 |
| União
literalmente faz a força no Tricolor |
Num
País em que mais da metade de seus habitantes recebe
menos do que R$ 350 por mês, o Tricolor é o time que
representa cada pedacinho do Brasil. E, o que pouca
gente sabe, reúne um goleiro que sonhava ser músico,
um zagueiro que pensava em fugir da seca, um lateral
que só ganhou seu primeiro tênis aos dez anos... um
meio-campista que quase virou frentista, outro que passou
fome... um atacante que queria escapar da marginalidade...
O agrupamento deles, aliada a outras histórias de vida
sofridas e humildes, resultou no São Paulo campeão brasileiro
de 2006.
“Ninguém aqui nasceu em berço esplendido.
A gente teve que comer o pão que o diabo amassou.
Roemos o osso, e agora chegou nossa hora de ficar com
o filé”, avalia o meia Souza. Por que o
Tricolor é bem mais do que um simples time de
futebol? Ele é agrupamento de pessoas que mudaram
seus rumos, escaparam da pobreza, viraram ídolos
e hoje são exemplo de superação
para milhões de brasileiros.
Quem vê hoje Rogério Ceni milionário nem imagina que
o goleiro teve, durante boa parte da infância, a vontade
de integrar um grupo de rock. Já Fabão, o dono da camisa
três, passou por todos os apertos do mundo em Salvador,
quando criança, assim como o polivalente Souza, que
sentiu na pele a dor de não ter o que comer durante
dias e mais dias. Júnior, campeão mundial com a Seleção
Brasileira, andou descalço em seus nove primeiros anos
de vida, enquanto Leandro viveu sempre bem perto de
criminosos. Desiludido com o futebol, Lenílson por pouco
não trocou a bola de futebol pelas bombas de gasolina.
 |
| Em
dois anos, time ganhou Mundial, Libertadores,
Paulista e agora o Brasileiro |
O
Fatto Olé tirou qualquer tipo de máscara
da melhor equipe do nosso futebol. Tudo para você
conhecer um time bem diferente daquele que se vê
nas telas de TV, se escuta nas ondas do rádio
ou se lê nos jornais. Um dos principais segredos
deste título, que pôs fim a um jejum de
15 anos, é a força de vontade para driblar
o destino da vida.
Além desse espírito de luta, outros fatores
contribuíram para que o torcedor do Tricolor
pudesse colocar a faixa de campeão, como o completo
comprometimento do elenco com as ordens do treinador
Muricy Ramalho. “O que ele fala, nós cumprimos.
Sabemos da inteligência do Muricy e seguimos à
risca suas ordens”, garante Rogério Ceni,
que nunca havia sido campeão brasileiro, apesar
do extenso currículo de conquistas.
A boleirada também é muito unida. Quer
um exemplo? Aniversário da filha de Fabão,
no mês passado: uma noite fria de segunda-feira,
ótima para se curtir em casa, reuniu 19 dos 26
atletas da equipe principal. Todos acompanhados de suas
mulheres e filhos. “Muitas vezes os jogadores
falam que formam uma família, o que é
a maior cascata. Mas aqui isso é real. Não
existe rivalidade nem entre jogadores que disputam uma
mesma posição”, jura o volante Josué,
citando o exemplo dos atacantes Aloísio, Leandro
e Alex Dias, que estão sempre juntos.
Danilo e Lenílson também dão o
tom. Eles já jogaram juntos, ficaram na reserva
numa mesma ocasião e sentiram o gosto de serem
titulares com o próprio companheiro no banco.
Tudo na mais absoluta paz, ao contrário dos rivais
(ou você não lembra do Carlos Alberto no
Corinthians e do Roger no Palmeiras?) “No meu
contrato não diz que tenho de ser titular. É
claro que quero jogar, até em rachão,
mas não vou criar confusão se o Muricy
não me aproveitar. Até porque o Lenílson
é um grande amigo meu”, revela Danilo.
 |
|
Ilsinho
é um dos seis paulistas do miscigenado
São Paulo
|
Sem
contestação - Recordista.
Assim foi a atual campanha do São Paulo, que
conseguiu a maior seqüência na liderança
do Brasileirão desde que o campeonato passou
a ser disputado na fórmula dos pontos corridos,
em 2003. O time de Muricy Ramalho alcançou a
ponta na 12ª rodada, e desde então a competição
só vê as cores vermelha, branca e preta
no topo da tabela. O recorde anterior era do Cruzeiro,
que havia ficado por 18 rodadas seguidas como líder,
no nacional de 2003. O atual São Paulo poderá
se orgulhar de ter conseguido incríveis 26 rodadas
como primeirão.
“Ninguém pode falar um ‘ai’
da nossa campanha. Conseguimos superar o trauma pela
perda da Libertadores, realizamos um ótimo segundo
turno e fizemos a alegria da torcida”, afirma
o meia Souza, lembrando que a equipe já havia
ficado no quase duas vezes neste ano – foi vice-campeão
no Paulista e na Libertadores.
O São Paulo tem ainda muitos pequenos e importantes
segredinhos, que fazem de seu conjunto o melhor do País.
Coisas como sua estrutura física, a qualidade
técnica e a versatilidade dos jogadores, o investimento
de quase R$ 50 milhões na montagem desse grupo,
uma folha salarial que beira R$ 1 milhão mensal...
Não é à toa que, desde o ano passado,
o clube já ganhou o Paulistão, a Libertadores,
o Mundial de Clubes e agora o Brasileirão.
|