2006 - EDIÇÃO 62

VALE-TUDO COM POPÓ
Por Nathalia Pazini, especial para o Fatto Olé

Nem Maguila, nem Tyson, mas o negócio aqui é porrada forte. Vixê, o Fatto Olé trocou caneladas duras com um dos maiores nomes do pugilismo brasileiro, o supercampeão Acelino Popó. Com a mesma velocidade dos seus golpes (jabs, diretos e cruzados), o lutador admitiu que se considera o grande personagem do País neste início de século. E mais: Popó é um homem que chora, aliás, o sentimentalismo é seu ponto forte. Metrossexual? Cuidado, aí vem o nocaute!

Crédito: Vippcom/Divulgação

Popó, fala sério: é verdade que você torce para dois times?
POPÓ: É sim. Em São Paulo, torço pro São Paulo. Em Salvador, sou Vitória. Mas não costumo ir muito a estádios.

Quem é então o Popó do futebol brasileiro?
Tenho certeza que é o Souza, meia do São Paulo. Ele é alagoano, tem uma história de vida parecida com a minha, é um campeão brasileiro. Inclusive, o apelido dele lá no São Paulo é ‘Babinha’, porque dizem que ele é parecido com o meu pai.

O que é capaz de nocautear um cara durão como você?
Eu sou muito emotivo, me emociono com bastante coisa. Essa semana mesmo, eu me emocionei com um garoto que apareceu no jornal. Ele tinha o sonho de ter uma bicicleta e acabou ganhando seis de um grupo de estrangeiros. O moleque distribuiu as bicicletas entre os amigos. Engraçado, né? Tanta gente rica no Brasil e o menino tem que esperar pra ganhar as coisas de gente de fora.

Então, os brutos também choram?
Não sou bruto. Não sofro esse dilema de achar que, só porque luto, sou violento. Se bobear, o futebol é mais bruto que o boxe. A Fórmula 1 também pode ser, pois os carros fazem curvas a 250 km/h. O que é mais perigoso?

Crédito: Vippcom/Divulgação

O Brasil é carente de ídolos... Qual foi a sua maior contribuição ao País?
Nosso País é muito carente de ídolos principalmente no esporte, que é pouquíssimo representado, ainda mais aqui no Nordeste. A minha maior contribuição foi difundir o boxe e ver que hoje ele está crescendo. É ver o Sertão (Valdemir Pereira), que já lutava, vencer muito. Ele tem a mesma força de vontade que eu tive.

Muitos astros da NBA estão subindo nos ringues para treinar. Na sua visão, de que forma o pugilismo pode ajudar no desempenho de um boleiro?
O boxe ajuda muito nas construções física, psíquica e técnica. Poderia ajudar os jogadores a terem mais disciplina, principalmente aqueles com os nervos à flor da pele. O esporte ajuda a descarregar a raiva.

Apesar de ser um grande lutador, você é supervaidoso. Popó pode ser chamado de metrossexual como David Beckham?
Não, de jeito nenhum. Eu sou homem ‘brabo’. Tenho vaidade como homem e não como metrossexual. Eu tenho os meus limites. O Beckham exagera muito.

Você teme ser visto pelos jovens como um velho?
Não me preocupo com isso, pois sei que um dia essa fama toda vai acabar. Senti isso quando tive minha primeira derrota, há dois anos.

Atolado em dívidas, Mike Tyson virou gigolô de uma cafetina famosa nos EUA. O boxe é muito cruel com os seus ídolos?
As pessoas é que são cruéis com o boxe. Foi o esporte que deu fama para o Mike Tyson, só que ele ganhou muito dinheiro e torrou tudo, não soube aproveitar. Além disso, todo mundo que não consegue se manter na mídia vai perdendo o prestígio do público. Isso acontece com os atletas, os atores, e várias outras celebridades.

Crédito: ZDL/Divulgação

Quem é o maior exemplo brasileiro neste início de século?
Eu, Popó. Porque ganhei uma vida toda na porrada, dentro e fora do ringue.

Qual seria a primeira pergunta que faria ao Ronaldinho?
Por eu achar que o casamento é a base de tudo na vida, acredito que, depois que ele se separou da Milene (Domingues), sua vida profissional despencou. Perguntaria o seguinte: se você (Fenômeno) fizesse uma retrospectiva da vida de casado e da vida de solteiro, como definiria sua trajetória profissional?

A palavra medo existe no seu vocabulário?
Nunca tive medo de nada. Meu negócio é porrada (risos).

Você conseguiria descrever Popó em uma só palavra?
Paz. Sou muito tranqüilo. Não me preocupo com a mídia e jamais uso minha força pra machucar alguém.