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Fala
sério. Deve ser extremamente broxante trabalhar
como técnico num país com 188 milhões
de treinadores. Aí é que está;
no Brasil todo mundo acha que sabe sobre política,
carnaval e futebol. Estamos diante da verdade: eis uma
profissão ingrata. O cara é o culpado
nas derrotas. Sempre. Nas vitórias, os especialistas
dizem que apenas 20% do mérito são do
‘professor’. Ser treinador é conviver
com o maldito ponto de interrogação nas
costas. É colecionar um caminhão de xingamentos a cada
jogo - FDP, grande *#@, vou #@** a mãe deste *#&@! É
viver como piloto de avião, pulando de aeroporto em
aeroporto, de concentração em concentração, muitas vezes
longe de casa e da família. Em resumo: se ficar o bicho
pega, se correr o bicho come.
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Para
Leão, demissões mostram a fraqueza
dos dirigentes
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"Nossa
profissão é muito menos glamourosa do que se imagina",
avalia Tite. “Você não pode se planejar
para nada, porque não sabe como será o
dia de amanhã." O ex-técnico do Palmeiras,
alvo de uma dantesca ‘palaiada’ (se é
que vocês me entendem) lembra que em 2004 foi
demitido do São Caetano sem mais nem menos. “O
pior é que eu tinha acabado de tirar meus filhos
de Caxias do Sul e matriculá-los numa escola
em São Paulo”, conta.
Nem os mais renomados, como Émerson Leão,
escapam da guilhotina dos cartolas patéticos.
“Os dirigentes brasileiros são, em geral,
fracos”, detona o agora corintiano. “A tática
é sempre igual: mandar o técnico embora
quando os resultados não aparecem. Assim eles
limpam a barra deles, como se não tivessem culpa
pelos erros de planejamento e montagem do elenco."
Se o futebol moderno cada vez mais depende de planejamento,
chega a hora de acabar de uma vez por todas com essa
história de técnico descartável.
Para se ter idéia, só o Paraná
mudou de ‘maestro’ entre os seis melhores
times do Campeonato Brasileiro. Por outro lado, o Fluminense
contou com seis treinadores em 11 meses. Resultado:
escapou por muito pouco da Série B.
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Tite
foi demitido do Azulão dias após
matricular os filhos na escola
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O
melhor exemplo da importância real que deve ser
dada a um treinador está no Manchester United:
Alex Ferguson dirige o time inglês há mais
de 20 anos. Incrível, não é mesmo?
Aos 64 anos de idade, ele soma mais de mil partidas
à frente dos Diabos Vermelhos e coleciona títulos.
“Sei que todos os dias encaro uma enorme responsabilidade,
mas tenho a sorte de contar com uma boa energia para
agüentar o ritmo e superar os desafios do dia-a-dia”,
comemora Ferguson.
Uma coisa é certa: o futebol está revendo
os seus conceitos. A figura do treinador que pula de
clube para clube se tornou mais rara também aqui
no Brasil. Só oito técnicos trabalharam
em mais de uma equipe. No ano passado, foram 13. Em
2004, 16. Na estréia dos pontos corridos, em
2003, 10. Não há mais espaço para
a improvisação. Marcas históricas
de longevidade foram batidas, como fez Renato Gaúcho
no conturbado Vasco. Ele dirige a equipe, somando esta
edição e a do ano passado, há 67
rodadas. Ninguém se manteve em São Januário por tanto
tempo.
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Muricy
Ramalho quase não participou da criação
dos filhos
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Tite
vai além e sugere até uma mudança
no regulamento. “Deveriam estabelecer que os técnicos
não poderiam mudar de clube durante o campeonato.
Isso já acontece com os jogadores, que depois
de completarem sete jogos ficam impedidos de se transferir”,
opina. “Desta maneira, os dirigentes teriam de
pensar muito antes de contratar um de nós."
Bom, sobram duas perguntas para reflexão: os
técnicos realmente merecem orelhões de
asno? Ou os verdadeiros burros são os cartolas
que contratam um, dois, três, quatro, cinco, seis...
treinadores diferentes sem qualquer tipo de critério
ou planejamento?
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