2007 - EDIÇÃO 65

O ANO DO PATO
Por Jorge Nicola

Seria bom que os responsáveis pelo Jogo do Bicho incluíssem o pato na lista de opções para apostas. Porque, pelo menos no futebol, só vai dar o candidato a ídolo da Disneylândia (Quac! Quac! Quac!)
"Ele vai ser um dos grandes atacantes do futebol mundial em poucos anos."
Neto, ex-jogador e comentarista esportivo
em 2007. Uma seleção de especialistas ouvida pelo Fatto Olé garante que o garoto Alexandre Pato, do Internacional, será mesmo um craque com ‘C’ maiúsculo. Leões, burros, cachorros, coelhos e galos terão de correr atrás de outra reportagem – pois este zoológico está fechado para balanço.

Vipcomm“Tenho certeza que 2007 será o ano do Pato. O menino já demonstra uma maturidade impressionante e tem todos os requisitos dos grandes craques mundiais”, avalia Tostão, com o moral de quem brilhou com a camisa da Seleção na Copa de 1970 e é um dos mais respeitados comentaristas esportivos da atualidade. “Ele me lembra muito o Van Basten, pois é um artilheiro nato, mas sabe se virar bem fora da área”, acrescenta.

O técnico gaúcho Tite vê o jovem como o maior candidato a substituir o atacante Ronaldo na Seleção. “Todo mundo critica o Ronaldo dizendo que ele está gordo, não quer mais jogar, porém ainda não temos ninguém que seja capaz de ficar com seu lugar. E estou enxergando no Pato totais condições para isso”, opina o ex-treinador do Palmeiras.

Aos 17 anos, Pato já é visto como uma pedra preciosa há pelo menos quatro temporadas. E uma das provas disso é Pedro Ernesto, locutor número um da Rádio Gaúcha – foi ele quem ganhou notoriedade nacional ao narrar um gol do Inter na final da Libertadores, tripudiando do rival São Paulo. “Acordava bem cedo aos sábados para ir até o Beira-Rio assistir aos jogos do Pato, quando ele ainda era do time juvenil”, relembra o radialista.

VipcommPara Pedro Ernesto, o garoto seguirá o mesmo caminho de Ronaldinho Gaúcho. “Vejo inúmeras semelhanças entre eles. Ambos têm uma personalidade incrível, são habilidosos, fortes e nunca se intimidam com as entradas mais violentas”, analisa. “Podem escrever: o Pato será em breve eleito o melhor do mundo, e estará entre as grandes sensações do próximo Mundial”, prevê o locutor, que narra jogos de futebol desde a década de 70.

Jogador de sucesso do Corinthians em 1990, o agora comentarista Neto endossa os elogios ao menino que nasceu em Pato Branco (PR), e por isso incorporou o Pato em seu nome. Neto só ressalta que ele deve seguir no Inter por pelo menos mais dois anos, antes de uma transferência internacional. “Ele precisa ganhar experiência, receber elogios, sofrer críticas, aprender a conviver com a pressão. Tem de disputar o Brasileirão e a Libertadores para aí sim ir para o exterior. E esse processo será bom para ele e para o Inter, que lucrarão milhões.”

JÓIA LAPIDADA

"Estou impressionado com esse menino, e tenho certeza de que ele será um fenômeno."
Tostão, craque da Seleção na Copa de 70
Pelo menos até agora, o Inter tem tomado todas as providências possíveis para não deixar que sua grande revelação seja mal-aproveitada – e olha que o Colorado revelou recentemente bons valores, como os atacantes Rafael Sobis (hoje no Betis, da Espanha) e Daniel Carvalho (no CSKA, da Rússia).

E o principal ensinamento, por incrível que pareça, foi ganho com o rival Grêmio. Para não correr o risco de perder Pato para o exterior por uma pechincha, como aconteceu com Ronaldinho Gaúcho, o Inter manteve Pato longe do time profissional até que ele prorrogasse seu contrato até 2010. Antes mesmo de ter estreado na equipe principal, ele já havia assinado um vínculo de mais três anos, com cláusulas de impressionar: o clube brasileiro que quiser tirá-lo do Beira-Rio terá de gastar R$ 20 milhões, enquanto algum do exterior precisará desembolsar R$ 80 milhões.
"Acordava bem cedo aos sábados para ver ele jogando no juvenil. Pena que ele deverá ir em breve para o exterior."
Pedro Ernesto, narrador

“Nós temos total confiança no talento do Pato e sabemos que ele alcançará em pouco tempo o nível de um Henry, um Shevchenko ou um Ronaldo”, afirma o presidente do Inter, Fernando Carvalho. “É por isso que o tratamos com tanta preocupação. É a nossa pedra preciosa”, conclui o dirigente que, entre outras medidas, proibiu o garoto de dar entrevistas durante o Mundial de Clubes da Fifa, a fim de não aumentar sua responsabilidade.