer um nome, me firmar no profissional...

Todo garoto sonha em ter um carro, não é mesmo?
Ah, sem dúvida! Gosto muito do Stilo Schumacher, da Fiat. É que ainda não tenho carta, nem idade para ter, mas vai ser a primeira coisa que vou comprar quando fizer 18 anos.

Jogador é, em geral, um nato fazedor de filhos...
Nem a pau. E nem quero ter tão cedo, porque sei o sofrimento que é para criar um filho sem dinheiro. Só futuramente, mesmo. Nem casado eu sou. Só tenho uma namorada, há oito meses, e já está bom demais.

Então, qual a sua principal meta atualmente?
Estar até o fim do ano jogando no time principal. Quero trabalhar com o professor Leão logo. Acho que ele vai me ajudar a crescer profissionalmente e me fazer um jogador ainda melhor. Já pensou se eu conseguir na categoria profissional o mesmo tanto de gols que marco aqui (Lulinha fez 26 gols em 25 jogos no Paulista sub-17, em 2006)?

O Pato, jogador do Inter, serve de exemplo para você?
Claro que serve. Até cheguei a jogar contra ele na Copa Nike um tempo atrás. Ele está passando tudo o que acho que vou passar em breve, então o negócio é ir vendo como ele reage. O Pato já deixou a mensagem de que é preciso estar bem sempre, se não você acaba ficando para trás.