2006 - EDIÇÃO 59

Encaramos o Incrível Souza
Por Jorge Nicola

O Fatto Olé fez o que poucos zagueiros conseguiram nesse Brasileirão: parar o atacante Souza, do Goiás. Mas só por alguns minutos. Nesta entrevista exclusiva, o artilheiro do campeonato nacional abre o jogo e fala sobre seu bom momento, fama, futuro, vaias e o fato de só dar certo com a camisa do clube alviverde – ele já passou por Inter, Vasco, Marítimo-POR e CSKA-BUL, sem nunca encantar.

O Brasileirão nunca teve um artilheiro com média de gols tão baixa. Como se sente?
SOUZA: Ah, para mim é completamente indiferente. Eu estou preocupado é com o Goiás e em terminar como o principal goleador do campeonato. Agora se o Edmundo fez 29 gols em 1997 e o Washington 34 em 2004, parabéns para eles.

Por que você só deu certo no Goiás?
Não é bem assim. Também tive uma boa passagem pelo Vasco, entre 1999 e 2003. Na Europa é que as coisas foram mais complicadas, principalmente em Portugal. Cheguei ao Marítimo na metade da temporada, sem ritmo de jogo. Depois tive um problema no púbis e, para completar, quebrei o braço num acidente de carro. Praticamente não tive tempo para jogar lá.

Você já saiu do Serra Dourada vaiado pela torcida, agora, está bem perto de ser o maior goleador. Que virada, hein...
Por isso que digo que o futebol é uma verdadeira roda-gigante. Com a torcida, é sempre oito ou 80. Numa hora você agrada, na outra já nem serve. Teve uma fase que minhas bolas não entravam, e alguns torcedores reclamaram (Souza chegou a fazer gestos obscenos na direção das arquibancadas do Serra Dourada, gerando protestos dos esmeraldinos). Mas depois tudo se acertou, estou fazendo meus gols e curtinho essa fama de matador.

O que mudou na sua vida?
A popularidade. Todo mundo me conhece, e recebo carinho nas ruas, no elevador, no restaurante... Até clubes adversários estão me vendo com outros olhos. Recebi sondagens de times do exterior, e também escutei falar do interesse do São Paulo, do Corinthians e do Flamengo.

Mas a multa de 2 milhões de euros lhe deixa mais distante desses clubes.
Vontade de ir para um clube grande, eu tenho. Quem não gostaria de jogar num São Paulo, por exemplo? Até tenho amigos lá, como o Aloísio, o Alex Dias e o André Dias. Mas a tendência é que eu volte mesmo para o exterior, talvez no futebol europeu. Só tento não pensar muito no assunto, porque estou me preocupando primeiramente com o finalzinho do Brasileirão. Quero ver se ultrapasso os 19 gols, para superar minha marca de 2005 (quando fez 18).

E dentro de campo; qual a maior diferença para aquele garoto caneludo que começou no Madureira, em 1998?
Me sinto outro. Com o passar do tempo e dos jogos, a gente amadurece, aprende coisas importantes para um jogador de futebol e vai ganhando. Hoje eu bato melhor na bola, mantenho concentração total nos lances de ataque e estou crescendo cada dia mais.

Ficha técnica do Hulk goiano
Nome:
Rodrigo de Souza Cardoso
Idade:
24 anos
Naturalidade:
Rio de Janeiro (RJ)
Altura:
1,85m
Peso:
85kg
Carreira:
Madureira (1998 a 99), Vasco (1999 a 2003), CSKA-BUL (2003), Marítimo (2004), Internacional (2005), Goiás (2005 e 2006)