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O
olho-mágico do Fatto Olé continua espertíssimo,
após reverenciar o talento de Alexandre
Pato. E se o grande segredo do sucesso do futebol
brasileiro é a revelação de boleiros, nesta edição colocamos
mais um mini-craque na cara do gol. Lulinha, camisa
10 do ‘Timãozinho’, foi o grande destaque da Copa São
Paulo de Juniores. Numa categoria em que os salários
não passam dos R$ 500, ele ganha quase R$ 2 mil por
mês. Com apenas 16 anos, o cara tem média de 1,5 gol
por partida e já está na mira do todo-poderoso Barça.
É mole? Só para constar: apesar do apelido, Lulinha
não manja nada de política. Nas horas vagas, o negócio
do garoto é ‘pirar’ no videogame. Acompanhe!

Ter o mesmo apelido do nosso presidente é fria?
Depende da hora. Consegui muita coisa por ter o mesmo
apelido do homem, até porque ninguém esquece de você.
Mas também já fui zoado pra caramba por ser o Lulinha,
principalmente na época de eleição. Imagina o que eu
tive que ouvir quando estava rolando aquele monte de
acusação de corrupção e tudo mais. Esse negócio de política
é o lado ruim.
Foi duro chegar até aqui?
Com certeza. Meu pai é funcionário público e minha mãe
faz bico na casa de amigas, só que mesmo assim o dinheiro
sempre foi curto em casa. É bem difícil até hoje. Pensei
muitas vezes em parar de jogar, porque só dava gastos
e o Parque São Jorge sempre foi longe de casa. Levava
1h30 só para ir, todo santo dia. E como eu era muito
novo, minha irmã Viviane é quem tinha que me levar.
Ela agüentou uma barra grande, e, agora que terminou
os estudos, vou pagar uma faculdade. Quero que ela seja
alguém na vida.
E agora você é cotado até para
jogar no Barcelona...
Pra você ver, né. Nem consigo acreditar quando escuto
essas coisas. Jogar no Barcelona para mim ainda é coisa
para o videogame (risos). Sempre escolho o time catalão
no Winning Eleven (jogo do Playstation). Com o ataque
de Ronaldinho, Eto’o e Messi, não tem para ninguém.
Mas então o Lulinha teria que
se contentar com o banco no Barça?
E olhe lá (risos). Mas falando sério: é bom saber que
times grandes estão de olho, ainda mais se um dos clubes
for do tamanho do Barcelona. Só que para não perder
o foco, acho que seria bom ficar mais uns anos no Brasil,
fazer um nome, me firmar no profissional...

Todo garoto sonha em ter um
carro, não é mesmo?
Ah, sem dúvida! Gosto muito do Stilo Schumacher, da
Fiat. É que ainda não tenho carta, nem idade para ter,
mas vai ser a primeira coisa que vou comprar quando
fizer 18 anos.
Jogador é, em geral, um nato
fazedor de filhos...
Nem a pau. E nem quero ter tão cedo, porque sei o sofrimento
que é para criar um filho sem dinheiro. Só futuramente,
mesmo. Nem casado eu sou. Só tenho uma namorada, há
oito meses, e já está bom demais.
Então, qual a sua principal
meta atualmente?
Estar até o fim do ano jogando no time principal. Quero
trabalhar com o professor Leão logo. Acho que ele vai
me ajudar a crescer profissionalmente e me fazer um
jogador ainda melhor. Já pensou se eu conseguir na categoria
profissional o mesmo tanto de gols que marco aqui (Lulinha
fez 26 gols em 25 jogos no Paulista sub-17, em 2006)?
O Pato, jogador do Inter, serve
de exemplo para você?
Claro que serve. Até cheguei a jogar contra ele na Copa
Nike um tempo atrás. Ele está passando tudo o que acho
que vou passar em breve, então o negócio é ir vendo
como ele reage. O Pato já deixou a mensagem de que é
preciso estar bem sempre, se não você acaba ficando
para trás.
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