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A bola está parada. Então, o Fatto
Olé resolveu vestir a sua camisa “NO
STRESS” verde-amarela e cair na estrada em busca
do cotidiano sem ansiedade, da alegria sem meta, da
felicidade sem pressa. FÉRIAS, LÁ VAMOS
NÓS! Sempre em busca da sábia preguiça
solar – a nossa vontade era ficar bebendo frappé
de coco para sempre. Mas ooops... chega dessa caretice
de sombra e água fresca: o negócio é
pagar pedágio especialmente para você e
revelar como os grandes ídolos do futebol curtem
seus dias de descanso.
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| Rogério
passa férias assistindo a filmes infantis
com suas filhas |
Veraneio,
relax de tudo, sossego total. Olha só, Wanderley
Luxemburgo de chapéu e shortinho no Pantanal,
completamente descompromissado, Bosco pegando altas
ondas, Marcos com cigarrinho de palha numa pescaria
amadora em Oriente (SP), Edmundo e Renato Gaúcho
jogando futevôlei na praia de Ipanema ou na Barra
da Tijuca, Rogério Ceni de babá das filhas
gêmeas em sua fazenda em Sinop (MS), Parreira
distribuindo autógrafos em Nova Iorque e Carlos
Alberto tirando fotos do Pateta na Disneylândia...
Em época de férias, atleta que é
atleta muda de endereço. Ficar em casa é
sinônimo de queimação de filme,
para sorte das companhias aéreas. Em geral, os
craques aproveitam o tempo livre para voltar às
origens. “Fico longe da minha mãe o ano
inteiro. Bate uma saudade que vocês não
acreditam”, conta o meia são-paulino Souza,
que se mandou para Maceió, capital alagoana,
horas depois de ter sido liberado pelo Tricolor. “Aqui
vou rever minha família toda, que é grande
demais. Tenho programa para os 30 dias de folga.”
Assim como Souza, também procuraram o conforto
da terra-natal o carioca Roger, os baianos Obina, Fábio
Costa, Paulo Almeida e Fabão, os gaúchos
Paulo Baier e Nilmar... Ídolo do Flamengo, Obina
está literalmente deitando e rolando na Ilha
de Itaparica. Mas adivinhe qual a grande diversão
do artilheiro? Disputar peladas, e como goleiro. “Tenho
qualidade no gol, também”, brinca.
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| Wanderley
Luxemburgo se refugia no Pantanal |
Os boleiros são mesmo uma espécie maluca. Passam o ano
inteiro reclamando da seqüência desgastante
de jogos, mas, quando têm a chance de ficar longe
da gorduchinha, fazem questão de participar da
maior quantidade de peladas possível. Seja amistosa,
para ajudar instituições de caridade ou
para reunir a turma de infância e a família.
O atacante Aloísio, do São Paulo, é
o organizador de uma já tradicional partida de
fim de ano em Alagoas. “Vem jogador de todo o
Nordeste”, conta. “Tem cada cracaço
na minha pelada”, comemora, citando o são-paulino
Júnior e o jovem Andrade, que está de
saída do Vasco.
Além do futebol sem compromisso, há na
agenda de férias dos boleiros alguns outros esportes.
O goleiro Bosco, por exemplo, não passa uma manhã
sem surfar, encarando as ondas do Morro do Careca, em
Natal (RN). Já seu companheiro de posição,
Rogério Ceni, gasta mais da metade do dia, acreditem,
assistindo a desenhos infantis com as filhas gêmeas
Beatriz e Clara. Livres dos treinos em dois períodos,
os meias Rosinei e Elton, do Corinthians, não
desgrudam do Playstation 2. O jogo que não sai
do videogame da dupla é o Winning Eleven 10.
É bem verdade que há a classe de atletas
e profissionais do futebol que preferem a calmaria absoluta.
O melhor representante deste grupo, sem dúvida,
é o goleiro palmeirense Marcos. “Quando
saio de férias, ninguém me acha. Vou para
Oriente (interior de São Paulo) e me escondo
lá”, reconhece o goleiro tetracampeão
mundial.
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| Marcos
se esconde em Oriente, na pescaria |
Tempos atrás, os dirigentes da CBF sentiram na
pele o quanto o ídolo palmeirense foi sincero
ao dizer que se esconde em sua cidade. Convocado de
última hora para um amistoso do Brasil, ele precisava
ser avisado de que teria de se apresentar para a viagem.
Os cartolas ligaram dezenas de vezes em seu celular,
mas o boleiro não atendia. “O jeito foi
recorrer ao delegado da cidade, que sabe que eu adoro
pescar. Aí aparece ele lá no pesque-e-pague,
numa viatura de polícia. Levei o maior susto”,
relembra Marcos. "É engraçado pensar
que ele só queria me passar o recado de que eu
estava convocado para a Seleção."
Luxemburgo também investe pesado por dias de
sossego incontestável. Em sua habitual viagem
de fim de ano, o destino é sempre o Pantanal.
Lá ele chega a ficar mais de 12 horas seguidas
no rio, em busca de peixes que podem passar dos 80 quilos.
“E de celular desligado, viu. Ninguém consegue
me perturbar durante a pescaria”, avisa o treinador
santista, soltando um aliviante “Ufa!”.
Difícil mesmo é esquecer a Bahia, o Pantanal,
a ilha de Fernando de Noronha, a fazenda, a praia, a
montanha, aquela sensação única
de liberdade, não é mesmo? O juiz apita,
o jogo começa, a bola rola, mas todos os boleiros
continuam lá, viajando, na moral. O craque chuta
e leva junto com ele a Praia da Pipa, a Torre Eifel,
a montanha-russa, o sol e mar, os santos e os orixás,
os coqueiros e as frutas, as sensações
e os prazeres, as cores e os sons... Todos os momentos
se unem num só grito: GOOOOOL!!
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